Origem: Revista Palavras de Edificação 43
Editorial
Será que é presunção alguém afirmar que já está salvo? Se a salvação dependesse de nossas obras e de nosso andar, certamente seria falta de humildade ou muita pretensão reconhecer-se salvo. Mas a salvação é pela fé somente, sem obras, e, por esta razão, não é presunção um crente afirmar que já tem a vida eterna. Deus me diz que se eu crer em Cristo eu tenho a vida eterna; não entrarei em condenação[1]. Eu creio em Cristo. Devo duvidar da promessa de Deus para todo aquele que crê? De maneira nenhuma. Não é presunção nem hipocrisia afirmar que se possui a salvação, se a única prerrogativa para sermos salvos é sermos pecadores[2] (1 Tm 1:15), e, como tais, aceitarmos a salvação que Deus oferece gratuitamente ao que crê. Cristo não veio salvar justos, mas pecadores. Se eu me reconheço pecador, arruinado pelo pecado e inimigo de Deus (Rm 5:10) – consciente de que nunca poderei melhorar minha velha natureza, caída e corrompida pelo pecado (Jr 13:23) – e venho a Cristo, crendo n’Ele e esperando apenas na misericórdia e graça de Deus (e não em meus méritos), não estarei sendo presunçoso.
[1] N do R.: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a Minha Palavra, e crê n’Aquele que Me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas, passou da morte para a vida” (Jo 5:24)
[2] N do R.: “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1 Tm 1:15)
Porém, aquele que crê que a salvação é pelo seu reto proceder e pela sua obediência, este sim está sendo pretensioso, presunçoso e soberbo, pois mesmo que afirme que não pode ter certeza de já estar salvo, tem a esperança de que um dia “chegará lá” pelos seus próprios esforços. Por outro lado, o reconhecimento de que se possui a salvação, mediante a fé em Cristo, não é presunção, mas simplesmente o reconhecimento de que Deus é fiel e cumprirá o que prometeu. “Quem ouve a Minha Palavra, e crê n’Aquele que Me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas, passou da morte para a vida” (Jo 5:24). Poderia alguém que crê em Deus e na Sua Palavra duvidar da realidade de tal promessa?
Mas é triste vermos que há alguns que, embora tenham crido que Cristo foi suficiente para salvá-los, acham que Ele é incapaz de mantê-los salvos. E chegam à conclusão errada de que a manutenção da salvação depende de seus débeis esforços. Se você pensa assim, devo dizer que se você for verdadeiramente nascido de Deus, Ele cuidará de você até o fim. Apesar de, infelizmente, sermos capazes de cair, pois “sete vezes cairá o justo, e se levantará” (Pv 24:16), podemos descansar na certeza de que:
- “o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à Sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá” (1 Pe 5:10);
- “O Senhor Jesus Cristo, o qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1:7-8);
- “Tendo por certo isto mesmo, que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Fp 1:6);
- “Para que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo com todos os Seus santos” (1 Ts 3:13);
- “Assim, pois, não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que Se compadece” (Rm 9:16).
Quando entendemos que não apenas nossa salvação depende de Deus, mas também a manutenção dela, podemos descansar sabendo que Ele nos fará completar nossa jornada aqui. Ao contrário do que muitos pensam, isto não nos leva a tratar o pecado com leviandade, mas faz aumentar o sentimento de responsabilidade. Quando ficamos sabendo que a graça de Deus é tão imensa, nosso coração enche-se de temor, não de perdermos a salvação, mas do reconhecimento da magnitude da obra de Cristo por nós. Um verdadeiro crente nunca perderá a salvação; o próprio Senhor prometeu que nada, e nem ninguém, poderia tirá-lo das mãos do Pai. E um verdadeiro crente, ao saber disso, nunca dirá: “Se é assim, vou pecar à vontade”. O que pensa assim nunca foi salvo; nunca conheceu a graça de Deus.
M. Persona
