Origem: Revista Palavras de Edificação 38

Por Causa dos Anjos

1 Coríntios 11:3-16 

3Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. 4Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. 5Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. 6Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu. 7O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão. 8Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão. 9Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão. 10Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos. 11Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor. 12Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus. 13Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? 14Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido? 15Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. 16Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as Igrejas de Deus”.

Esta porção da Palavra de Deus, que é de grande importância prática, é com frequência mal compreendida. Se Deus fala de qualquer assunto, deve ser porque precisamos conhecê-lo. E quando Deus tiver falado, devemos estar prontos para prestar atenção ao que Ele disse. Além disso, deve-se admitir que Deus é capaz de fazer com que seja claro e simples o que Ele quer dizer, para que não haja nenhuma dúvida. Se, porém, não entendemos, é bem provável que o problema seja conosco. Ou não lemos cuidadosamente, ou estamos com alguma idéia pré-concebida, ou, o que é pior, não vemos porque somos obstinados e não queremos enxergar daquele modo.

A Ordem de Deus para o Homem e a Mulher 

No versículo 3 o Espírito de Deus diz, por intermédio do apóstolo, que “Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo”. É esta, portanto, a ordem de poder estabelecida por Deus. Deus tem um lugar para cada um (homem e mulher), e certamente não é penoso permanecer nesse lugar. O homem tem o seu lugar como representante de Deus na Terra – “a imagem e glória de Deus” (v.7). A mulher também tem um lugar distinto – não o lugar de proeminência, mas o lugar de sujeição em conformidade com a ordem estabelecida por Deus. Ela pode, no entanto, glorificar a Deus no lugar que lhe é próprio. O homem pode, e infelizmente faz, falhar tristemente em ocupar o seu lugar, mas ainda assim é esse o seu lugar. Ele deve procurar agir diante de Deus em seu devido lugar, e ela deve estar feliz por ocupar seu próprio lugar. Cada um deve julgar um privilégio ocupar o lugar designado por Deus.

Deus estabeleceu uma certa ordem por toda a Sua Criação. Os homens e mulheres Cristãos não devem negligenciar essa ordem, porém devem lembrar-se de que são um espetáculo divinamente designado – sim, um espetáculo até mesmo para os “anjos” (v.10). Os anjos estão conhecendo a sabedoria de Deus; sendo espectadores dos caminhos de Deus. O fato de eles estarem observando os caminhos de Deus aqui é também mencionado em 1 Coríntios 4:9 – “pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens”; e em Efésios 3:10 – “pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus”.

Há, então, uma regra muito simples a seguir, que demonstrará o lugar que o homem ocupa. Ele ‘não deve orar ou profetizar (comunicar o pensamento de Deus a outros) com uma cobertura na cabeça’. Ter a cabeça coberta estragaria a demonstração, diante de outros, do lugar designado por Deus para o homem. Seria o sinal de abandono do lugar de autoridade do homem, e não deixaria a cabeça visível.

A regra para a mulher é igualmente simples: ela ‘não deve orar ou profetizar sem ter uma cobertura sobre sua cabeça’. Se ela ora sem uma cobertura sobre a cabeça, ela desonra sua cabeça. Seria uma desordem, que estaria sendo testemunhada por anjos. A cobertura sobre sua cabeça é o sinal exterior de sua sujeição. O profetizar exercido por uma irmã é, obviamente, restrito por outras passagens. Ela não deve fazê-lo na assembleia – “As mulheres estejam caladas nas Igrejas; porque lhes não é permitido falar” (1 Co 14:34), nem tampouco ela deve ensinar ou usurpar a autoridade sobre o homem – “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (1 Tm 2:12).

O fato de esta simples ordem acerca de cobrir a cabeça ser geralmente menosprezada na cristandade não é desculpa para nenhuma mulher deixar de obedecê-la. Alguns colocam esta passagem de lado por atribuir sua autoria a Paulo; porém foi o Espírito de Deus o divino Autor, e Paulo apenas a escreveu. Ele disse, acerca das coisas que escreveu, que “são mandamentos do Senhor” (1 Co 14:37). Se isto é verdade, então trata-se de algo muito sério resistir a esses mandamentos.

