Origem: Revista Palavras de Edificação 30

“E Teve Compaixão Deles”

Marcos 6:34

Em um mundo de miséria e necessidade, quão bom é conhecermos Alguém cujo coração sofreu isso tudo, tomando sobre Si as dores, e cujas emoções de profundo amor são tão expressivas que podemos vê-las e conhecê-las nestas palavras: “E teve compaixão deles”. Aquela bendita face expressava, claramente, o palpitar de uma misericórdia divina a revolver o Seu interior. O coração se expressava antes mesmo que a mão se movesse para aliviar aquilo que Seus olhos contemplavam. Não se tratava de um sentimento passageiro, uma emoção de momento. A dor da miséria humana encontrou morada permanente no coração de Jesus, e Ele, que é “o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13:8), embora esteja agora no trono de Deus em glória, ainda tem “compaixão deles”, enquanto olha para nós e assimila toda a miséria e necessidade que sobem em incessante súplica, e com uma intensidade cada vez mais profunda, ao trono de misericórdia.

Se o Pastor de Israel Se moveu de compaixão, enquanto olhava para os filhos de Abraão, e os via “como ovelhas que não têm pastor” (Mc 6:34), quão profunda deve ser a emoção com que agora o Senhor Jesus contempla os filhos de Deus mais uma vez espalhados! Que terrível estrago os “lobos cruéis” (At 20:29), fizeram no “rebanho”! Como os pregadores de coisas pervertidas atraíram “os discípulos após si” (At 20:30)! Quanta divisão, e ofensa generalizada, trouxeram aqueles que “não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre”! (Rm 16:18). Certamente tudo isso aparece com força perante Ele que “amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25).

Mas será que tudo se resumia no fato de ser, o povo de Jeová, “como ovelhas que não têm pastor” (Mc 6:34)? Acaso não foram eles próprios que haviam pecado? Terá o coração deles sido “reto para com Ele”? Teriam eles sido “fiéis ao Seu concerto”? Ele sabia muito bem que tinham sido exatamente o contrário; a longa e triste história daquele povo perverso e obstinado estava toda diante d’Ele, “mas Ele, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade” (Sl 78:37-38).

E será que, a Igreja do Deus vivo, tem sofrido apenas em razão de falsos mestres e guias maus? Acaso terão os filhos de Deus uma história melhor que a dos filhos de Israel? Terão sido menos perversos e obstinados? Terão todos, juntamente, guardado a Sua Palavra? E será que o seu coração têm sido “reto para com Ele”, que os redimiu com Seu próprio sangue? Quão bem Ele sabe que os privilégios mais elevados e as promessas melhores apenas revelaram um pecado mais profundo, e, na mesma proporção, menos ainda foi correspondido o Seu amor! Certamente todo coração conhece isto. Quão doce, então, em nossos dias, nos voltarmos para Aquele cuja compaixão não termina e que “como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Jo 13:1)!

Quão bom era estarem ali, e poder contar com aquele coração profundamente comovido de amor e perdão profundos, que “começou a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6:34). É certo que hoje Ele fala a nós lá do céu, mas é o mesmo céu que está aberto para nós, e não existe distância para a fé. A ruína e a ignorância encontram-se ao nosso redor. Podemos, tão somente, perceber a primeira e ministrar à segunda, enquanto permanecemos com Ele que, acima de todo mal, vê tudo e apenas aguarda o momento para o ministério do amor.

Aqueles que, em qualquer medida, servem às ovelhas de Cristo nestes últimos e derradeiros dias, precisam ponderar muito nestas palavras, dirigidas a alguém no passado, “executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um a seu irmão” (Zc 7:9), enquanto, acima de tudo, permaneçam bem no espírito d’Aquele que é “misericordioso e fiel Sumo Sacerdote” (Hb 2:17), que, rodeado de fraqueza, e tocado com os mesmos sentimentos que temos, pode “compadecer-Se ternamente dos ignorantes e errados” (Hb 5:2).

C. Wolston

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