Origem: Revista Palavras de Edificação 37
Nossa Luta
Deus ainda não está julgando as nações, e nem ainda introduzindo um governo justo na Terra sob a direção do “Seu Ungido”. Não; pelo contrário, em soberana graça e bondade, Ele está salvando pecadores dentre as nações antes que caia o juízo. Portanto, nós que somos santos com uma vocação celestial totalmente acima e fora deste mundo, não devemos nos preocupar com os assuntos mundanos, e sim com o “reino de Deus, e… as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo” (At 28:31). “…que o caco lute com os cacos da Terra” (Is 45:9 – KJV).
Ló participou nos negócios da culpada Sodoma; sentou-se como juiz à porta da cidade. O que aconteceu com ele? Quando os quatro reis lutaram contra cinco, Ló, sua família e todos os seus bens tornaram-se parte do espólio de guerra. É bem verdade que seu tio Abraão, um homem separado (de Sodoma), o resgatou, mas Ló nunca exibiu um caráter de peregrino, que era o apropriado para um santo de Deus naqueles dias. O mundo tinha um poder vitorioso sobre sua alma; ele se estabeleceu novamente em Sodoma, e ali afligiu sua alma justa até o exato dia da terrível condenação. Querido santo de Deus: CUIDADO!
Nossa luta continua ininterruptamente (incansavelmente). Não há licença (dispensa). O diabo e seus exércitos bem organizados não cederam. A única guerra que Deus reconhece como a guerra dos Cristãos (“irmãos santos” com uma “vocação celestial” – Hb 3:1) não somente não cessou, como está crescendo em intensidade à medida em que esgota-se o tempo para o diabo.
“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e, havendo feito tudo, ficar firmes” (Ef 6:10-13).
Transcrevo um trecho de uma carta recebida de um servo do Senhor: “O diabo está ocupado levando o coração e entendimento cego cada vez mais longe. Satanás continua sendo o enganador e conhece bem o seu ofício. Parece haver um aumento do número de demônios trabalhando em todos os lugares”. A “grande casa” (2 Tm 2:20) da Cristandade está ficando cheia deles; porventura, não degenerará na “grande Babilônia… morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e aborrecível”? (Ap 18:2).
Despertai! amado irmãos em Cristo, despertem! “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá” (Ef 5:14). Oh, pense no que Ele fez para Sua própria glória e para nós, e naquilo que temos o privilégio de ser para Ele neste mundo! Somos poupados do juízo divino assim como os filhos de Coré (Nm 26:11), comprados pelo sangue do próprio Filho de Deus, e feitos sacerdócio santo para oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo. Temos um sacerdócio real para demonstrar as excelências d’Aquele que nos chamou das trevas para Sua maravilhosa luz, e são levados em Seu coração em recordação contínua na intercessão do Sumo Sacerdote (como as doze pedras eram levadas no peitoral do sumo sacerdote em Israel).
Somos a favor introduzidos no Amado, como Mefibosete foi levado para o seio do círculo real de Davi por amor de Jônatas – chamados a andar numa senda de rejeição neste mundo, buscando a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. É exatamente como aqueles que compartilharam dos anos de rejeição de Davi no deserto: mais tarde eles compartilharam de toda a glória de seu reino. Somos co-herdeiros de tudo que o Pai deu a Seu Filho (assim como Rebeca teve parte em tudo o que Abraão dera a Isaque), pois “o Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos” (Jo 3:35).
Somos assim levados aos mais íntimos relacionamentos de amor, ao círculo de eterno amor entre o Pai e o Filho – amados como o Filho é amado – e agora participantes daquela natureza divina que é amor. Deixados aqui por pouco tempo, devemos representá-Lo diante de todos os homens, “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; retendo a palavra da vida” (Fp 2:15-16).
Somos justificados pelo sangue de Cristo, santificados (separados para Deus) por intermédio da verdade e da toda-poderosa intercessão d’Aquele que Se separou a Si mesmo para nós; a glória com Cristo nas alturas é nossa porção eterna, na qual em breve entraremos. A Terra e o céu, o universo, sob os Seus (e nossos) pés, e o eterno e inefável amor, compõem a porção a nós destinada! Que tipo de homem “convém ser em santo trato, e piedade” (2 Pe 3:11).
