Origem: Revista Palavras de Edificação 31

Babilônia

Babilônia – a mística Babilônia de Apocalipse – pode ser levada a se vangloriar de um Cristo crucificado e, ainda assim, ser Babilônia. Pois o que é como delineado pelo Espírito? Não é uma coisa mundana em seu caráter, bem como abominável e idólatra em doutrina e prática? Apocalipse 18 nos dá uma visão de Babilônia em sua mundanidade, assim como o capítulo 17 é vista em sua idolatria.

A Babilônia da antiguidade, na terra da Caldéia, era repleta de ídolos, e culpada do sangue ou pela tristeza dos justos. Mas, também, tinha esta marca: demonstrava grandeza neste mundo, na época da depressão de Jerusalém. O mesmo sucede com a Babilônia mística. Ela tem em seu seio suas abominações, e o sangue dos mártires de Jesus a mancha; mas muito mais que isto, ela é revelada como grande, esplêndida e alegre neste mundo em uma época de rejeição a Cristo. Ela é importante neste mundo em um período em que o juízo de Deus está sendo preparado para cair sobre ele; ela pode glorificar-se e viver em luxúria em um lugar corrompido.

Não quer dizer que ela ignore aparentemente a cruz de Cristo: ela não é pagã. Ela pode anunciar o Cristo crucificado, mas se recusa a conhecer o Cristo rejeitado. Ela não O acompanha em Suas tentações, nem considera o “pobre e necessitado” Jesus (Lucas 22; Salmo 40). Os reis da terra e mercadores da terra são seus amigos, e os habitantes da terra lhe estão sujeitos.

Acaso não é a rejeição de Cristo aquilo de que ela escarnece? Certamente que sim. Novamente digo, o testemunho predominante do Espírito acerca dela é: ela é exaltada no mundo enquanto o testemunho de Deus é rejeitado, e em desafio a esta rejeição, pois sabe o que está fazendo. A Babilônia da antiguidade conhecia bem a desolação de Jerusalém; a cristandade conhece exteriormente a cruz de Jesus e a anuncia.

A Babilônia da antiguidade era muito insolente em seu desafio à dor de Sião. Ela fez com que os cativos de Sião contribuíssem para sua grandeza e seus deleites. Nabucodonosor procedeu assim com os jovens cativos, e Belsazar, com os vasos capturados. Assim era Babilônia, e em espírito esta é a cristandade. Cristandade é aquilo que glorifica a si própria, e vive em seus deleites neste mundo, negociando em tudo aquilo que é desejável, valioso e estimado neste mundo, em face da tristeza e rejeição daquilo que é de Deus. A cristandade se esquece, na prática, que Cristo foi rejeitado neste mundo.

O poder Medo-Persa é outra criatura. Ele remove Babilônia mas exalta a si próprio (Daniel 6). É esta a ação da “besta” e seus dez reis. A mulher, Babilônia mística, é removida pelos dez reis; mas estes entregam, então, o seu poder para a “besta” que exalta a si própria acima de tudo o que é chamado Deus ou que é adorado, como fez Dario, o Medo.

Esse é o desfecho, o ponto culminante na cena da apostasia mundial, mas ainda não chegamos lá. Nosso conflito é com a Babilônia, e não com os Medos – é com aquilo que vive em luxúria e em honra durante a era de ruína de Jerusalém, isto é, da rejeição de Cristo.

J. G. Bellett

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