“Ouça” a forte linguagem usada: “Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu” (v.6). – “Pois, se a mulher não for coberta, corte-se também o cabelo. Mas se é vergonhoso para uma mulher cortar o cabelo ou rapar-se, que ela seja coberta” (v.6 – JND).

Qual é a mulher que gostaria de ter sua cabeça rapada! Ela seria publicamente envergonhada e teria que se esconder. Bem, se é assim, diz a Palavra de Deus, ‘que ela traga sobre sua cabeça uma cobertura quando estiver orando ou profetizando’.

Não se trata de uma questão de superioridade e inferioridade, mas de posição relativa na Criação. Deus em Sua sabedoria determinou um lugar para cada um conforme Lhe pareceu bem, e bem-aventurados são aqueles que reconhecem isso, e buscam sabedoria e direção de Sua Palavra, para se comportar como convém naquele lugar.

O apóstolo, pelo Espírito, voltou à Criação para estabelecer a ordem de Deus desde o princípio. A ordem e o propósito da Criação são colocados diante de nós como a base para a sujeição da mulher ao homem (vs.8-9). Então, nos versículos 14 e 15, ele chama a atenção para aquilo que aprendemos observando a natureza. Isso mostra como é apropriado que uma mulher tenha sua cabeça coberta quando ora. A natureza ensina que o cabelo longo é a glória para a mulher (quão triste é quando mulheres Cristãs cortam seus cabelos à semelhança do mundo), e significa uma posição mais reservada. Ela não deve se mostrar com a ousadia dos homens. Seu cabelo lhe foi dado “em lugar de véu” (v.15). Ele marcou um lugar reservado e subordinado na Criação de Deus. Isso foi obra de Deus, e tem sua bem-aventurança onde não é colocado de lado pela vontade do homem. Devemos nos lembrar que na “nova Criação” (2 Co 5:17 – JND), não há homem nem mulher, mas todos são um em Cristo Jesus. Este, no entanto, não é o ponto aqui, mas os respectivos lugares de cada um neste mundo diante dos olhos de outros – até mesmo dos anjos.

O Cabelo da Mulher – não é a Cobertura dela 

Alguns, ao resistir às Escrituras, têm distorcido isso ao tentar provar que o cabelo da mulher é a cobertura requerida. A tentativa de usar indevidamente a instrução divina é tão simplória que não merece comentário. Mas para alguns que talvez tenham sido enganados por essa estranha distorção, é bom chamarmos a atenção para alguns pontos. Se a cobertura de uma mulher pudesse ser entendida como sendo o seu cabelo, então o cabelo do homem seria a cobertura deste também. Assim, evidentemente não é este o significado no caso do homem. Qual é o homem que iria rapar a cabeça para ficar livre de sua cobertura? A própria natureza indica que ele deve ter “cabelos curtos”. E o homem, que deveria ter “cabelos curtos”, “não deve cobrir a cabeça” quando fala a Deus, ou quando fala por Deus. “O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus” (v.7).

Como, “não deve cobrir”, poderia significar que ele não deve deixar o cabelo crescer como o de uma mulher quando estiver orando? As palavras deste versículo expressam ação ou falta de ação no momento da oração. Trata-se de algo que ele não deve fazer quando estiver orando. Ele pode cobrir a cabeça em outras ocasiões, mas estas instruções referem-se ao momento em que ele “ora ou profetiza” (v.4). Como alguém poderia pensar diferente? Portanto, vemos que no caso do homem o seu cabelo não é a cobertura a que o texto se refere; ele não deve colocar um chapéu ou outra cobertura sobre sua cabeça nesse momento específico.

Observe novamente o versículo seis. Fazer do cabelo de uma mulher sua cobertura, em vez de um véu, chapéu ou algum outro objeto, seria algo ridículo. Tal raciocínio faria esse versículo dizer que se uma mulher não tivesse nenhum cabelo sobre sua cabeça, então seu cabelo deveria ser cortado – uma impossibilidade óbvia! A insensatez de buscar provar que o cabelo da mulher é sua cobertura, deveria ficar evidente. No versículo 15 lemos “em lugar de véu”. Seu cabelo longo simplesmente marca, na natureza, um lugar mais reservado, um lugar de sujeição.

