Origem: Revista Palavras de Edificação 41
Editorial
Se entramos em um teatro nos momentos que antecedem o espetáculo, vemos alguma movimentação no palco, onde estão sendo instalados os painéis que irão compor o cenário. Mas a movimentação que vemos não é o espetáculo propriamente dito, e é pequena se comparada com o que acontece atrás dos bastidores, onde o movimento é mais intenso. Ali, artistas e auxiliares, trabalham num ritmo que cresce à medida que se aproxima a hora – o início do espetáculo. Isso, porém, não é visível ao que assiste à montagem do palco.
O mundo, hoje, é um grande palco. Vemos alguma movimentação, mas ainda não é o espetáculo. O movimento maior agora é atrás, nos bastidores; mas o cenário, quase pronto, já nos dá a entender que logo terá início o que foi anunciado pelos profetas. Porém, vivemos num “parêntese” no desenrolar dos desígnios de Deus para com Israel – estamos na ‘dispensação da graça’ – e o que vemos não é o cumprimento da profecia propriamente dita, mas apenas a preparação do palco. Após o arrebatamento da Igreja, os acontecimentos proféticos desencadear-se-ão. Agora a atividade, atrás nos bastidores, é intensa; falta pouco tempo.
No palco, vemos surgir uma nova ordem mundial; os blocos que irão compor a cena dirigem-se aos seus lugares. Israel, ainda em incredulidade, tem alguns dos seus ocupando a terra prometida, e é alvo da ira de todo o mundo árabe, um exército que, quando unificado (Sl 83:1-8), atingirá os duzentos milhões de Apocalipse 9:16. E terão aliados: a Comunidade dos Estados Independentes (antiga União Soviética), em função da predominância muçulmana de suas repúblicas do sul, que ainda conservam boa parte do imenso arsenal bélico, precisa manter um bom relacionamento com o mundo árabe. A Europa, o império romano reunificado, já é uma realidade, e Roma, caminha para seu lugar de cabeça expurgando os membros corruptos de seu governo, para ganhar a confiança dos demais reis, e poder se impor. É de lá que a Besta irá reger (Dn 7:8; Ap 17:3, 17:9), inicialmente montada pela mulher, “a mãe das prostituições” (Ap 17:3-5). Mas depois “os dez chifres… aborrecerão a prostituta, e a porão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo” (Ap 17:16).
A mulher, é o que restará da cristandade professa após o arrebatamento. Ela é a falsa igreja, que se prostituiu com “os reis da Terra” (Ap 18:9), na busca de vantagens e poder neste mundo. Também, para isto, o cenário vai sendo montado. Promove-se a união da cristandade, deixando, porém, Cristo do lado de fora; Ele está “à porta” (Ap 3:20). Estimula-se o engajamento do Cristão nos interesses e governo deste mundo; quando sua vocação e cidadania são celestiais. E, numa preparação para o show que será apresentado pelo anticristo, muitos são atraídos pelo que é visível, espantoso e extraordinário, na busca de “poder, e sinais e prodígios” (2 Ts 2:9), esquecendo-se que o crente anda “por fé, e não por vista” (2 Co 5:7).
Aos que crêem no Senhor Jesus Cristo, – “geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (1 Pe 2:9) – resta apenas aguardar “um poucochinho de tempo, e O que há de vir virá, e não tardará” (Hb 10:37), olhando para “os céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o Seu corpo glorioso” (Fp 3:20-21). Logo ouviremos o Seu chamar, e seremos arrebatados “nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares” (1 Ts 4:17). Seremos tirados deste triste cenário antes “da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” (Ap 3:10). O palco está armado. São dados os últimos retoques nos cenários, que servirão de fundo ao maior espetáculo de dor e aflição jamais visto, “porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tão pouco há de haver” (Mt 24:21). Para nós que cremos, porém, terá início outro espetáculo – a magnificente “glória que se há de revelar” (1 Pe 5:1). Diante de nossos olhos estará Aquele que nos salvou, e cuja face anelamos ver: JESUS! Que consolo isto nos dá! “Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).
Texto escrito em 1993
M. Persona
