Origem: Revista Palavras de Edificação 4
Sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos
(Continuação Do Número Anterior)
Capítulos 24:17 – 25:12
Capítulo 24
“Ora, muitos anos depois, vim trazer à minha nação esmolas e ofertas. Nisto me acharam já santificado no templo, não em ajuntamentos, nem com alvoroços, uns certos judeus da Ásia. Os quais convinha que estivessem presentes perante ti, e me acusassem, se alguma coisa contra mim tivessem. Ou digam estes mesmos, se acharam em mim alguma iniquidade, quando compareci perante o conselho, a não ser estas palavras, que, estando entre eles, clamei: Hoje sou julgado por vós acerca da ressurreição dos mortos” (vs.17-21).
Diante do governador romano Félix, Paulo que já tinha afirmado a sua esperança em Deus de “haver ressurreição dos mortos, tanto dos justos como dos injustos” (At 24:15); e, que procurava “sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus, como para com os homens”, terminou a sua defesa com o parágrafo que acabamos de ler.
“Então Félix, havendo ouvido estas coisas, lhes pôs dilação, dizendo: Havendo-me informado melhor deste caminho, quando o tribuno Lísias tiver descido então tomarei inteiro conhecimento dos vossos negócios. E mandou ao centurião que o guardassem na prisão, tratando-o com brandura, e que a ninguém dos seus proibisse servi-lo ou vir ter com ele” (vs.22-23).
Félix, como político sábio que era, pôs fim a audiência, pois, não ignorava o testemunho dos Cristãos, ou seja “o caminho”, que é o próprio Senhor Jesus Cristo (Jo 14:6), e sabia também, conforme a carta que lhe escrevera o tribuno Lísias, que Paulo não era culpado. E afinal, quando é que esse tribuno Lísias desceu? Nunca, pois que Félix nunca o tinha chamado! Paulo apesar de estar preso tinha certa liberdade, pois podia ter contato com seus familiares. Assim que, o Senhor mudou o coração do governador para ter misericórdia de Paulo. “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina” (Pv 21:1).
“E alguns dias depois, vindo Félix com sua mulher Drusila, que era judia, mandou chamar Paulo, e ouviu-o acerca da fé em Cristo. E, tratando ele da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro, Félix, espavorido, respondeu: Por agora vai-te, e em tendo oportunidade te chamarei. Esperando ao mesmo tempo que Paulo lhe desse dinheiro, para que o soltasse; pelo que também muitas vezes o mandava chamar, e falava com ele” (vs.24-26).
O Senhor Jesus, profetizando a vinda do Espírito Santo, disse: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (Jo 16:8). Assim Paulo, dirigido pelo Espírito Santo, tocou a consciência de Félix. Um prisioneiro de Roma, mas servo do Senhor, dirigia-se desta maneira ao governador! E que pena! Parece que nem Félix nem sua mulher se arrependeram; pelo contrário até foi a cobiça do dinheiro que dominou o seu espírito.
“Mas, passados dois anos, Félix teve por sucessor a Pórcio Festo; e, querendo Félix comprazer aos judeus, deixou a Paulo preso” (v.27).
Capítulo 25
“Entrando pois Festo na província, subiu dali a três dias de Cesaréia à Jerusalém. E o sumo sacerdote e os principais dos judeus compareceram perante ele contra Paulo, e lhe rogaram, pedindo como favor contra ele que o fizesse vir a Jerusalém, armando ciladas para o matarem no caminho” (vs.1-3).
Sem o “arrependimento perante Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” o homem religioso é uma fera. Os corações dos judeus estavam repletos de assassínio e engano.
“Mas Festo respondeu que Paulo estava guardado em Cesaréia, e que ele brevemente partiria para lá. Os que pois, disse, dentre vós têm poder, desçam comigo e, se neste varão houver algum crime, acusem-no. E, não se demorando entre eles mais de dez dias, desceu a Cesaréia; e no dia seguinte assentando-se no tribunal, mandou que trouxessem Paulo. E, chegando ele, o rodearam os judeus que haviam descido de Jerusalém, trazendo contra Paulo muitas e graves acusações, que não podiam provar” (vs.4-7).
Os judeus, além de abrigarem no seu coração assassínio, tinham lábios mentirosos.
“Mas ele, em sua defesa, disse: Eu não pequei em coisa alguma contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César. Todavia Festo, querendo comprazer aos judeus, respondendo a Paulo, disse: Queres tu subir a Jerusalém, e ser lá perante mim julgado acerca destas coisas? Mas Paulo disse: Estou perante o tribunal de César, onde convém que seja julgado; não fiz agravo algum aos judeus, como tu muito bem sabes. Se fiz algum agravo, ou cometi alguma coisa digna de morte, não recuso morrer; mas, se nada há das coisas de que estes me acusam, ninguém me pode entregar a eles; apelo para César. Então Festo, tendo falado com o conselho, respondeu: Apelaste para César? Para César irás” (vs.8-12).
Pórcio Festo era do mesmo caráter de Félix, um político sem consciência, mais pronto a sacrificar o inocente do que a prejudicar as suas relações com os judeus, seus súditos. Paulo lhe disse francamente que, ele próprio sabia muito bem que nada tinha feito de mal. Finalmente, e conforme o seu direito de cidadão romano por nascimento, apelou para o próprio imperador, César; e Festo aceitou.
Que grande contraste entre o servo humilde do Senhor Jesus, e os homens de alta categoria deste mundo, que “está no maligno” (1 Jo 5:19).
(Continua, Querendo Deus)
