Origem: Revista Palavras de Edificação 39

“Depois Destas Coisas…”

“O testemunho de Jesus é o Espírito de profecia” (Ap 19:10).

Introdução 

Este artigo é um pequeno esboço das “coisas que depois destas devem acontecer”“Depois destas coisas,mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer” (Ap 4:1). Neste momento estamos vivendo no – “período da Igreja” tratado em Apocalipse 1:19-20, e também nos capítulos 2 e 3, mas “Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da Sua vontadede fazer convergir n’Ele (em Cristo), na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da Terra” (Ef 1:8-10 – ARA). Deus nosso Pai nos falou dos eventos que se seguirão a este presente “período da Igreja”, culminando no dia em que Cristo terá Seu justo lugar, e até “que Deus seja tudo em todos” (1 Co 15:28).

Que o conhecimento de tudo isso possa nos levar para mais perto de Cristo, separando-nos, em nosso coração e em nossos caminhos, deste presente mundo mau que muito em breve estará sob o julgamento de Deus. Nós estamos aguardando pelo Filho de Deus vindo dos céus, nosso Libertador da “ira vindoura” (1 Ts 1:10 – ARA).

“Depois Destas Coisas…” 

A Igreja, o corpo de Cristo, foi formada no dia de Pentecostes pela vinda do Espírito Santo, e agora aqueles que crêem no evangelho são acrescentados “à Igreja” (At 2:47). Eles estão assim unidos pelo Espírito a Cristo, o Cabeça no céu, e a cada crente sobre a Terra, pois “há um só corpo” (Ef 4:4; 1 Co 12:13; Ef 1:13). É nosso privilégio que estejamos agora reunidos no precioso Nome do Senhor Jesus Cristo como membros de Seu corpo (1 Co 10:17) para recordá-Lo em Sua morte até que Ele venha (1 Co 11:23-26).

Quando o Senhor Jesus vier nos ares, “com alarido” Ele irá chamar a todos os que Lhe pertencem, os que estiverem vivos e aqueles que morreram na fé, para o lar, para a “casa de Meu Pai” (Jo 14:2-3; 1 Ts 4:16-18). Os santos do Antigo Testamento, que morreram na fé, também serão arrebatados neste momento. Eles (os santos do Antigo Testamento) não farão parte da noiva (a Igreja), mas serão os amigos do Noivo nas bodas do Cordeiro, naquele glorioso acontecimento nas alturas (1 Co 15:23; Jo 3:29; Hb 12:23; Ap 19:7-9).

O tribunal de Cristo, que é a manifestação da vida dos crentes, terá lugar no céu, e galardões serão dados por qualquer fidelidade a Cristo. Esta não é uma questão de nosso direito de estar com Cristo na glória, o que é somente por meio do precioso sangue de Cristo, mas para manifestação e recompensa. Os resultados disso serão vistos na bodas do Cordeiro (Ap 19:7-8), e terão lugar quando Cristo estabelecer Seu reino (Lc 19:12-19; 1 Co 3:12-15; 4:5).

Após a Igreja haver sido chamada pela vinda do Senhor (o arrebatamento), Deus começará a tratar com a nação de Israel e, então, haverá um tempo de tribulação por sete anos. Esta tribulação virá “sobre todo o mundo” (Ap 3:10), mas principalmente sobre os judeus, por haverem rejeitado o Messias (Jr 3:10), e sobre a cristandade, a falsa Igreja (Ap 18:5-6). Este período de sete anos é chamado de “uma semana” em Daniel 9:27. Nos últimos três anos e meio de tribulação (o período chamado “grande tribulação”), haverá um homem que se levantará, o qual é chamado “a besta”, a cabeça de dez nações da Europa que então estará unida (Ap 13:1-9). Trata-se do Império Romano restabelecido – o “ferro misturado com barro” (Dn 2:41-43), mostrando-nos, sem dúvida, que aquelas nações misturadas, cujas raízes nacionais provém da Europa (o antigo Império Romano), irão manter esta aliança, embora “por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil” (Dn 2:42). Deus usará essas dez nações para destruir a falsa Igreja (Ap 17:16-18). Tendo sido feito um acordo pela “besta” para proteger a terra de Israel, os judeus terão um líder sobre eles denominado “o anticristo” (1 Jo 2:18), “o filho da perdição”, que será adorado como Deus (Ap 13:11; 2 Ts 2:3-10). Estes dois, “a besta” e “o anticristo”, estarão de pleno acordo em sua terrível apostasia (Ap 13:11-18).

Durante esses anos haverá um piedoso remanescente de judeus levantados por Deus que irão pregar o Evangelho do reino (Mt 24:14); e serão perseguidos pelo seu testemunho. Alguns serão mortos por causa da Palavra de Deus (Ap 6:9-11), e outros por se recusarem a receber a marca da besta ou por não adorá-la (Ap 15:2-3). Aqueles que forem mortos receberão uma porção celestial, e irão reinar sobre a Terra no reino milenar (Ap 20:4). Outros serão fiéis, mas suas vidas serão preservadas por Deus para entrar no reino milenar na Terra (Ap 14:1-5), quando todas as doze tribos de Israel forem abençoadas em sua terra (Ap 7:1-8). (Em Ezequiel 20:34-38, lemos do retorno das dez tribos ao final da tribulação). Muitos gentios que não rejeitaram o Evangelho da graça de Deus, aceitarão o Evangelho do reino, e serão, também, abençoados sobre a Terra juntamente com Israel (2 Ts 2:10-12; Ap 7:9-17).

