Origem: Revista Palavras de Edificação 35
O Chamado de Deus
A Família de Deus, nos dias que antecedem o dilúvio, trilham um caminho de peregrinos. Eles deixam o mundo para Caim. Não há neles nenhum sentimento de disputa, nem tampouco o menor indício de queixa. Eles não dizem, e nem pensam em dizer, “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança” (Lc 12:13). Nos hábitos da vida e princípios de conduta, eles são tão distintos de seu irmão infrator (Caim) que parece pertencer a uma outra raça; é como se vivessem em outro mundo.
A família de Caim é que faz toda a história do mundo. Eles constroem as cidades, eles promovem as artes, eles conduzem os negócios, eles inventam seus prazeres e passatempos. Mas em nada disso é encontrada a família de “Sete” (Gn 5:3). Os daquela geração chamam às suas cidades por seus nomes; os desta se fazem chamar pelo nome do Senhor. Os daquela fazem tudo o que podem para tornar o mundo seu, e não do Senhor; os da outra fazem tudo o que podem para se fazerem do Senhor, e não mais pertencerem a si mesmos. Caim escreve seu próprio nome sobre a terra; “Sete” (Gn 5:3), escreve o nome do Senhor sobre si.
Podemos bendizer ao Senhor por este vigoroso perfil de estrangeiros celestiais vivendo na Terra, e rogar por graça para experimentarmos em nossa alma, e em nossa vida, um pouco do seu poder. Temos uma lição a aprender disso.
Os instintos de nossa mente renovada nos sugerem que sigamos o mesmo caminho celestial com igual certeza e clareza. O chamado de Deus nos indica esse caminho, e todo o Seu ensino exige que o trilhemos. Os passatempos e os propósitos, os interesses e os prazeres, dos filhos de Caim nada significam para esses peregrinos. Como ocorre ainda hoje, eles deixam isso bem claro; rejeitam a idéia de que este mundo seja capaz de lhes trazer satisfação. Eles estão descontentes com o mundo, e não se esforçam nem um pouco para inverter esta situação.
É nisto que está fundamentada a separação moral do caminho de Caim, e de sua casa. Eles não estavam preocupados com o país que os cercava, mas procuravam uma pátria melhor, isto é, a pátria celestial. Eles se opõem completamente ao caminho de Caim, e têm um claro discernimento do caminho de Deus.
O Senhor deseja que sigamos esse mesmo padrão, estando no mundo, mas não sendo do mundo; somos do céu, embora ainda não estejamos lá (exceto no que diz respeito à nossa posição em Cristo). Paulo, no Espírito Santo, quer que sejamos assim, seguindo o exemplo daqueles: “a nossa cidade está nos céus” (Fp 3:20). Pedro, no mesmo Espírito, quer que sejamos “peregrinos e forasteiros”, abstendo-nos “das concupiscências carnais” (1 Pe 2:11). Tiago nos convoca, no mesmo Espírito, a saber que “a amizade do mundo é inimizade contra Deus” (Tg 4:4). E João nos separa como de um só golpe: “Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno” (1 Jo 5:19).
