Origem: Revista Palavras de Edificação 42
“Mas É Grande Ganho a Piedade com Contentamento”
1 Tm 6:6
As palavras do título implicam que deve haver algum tipo de contentamento sem piedade, onde, evidentemente, deve haver algum ganho.
O que é piedade? “Grande é o mistério da piedade: Aquele que Se manifestou em carne” (1 Tm 3:16). A verdadeira piedade é a semelhança com Deus, como no versículo citado, e também em Efésios 5:1, “Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados”, em conexão com Efésios 4:32, “Antes sede uns para com outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como Deus vos perdoou em Cristo”. Os Cristãos devem ser seguidores (literalmente, “imitadores”) de Deus – devem ser semelhantes a Deus, ou seja, piedosos, sempre entregando-se a si mesmo a Deus em favor do próximo, como Cristo fez na cruz, – exceto, evidentemente, naquilo que somente Cristo poderia fazer: a expiação. Mas nossa piedade, nosso andar em amor não é para ter um padrão mais baixo do que este. O Espírito Santo, também, em 1 João 4:16 ensina o mesmo padrão, para nós Cristãos amarmos uns aos outros.
Então, “é grande ganho a piedade com contentamento” (1 Tm 6:6). A piedade não somente tem “a promessa da vida presente”, mas também “da que há de vir” (1 Tm 4:8), e ambas são “ganho”. Assim, “é grande ganho a piedade com contentamento” (1 Tm 6:6). Onde, não há este “contentamento”, o coração não estará satisfeito – não estará descansando no gozo da comunhão com o Pai e com o Filho.
Avareza
Satanás conhece bem este assunto, e tenta nos roubar esse gozo incitando-nos à avareza. Por esta razão somos exortados em Hebreus 13:5: “Sejam os vossos costumes (vossa conduta como Cristão) sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque Ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei”. E ainda em 1 Timóteo 6:7: “Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele”.
Mas com o que devo me contentar? Comida e vestimenta. Ouça, também, o que nosso Senhor ensina quanto a isto em Lucas 12, e o que devemos considerar! Devemos considerar os corvos, e os lírios, e como Deus alimenta uns e veste os outros – “Jesus disse: …Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. …Considerai os corvos… Considerai os lírios… não andeis inquietos” (vs.22-30).
O que é avareza? Nas Escrituras há diferentes palavras gregas todas são traduzidas pela mesma palavra “avareza”. Cinco palavras gregas são encontradas no Novo Testamento. Somente em duas Escrituras, a saber, 1 Corintios 12:31 e 1 Corintios 14:39 é a palavra usada num bom sentido, e aqui apenas a palavra “zelo” (ser zeloso) é usada. Mas, na maioria das vezes, a palavra mais comum é “pleonexia” significando “extrema ganância por fortuna” ou “ganância (avidez) por ganho”.
Em Lucas 12:15-20 – “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza” – significa a “avidez de possuir”. Em 1 Coríntios 5 é dito que devem ser tirados não apenas o “…devasso,… ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão”, por serem maus, mas também alguém ávido de possuir – “o avarento”. Isso tudo não nos mostra quão odiosa é para Deus a avidez de possuir? “É idolatria” (Cl 3:5). Como isso rouba a Deus o Seu devido lugar! E como isso rouba a alma do “grande ganho da piedade com contentamento”, e do gozo do Pai, agindo como pai para aqueles que estão separados de qualquer jugo desigual com incrédulos! Um poema me vem à mente para ilustrar o que escrevi acima, e quero compartilhá-lo com você:
Ouviu-se Num Pomar
Escutei o Pintassilgo ao Pardal dizer,
“Qual a razão, gostaria de saber,
Do ser humano, sempre tão preocupado,
Correr tanto de um ao outro lado”.
Respondeu, então, ao Pintassilgo, o Pardal,
“Amigo, acho que sei a resposta para tal,
É porque não têm um Pai Celestial tão bom assim,
Como o Deus que cuida de você e de mim!”
Sabemos que o Pardal estava errado. Os seres humanos também têm um Pai celestial, mas não confiam em Seu todo-poderoso amor e cuidado para com eles, e por isso correm “tanto de um ao outro lado”.
A avareza (avidez de possuir), não somente produz inquietação e preocupação da alma; mas também impede a sossegada e feliz comunhão com o Pai e com o Filho, esse gozo é perdido, e não há força para adoração ou serviço, exceto, talvez, numa forma legalista. E o Cristão torna-se desanimado e frio e mostra poucos sinais de vida. Fica cada vez mais difícil vê-lo abrindo a boca, tanto nas reuniões de adoração como nas de oração, dirigindo-se a Deus Pai ou ao Filho. E, no entanto, o Filho diz: “Faze-Me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce e a tua face aprazível” (Ct 2:14).
Se o Cristão segue adiante permitindo esse espírito de avidez de possuir, Deus nos diz que tais pessoas “caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína… Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, a caridade (o amor), a paciência, a mansidão. Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna” (1 Tm 6:9-12).
Força Espiritual
Por acaso isso tudo não requer poder, força espiritual? Certamente sim, e deve ser encontrado n’Aquele que ressuscitou, e subiu ao céu, a Quem estamos unidos, em Quem fomos aceitos, e a Quem pertencemos. Pois toda a plenitude da Divindade habita n’Ele, e somos cheios, e completos n’Ele; e Sua “graça te (nos) basta, porque meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Portanto não devemos nos desculpar, e nem sermos desencorajados. “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fp 4:13), aqueles que olham para Ele – para Ele, Aquele que nos ama como um homem ama a si mesmo, Ele nos ama como parte de Si mesmo.
Em Lucas 12, nosso bendito Senhor nos diz: se somos levados à ansiedade quanto a prover as coisas necessárias para nós mesmos ou para nossa família, não fiquemos ansiosos acerca dessas coisas; e em Mateus, quando falava os Seus no sermão do monte, Ele nos diz: para buscarmos primeiro as coisas de Deus – “buscai primeiro o reino de Deus” – e tudo o que é necessário – tudo aquilo com que devemos nos contentar, aquilo que “os corvos e os lírios” recebem d’Ele, – “vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). Essa preciosa expressão de Seu amoroso cuidado para conosco vem para nos encorajar, pois “vosso Pai sabe que haveis mister (necessitais – ARA) delas” (Lc 12:30).
Caro leitor Cristão, considere o que digo, e que o Senhor possa dar-nos entendimento em todas as coisas. Que Seu grande, gracioso e imutável amor por nós, declarado na cruz, e continua a ser derramado para nós, vindo de Seu trono nas alturas; possa este amor constranger nosso coração para que possamos colocar Cristo e as coisas de Deus em primeiro lugar, e viver, não para nós mesmos, mas para Aquele que morreu por nós e ressuscitou, desfrutando do “grande ganho a piedade com contentamento” (1 Tm 6:6).
