Origem: Revista Palavras de Edificação 38

“Onde Queres que a Preparemos?”

Lucas 22:7-20 

Onde devemos celebrar a Ceia do Senhor? Esta pergunta, feita por muitos, traz à tona a tristeza causada pela ruína do testemunho do Corpo de Cristo, que é a “Igreja”. Mas antes mesmo da existência da Igreja – (por ocasião da última ceia, a Igreja ainda não havia sido formada; isto aconteceu somente em “Pentecostes” – At 2), – encontramos esta pergunta sendo feita em Lucas 22, do versículo 7 em diante. Ali encontramos o Senhor ordenando aos Seus discípulos: “Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos” (v.8). E eles fizeram a mesma pergunta: “Onde queres que a preparemos?” (v.9). Esta é a pergunta de uma alma submissa ao Senhor, que deseja fazer a vontade d’Ele acima de tudo. Sabemos que essa seria a última ceia do Senhor com Seus discípulos, antes de morrer numa cruz. E foi nessa ocasião que Ele pediu que fizessem isso em memória de Si; repetindo posteriormente o mesmo pedido a Paulo – “fazei isto em memória de Mim” (1 Co 11:24), já no caráter de uma ordenança àqueles que faziam parte da “Igreja”.

Ao receberem a ordem do Senhor, os discípulos não fizeram o que achavam melhor, e nem se dirigiram ao lugar mais próximo de suas casas, ou aonde se sentissem bem. Tampouco, procuraram qualquer lugar que lhes parecesse digno de tal evento, mas, com a simplicidade de uma criança, perguntaram ao Senhor: “Onde queres que a preparemos?” (v.9). E a resposta do Senhor é muito instrutiva, se a aplicarmos espiritualmente a nós nestes últimos dias.

Primeiramente, o Senhor ordena que entrassem “na cidade” (v.10). O lugar onde devemos lembrar Sua morte enquanto estamos aqui é neste mundo, em meio a toda a confusão criada pelo homem, mas, como veremos adiante, separados dela. Ali eles encontrariam “um homem, levando um cântaro d’água” (v.10), e deveriam “segui-lo”. Não era comum encontrar “um homem, levando um cântaro d’água”, pois esta era uma tarefa típica das mulheres, “Deixou pois a mulher o seu cântaro, e foi à cidade” (Jo 4:28), Eis que Rebeca saía com seu cântaro sobre o seu ombro” (Gn 24:45), e em outras passagens do Antigo Testamento. A menos que esse homem fosse um servo, e isso nos fala do Espírito Santo, pois é neste caráter, de Servo, que Ele Se encontra no mundo, na presente dispensação, levando as pessoas a Cristo (Jo 16:7-15). “Um homem, levando um cântaro d’água” – este é um símbolo da Palavra de Deus, conforme encontramos em Efésios 5:26 – “purificando-a com a lavagem da água”.

O homem com o cântaro os levaria a um “grande cenáculo mobilado” (v.12). O cenáculo, que é um apartamento privado interno ou o andar superior de uma casa, nos fala de um lugar que, embora neste mundo, encontra-se acima das coisas da Terra; um lugar elevado. O aposento era um “grande cenáculo” – havia espaço suficiente para todos os convidados, na versão JND o cenáculo é chamado de “câmara do convidado”, podemos traduzir também como “quarto de hóspedes” (Lc 22:11) – e o fato de estar mobilado demonstra que alguém já havia preparado acomodações suficientes para os que ali fossem. Os discípulos, obedecendo às ordens do Senhor, encontram tudo exatamente como lhes foi falado e, “chegada a hora, pôs-Se à mesa, e com Ele os doze apóstolos” (v.14). E, ali, Ele lhes fala da Sua morte – “Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que Padeça” (v.15).

Tudo isso é muito instrutivo para nós. Em primeiro lugar, temos que buscar o Senhor quanto ao que devemos fazer, e onde devemos fazê-lo. Ele nos mostrará com certeza. Então devemos seguir o “homem com o cântaro d’água”; uma figura de acompanharmos o Espírito Santo naquilo que Ele leva, ou seja, a Palavra de Deus. Não encontraremos na Palavra coisas do tipo, vá à esta ou àquela denominação, pois não encontramos, na doutrina que foi dada à Igreja, denominações diferentes para aqueles que fazem parte de “um só Corpo” (Ef 4:4). A única distinção era feita quanto à localização geográfica dos crentes – por exemplo: “da Igreja que está em Éfeso” (Ap 2:1); “da Igreja que está em Pérgamo” (Ap 2:12);…

Também não encontramos coisas do tipo vá aonde desejar; ou, ao lugar onde se sentir melhor, como se os crentes não tivessem qualquer guia seguro e tivessem que seguir sua própria vontade ou sentimentos – “Não fareis conforme a tudo o que hoje fazemos aqui, cada qual tudo o que bem parece aos seus olhos” (Dt 12:8), “Guarda-te, que não ofereças os teus holocaustos em todo o lugar que vires; mas no lugar que o Senhor escolher numa das Tuas tribos ali oferecerás os teus holocaustos, e ali farás tudo o que Te ordeno” (Dt 12:13-14); “Naqueles dias não havia rei em Israel: porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21:25).

Também não encontramos o conselho que normalmente é dado, vá à Igreja mais próxima de sua casa, que neste tempo de fim tem lançado muitos nas garras de verdadeiros mercenários da fé – “E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pe 2:1-2). O que não encontramos na Palavra de Deus não devemos fazer.

O que encontramos, – “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em (ao – JND) Meu nome, ali estou Eu no meio deles” (Mt 18:20 – ARA), – é a indicação de que onde estiverem dois ou três reunidos ao Nome do Senhor Jesus (e ao Seu Nome somente) Ele estará no meio, o que equivale dizer que Ele Se porá à mesa com os Seus que ali estiverem.

Portanto, é pela Palavra de Deus somente, e não pelos costumes dos homens, ainda que sejam Cristãos, que encontramos o lugar onde Deus quer que celebremos a Ceia. Tal lugar, está acima das coisas deste mundo – (assim como o cenáculo que vimos), – e Deus preparou acomodações para todos os que desejarem se dirigir para ali – (o cenáculo era grande e estava mobilado). Trata-se do lugar onde o Senhor colocou o Seu Nome, e mais nenhum outro; onde Ele é “O Centro” (Mt 18:20 – JND), de todas as atenções e Sua autoridade é reconhecida: “Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o Meu Espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo,Porque, que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro?” (1 Co 5:4,12).

Autor Desconhecido

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