Origem: Revista Palavras de Edificação 42

Editorial

“O Maior Espetáculo do Mundo” 

Quase todos os circos do mundo anunciam assim. Ninguém pensaria em anunciar o “menor espetáculo”, pois certamente não haveria platéia interessada em tal coisa. É um apelo eficaz ao homem que busca sempre mais; que procura aquilo que traga satisfação à sua carne, encha seus olhos e enalteça o ser humano. “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2:16). Concupiscência é o desejo ardente de alguma coisa. No Éden, Eva foi levada pela concupiscência – “a árvore era boa para se comer (concupiscência da carne), e agradável aos olhos (concupiscência dos olhos), e árvore desejável para dar entendimento (soberba da vida) (Gn 3:6). A resposta do coração do homem, àquilo que apelava aos seus sentidos, foi suficiente para afastá-lo de Deus.

Vivemos numa época de ruína na Cristandade. Aquilo que Deus desejou que fosse a “casa de Deus” (1 Tm 3:15), nas mãos dos homens tornou-se numa “grande casa” com todo tipo de vasos: “uns para honra, outros, porém, para desonra” (2 Tm 2:20). Em cada esquina, no rádio e na TV, pretensos pregadores anunciam os seus espetáculos expondo Cristo como um remédio para todos os males desta vida. Shows evangélicos concorrem com o que há de melhor no mundo do entretenimento. E dos seminários afloram os “doutores em divindade”, “eclesiólogos”, “paracletólogos” e uma infinidade de títulos à semelhança das profissões e cargos deste mundo. O apelo ao que é grande aos olhos do mundo é muito forte. “A maior igreja do mundo”. “O maior templo do mundo”. “O maior espetáculo do mundo”. “Tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo 2:16-17).

Ao buscar o homem perdido, Deus não usou de nenhum artifício que pudesse atrair a carne, ou que pudesse encher os olhos, ou ainda que pudesse inflar a soberba humana. Cristo “não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para Ele, nenhuma beleza víamos, para que O desejássemos” (Is 53:2). Ele, que teve por berço uma manjedoura, durante Sua vida não teve onde reclinar a cabeça. Foi recliná-la, por fim, sobre Seu próprio peito, morrendo pregado numa cruz como um criminoso qualquer.

Será que alguém deseja um tal Salvador? Existirá, para o homem natural, qualquer coisa em Cristo que seja um atrativo para a carne? Certamente que não. Mas quando o próprio Deus abre nossos olhos para que enxerguem além do que é natural, “vemos, porém, coroado de glória e de honra Aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb 2:9). Bendito Senhor! É este o meu Salvador; é este o Salvador de todo aquele que n’Ele crê. Nada para a minha carne; nada para meus limitados olhos carnais; nada de que eu possa me gloriar em mim mesmo. Mas, por outro lado, tudo o que eu necessitava para ser tirado do poder das trevas e ser transportado “para o reino do Filho do Seu amor” (Cl 1:13). Será este o Salvador e Senhor que você procura?

M. Persona

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