Devido à terrível maldade que ocorrerá durante aqueles sete anos de horrível tribulação, quando o mundo desistir de professar a Deus e a Cristo, e for atrás da “besta” e do “anticristo”, Deus permitirá que “o Rei do Norte” e sua Confederação de Nações Árabes (Dn 11:40-45; Sl 83:1-8; Is 28:18-19), venha à terra de Israel como um “dilúvio do açoite” – (“flagelo transbordante” – TB) – (Is 28:15,18), destruindo o seu país. Este é o princípio da “batalha de Armagedom”, que é uma série de juízos sobre todas as nações do oriente e ocidente, antes que seja estabelecido o reino sobre a Terra com Cristo como Rei (Ap 16:13-16; Jr 25:26-33).

Quando “a besta” (a cabeça dos poderes ocidentais, do Império Romano restabelecido) vier com seus exércitos para proteger Israel, conforme o acordo que tiverem feito, então o Senhor virá dos céus com os Seus santos (2 Ts 1:6-10; Jd 1:14-15; Ap 1:7). Então, Ele irá julgar a grande Confederação Ocidental, destruindo seus exércitos, e ambos “a bestae o anticristoforam lançados vivos no ardente lago de fogo” (Is 28:14-15; Dn 9:27; Ap 19:11-21).

A aparição do Senhor naquele momento será para a libertação do piedoso remanescente de Israel que colocou sua fé n’Ele e está esperando por Ele (Is 8:9-18).

“O Rei do Norte” (que é o cabeça da Confederação Árabe), tendo descido ao Egito após atacar Israel (Egito é “o Rei do Sul”), retornará então para a terra de Israel e será julgado pelo próprio Senhor (Dn 11:45; Dn 8:24-25; Is 30:30-33).

Quando o Senhor tiver julgado estas nações, isto é, a Confederação Romana e a Confederação Árabe, então a nação de Israel, todas as doze tribos, serão reunidas fora das nações para serem abençoadas em sua terra (Is 18; Ez 20:34-38; Is 60:1-22). Rússia e todas as suas confederadas virão do norte neste momento, fazendo uma tentativa de derrubar o reino que Cristo estabeleceu em Israel, e o julgamento deste último grande inimigo é descrito em Ezequiel 38 e 39:1-16.

O Senhor tendo estabelecido o Seu reino na Terra, reunirá todas as nações diante do trono da Sua glória, e eles serão julgados de acordo com a maneira que trataram os mensageiros (o remanescente piedoso) que anunciou o evangelho do reino (Mt 25:31-46). Aqueles que os receberam entrarão no reino terreno para bênção, e os que rejeitaram serão mandados para o castigo eterno. O Senhor Jesus irá então reinar em paz “por mil anos” (o Milênio), julgando abertamente o mal tão logo ele apareça (Ap 20:4; Sl 101:8; Is 32:1; Hb 2:14; Zc 5:1-4). Os santos celestiais reinarão sobre a Terra e Israel reinará na Terra (Ef 1:10; Sl 45:16; Ap 20:4). Satanás será aprisionado e lançado no abismo, e não será capaz de enganar “as nações… por mil anos” (Ap 20:2-3).

Ao final dos mil anos, Satanás será solto novamente e aqueles que meramente se submeteram ao reino de Cristo, mas não nasceram de novo (Sl 18:44), seguirão Satanás. O Senhor então julgará Satanás e todos os seus seguidores e removerá todo o mal da Terra para sempre (Ap 20:7-10). Os pecadores que tiverem morrido em seus pecados então serão ressuscitados, e permanecerão diante do grande trono branco para serem julgados, e “lançados no lago de fogo” por toda a eternidade (Ap 20:11-15).

Depois disso, Deus criará “novos Céus e nova Terra” onde o pecado nunca poderá entrar. A justiça habitará para sempre, e haverá dois lugares de bênção, o celestial e o terreno. A porção da Igreja, com todos os que morreram na fé, será celestial, enquanto os santos terrenos do milênio entrarão na Terra eterna. As nações deixarão de existir no estado eterno (2 Pe 3:13; Ap 21:1-5; Cl 1:20; 1 Co 15:24-28).

Quando falamos destas coisas, e procuramos por elas na Palavra de Deus, não nos esqueçamos nunca do versículo em Apocalipse 19:10: “O testemunho de Jesus é o espírito de profecia”. Deus agrada-Se em honrar a Seu “Filho amado”, o Senhor Jesus Cristo, o segundo Homem e o último Adão. Ele é Aquele que cumprirá todo o conselho e propósito de Deus, e uma vez que nós, que somos salvos, fazemos parte de Sua gloriosa noiva, e vamos compartilhar da Sua glória como Homem, Ele nos revelou todas estas coisas (Jo 15:15; Ef 1:8-11). O conhecimento de Sua graça salvadora deve encher nosso coração e lábios com louvor, e nos separar deste pobre mundo que muito em breve estará sob o juízo de Deus. Deve também levar-nos a advertir os pecadores do juízo vindouro, enquanto repetimos o convite de Deus no último capítulo de Sua Palavra: “Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22:17).

“Foi a graça que escreveu cada nome
No livro eterno de Deus,
Foi a graça que nos deu o Cordeiro,
que levou todos os nossos fardos”.

Meu nome escrito está, por graça divinal,
No livro do Cordeiro, já, de vida eternal.
A graça me chamou, me trouxe salvação;
A graça foi a que alcançou de todo mal perdão.

G. H. Hayhoe

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