Há alguns, na cristandade, que escrevem num esforço para distorcer as simples instruções, dizendo que “seu cabelo comprido” é a cobertura, e que isto subentende uma proibição de cortar o cabelo curto. Com certeza é triste quando uma mulher Cristã (corta) enrola sua glória, e ao fazer isso, é “conformada com este mundo”. Mas como poderia ela manter seu cabelo (curto) enrolado a maior parte do tempo, para então (deixá-lo comprido) desenrolá-lo quando estivesse orando?

Trata-se de uma questão de ela demonstrar e reconhecer o lugar que lhe foi divinamente designado por Deus quando fala para Deus ou por Deus. Isto deve ser feito colocando uma cobertura sobre sua cabeça nesse momento. Obviamente se ela tem cabelos longos o tempo todo, ainda assim há algo a ser feito ao orar. Assim como vimos no caso do homem, Deus falou de uma ação a não ser executada no momento da oração. A mulher, que já tem o seu lugar reservado na natureza, já tem cabelo comprido que marca a sua posição, e agora deve colocar uma cobertura sobre sua cabeça para demonstrar a sua sujeição nesse lugar. Será que isto não é simples o suficiente?

O fato de estar descoberta seria, para a mulher, um sinal de que estaria tomando um lugar de autoridade, abandonando a posição que lhe é própria. Seria confusão da ordem estabelecida por Deus, testemunhada por anjos. Deus deu explicações detalhadas para mostrar os motivos de tal regra. Por que tanto esforço para mudar isso? Deve-se temer que o simples ato de se recusar a exibir essa marca exterior de subordinação seja meramente a indicação de que o lugar dado pelo próprio Deus está sendo recusado.

Quando a Cobertura da Cabeça é Apropriada? 

Há outros que procuram deixar de lado a aplicação genérica desta instrução divina, dizendo que isso somente se aplica para o momento em que todos encontram-se juntos em assembleia. Este é um grande erro, e é facilmente notado pelo fato de que a uma mulher “não é permitido falar” na assembleia (1 Co 14:34); como, então, ela poderia ser instruída de como agir quando estivesse profetizando na assembleia? Um versículo iria contradizer e anular o outro, se o significado fosse que sua cabeça deveria estar coberta somente quando estivesse em uma reunião. A instrução desta passagem é para os homens e para as mulheres, em todo o tempo, e em todo lugar. Seria igualmente errado para um homem orar a Deus, usando chapéu, tanto na privacidade de seu quarto como em público, e da mesma forma seria impróprio para uma mulher orar sem ter sua cabeça coberta mesmo quando estivesse sozinha em casa.

O versículo 16 fortalece as instruções divinas. O que era válido para a assembleia em Corinto valia também para todas as assembleias; não era para ser deixado aberto às opiniões individuais, nem tampouco às decisões locais. E não havia espaço para ninguém contestar – simplesmente não havia permissão para nenhuma outra prática ou costume. O assunto estava encerrado, e não aberto à discussão.

Desde que Adão e Eva, no jardim do Éden, desejaram ser “como Deus” (Gn 3:5), e caíram, a exaltação própria tem sido uma das piores ervas daninhas do coração humano. O primeiro casal não estava satisfeito com a parte recebida e, buscando exaltar-se a si mesmo, caiu em miséria e ruína. Bendito contraste com o segundo homem – o Senhor vindo do céu! Ele humilhou-Se a Si mesmo até o mais profundo, e agora Deus O exaltou sobremaneira (Fp 2). Bendito Salvador; que todos nós possamos aprender mais de Ti!

Uma palavra mais a respeito da cobertura da cabeça – que o Senhor possa exercitar as mulheres Cristãs a selecionar objeto (chapelaria) que seja realmente uma cobertura, quando for usá-lo(a) com este o propósito. Quão necessário é que ponham-se diante do Senhor ao adquirirem uma cobertura, que seja do agrado d’Ele.

P. Wilson

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