Origem: Revista Palavras de Edificação 37

As Cartas de Paulo a Timóteo

Ao compararmos as duas epístolas a Timóteo, vemos claramente a diferença entre a ordem da casa de Deus, conforme foi estabelecida pelo apóstolo, e o andar guiado pelo Espírito de Deus, numa época em que a desordem se introduziu, após a morte do apóstolo Paulo. A primeira epístola nos apresenta a ordem estabelecida; a segunda, o andar requisitado na desordem, quando somente o Senhor conhece os que são Seus – um estado de coisas muito diferente daquele em que “todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2:47). Então, a poderosa ação do Espírito de Deus manifestou Seus filhos, e os colocou em seu lugar na Igreja. Mas, no tempo de que fala a segunda epístola a Timóteo, “o Senhor conhece os que são Seus” (2 Tm 2:19), pode haver alguns dos Seus ocultos nos sistemas que não estão de acordo com a Sua vontade.

A responsabilidade recai, então, sobre o indivíduo: ele deve apartar-se da iniquidade, “purificar-se” dos “vasos” que são “para desonra”, e associar-se ”com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” (2 Tm 2:20-22). É aí que encontramos o nosso lugar, somente recordando da unidade do corpo, e buscando cumpri-la na prática. Temos o caráter de um remanescente nestes últimos dias, mas de um remanescente que busca trazer de volta os primeiros princípios sobre os quais a Igreja foi originalmente estabelecida; um caminho simples e feliz, mas que exige fé, e a ousadia que a fé obediente supre.

Que Deus nos conceda, em Sua graça, caminhar n’Ele com um passo firme, pacífico, mas decidido. Se olharmos para Ele, tudo se torna simples: vemos claramente o nosso caminho, e temos motivos que não tornam a alma presa da incerteza. O homem de vontade dividida é aquele que é instável em todos os seus caminhos.

Quando olhamos para Deus, então, tudo aquilo que é eterno se torna ainda mais real e próximo para nós. Isso é o que dá força, e exclui todos os motivos e influências que possam nos desviar do caminho. Quão felizes somos por estarmos sob a direção do Senhor, termos o coração cheio d’Ele, cujos pensamentos são eternos, e que é, Ele próprio, amor; que tanto nos amou e Se entregou por nós; Quem deu-se a Deus, como a Sua própria perfeição, mas ainda para nos possuir – Bendito seja o Seu nome – e nos ter com Ele para sempre. É doce sentir que Ele nutre a Igreja e a estima.

Letters, pg.479, em 1867

J. N. Darby

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