Origem: Revista Palavras de Edificação 38
O Arrebatamento Secreto
Creio que dispomos de muitos avisos que são suficientes para nos preparar para um evento como este, embora reconheça tratar-se de algo difícil de ser aceito por muitos – refiro-me ao evento aqui descrito como, o arrebatamento secreto dos Santos. Não digo que temos apenas uma figura disso: temos muitas coisas que devem nos preparar para tal evento.
Cavalos e carros enchiam o monte, mas o servo do profeta não podia vê-los até que o Senhor o tornou capaz de enxergar – “O Senhor abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2 Rs 6:17). – Nem o próprio profeta presenciaria o vôo de seu mestre, se sua própria alma não tivesse passado por um processo de prova e preparação – “Eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro: e Elias subiu ao céu num redemoinho” (2 Rs 2:1-12). – A Daniel foi concedido olhar para um ser glorioso e celestial, e ouvir sua voz “como a voz de uma multidão”; mas os homens que estavam atrás de si nada viram – “os homens que estavam comigo não o viram: não obstante, caiu sobre eles um grande temor, e fugiram, escondendo-se” (Dn 10:5-7). – A glória no monte santo brilhou somente aos olhos de Pedro, Tiago e João, embora houvesse um brilho como do Sol, capaz de ter iluminado toda a Terra – “Jesus… os conduziu… a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o Seu rosto resplandeceu como o Sol, e os Seus vestidos se tornaram brancos como a Luz” (Mt 17:1-2). – Muitos corpos de santos ressuscitaram, mas somente aqueles a quem foi concedido puderam saber daquela ressurreição; pois os olhos e ouvidos comuns dos homens não puderam participar daquela grande ocasião – “Muitos corpos de Santos que dormiam foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressureição d’Ele, entraram na cidade Santa, e apareceram para muitos” (Mt 27:52-53). – O céu se abriu para Estêvão e ele pode ver a Jesus e Sua glória; mas o povo ali reunido nada viu – “Estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At 7:55-56). – Se Paulo foi ao paraíso no corpo (se no corpo ou fora do corpo não podemos dizer), ninguém viu; – “Conheço um homem em Cristo que há quatorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei: Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu” (2 Co 12:1-4). – Assim como, quando Filipe foi trasladado de Gaza para Azoto, ninguém acompanhou a sua fuga, pois o Espírito o carregou – “O Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco;… E Filipe se achou em Azoto” (At 8:39-40). Na voz e na presença de Jesus, que deteve Saulo em sua jornada a Damasco, não havia palavra para o ouvido de seus companheiros, e nenhuma forma humana houve para seus olhos: para eles tudo não passou de mero clarão e som; mas Saulo viu e ouviu tudo, e durante um tempo conversaram (At 9:7; 22:9; 26:13). Portanto, acaso não foram todas as circunstâncias que acompanham o arrebatamento dos santos assim previstas? No entanto, segredo e silêncio, de uma forma geral, marcaram todas elas.
Muitas foram as visões e audições, ressurreições, vôos e ascensões, a glória aqui na Terra, os céus abertos nas alturas, e, ainda assim, o homem ficou alheio a tudo isso. E isso é simples e fácil de entender; pois todas essas coisas pertencem às regiões e energias do Espírito, ficando além do alcance das faculdades naturais do homem. “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las” (1 Co 2:14). Se o Espírito não quiser, o olho e o ouvido não estarão sintonizados com as aparências e vozes do Espírito.
E, deixe-me acrescentar que, além de tudo isso, Jesus ressuscitou; e ressuscitou saindo de um túmulo de pedra maciça, e do meio de uma guarda de soldados atentos; mas nenhum olho ou ouvido humano participou do segredo daquele momento. E a ressurreição de Jesus trata-se das primícias. Foi um fato que passou despercebido; um momento que não foi conhecido. Depois, o anjo desceu, acompanhado de um tremor de terra, e rolou a pedra. Sentou-se, então sobre a pedra em triunfo, lançando a sentença de morte sobre os guardas; e animando as mulheres que amavam e buscavam por Jesus – “E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, descendo do céu, chegou, removendo a pedra, e sentou-se sobre ela.… Mas o anjo,… disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscai a Jesus, que foi crucificado” (Mt 28:2,5). – Será que isso não nos mostra que, após o silencioso e secreto arrebatamento dos Santos, virá a ‘hora determinada para expor’ o que aconteceu, quando o poder do Senhor ressuscitado será manifestado, em confusão para o inimigo e em gozo para o ansioso Israel? O arrebatamento secreto de Jesus não afetou os guardas da pedra: eles não estavam cientes disso, e não foram afetados por isso. Foram os resultados disso que afetaram os inimigos e os discípulos, lançando juízo sobre uns e gozo sobre outros.
E, depois de haver ressuscitado, embora possa ter andado pela Terra antes, Ele só foi visto por aqueles a quem foi dado a Ele aparecer (At 10:40-41). E Ele podia desaparecer da vista deles quando assim o desejasse, ou aparecer em várias maneiras conforme Lhe aprazia, e ninguém podia rastreá-Lo. Este é o maior exemplo; mas tudo isso são fatos que nos ajudam a compreender como, se o Senhor quiser, o silêncio e o sigilo cercarão a Sua vinda do céu para encontrar Seus santos nos ares.
Trecho extraído do livro:
“The Return of the Lord Jesus Christ from Heaven to Meet His Saints in the Air”
