Origem: Revista Palavras de Edificação 44

Adoração Cristã

Os dois grandes elementos da adoração Cristã são a presença do Espírito Santo e a lembrança do sacrifício de Cristo, a qual é comemorada na ceia do Senhor.

Porém, nesta adoração, as afeições estão conectadas com todo o nosso relacionamento com Deus e aí são desenvolvidas. Deus, em Sua majestade, é adorado. Os dons de Sua própria providência são reconhecidos. Ele, que é Espírito, é adorado em espírito e em verdade. Apresentamos a Deus, como nosso Pai – o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo – a expressão das santas afeições que Ele produziu em nós; pois Ele nos buscou quando estávamos bem longe, e nos trouxe para junto de Si como Seus filhos amados, dando-nos o Espírito de adoção e associando-nos (maravilhosa graça!) com Seu bem amado Filho. Adoramos a nosso Deus-Salvador, que nos purificou de nossos pecados e nos colocou em Sua presença imaculada, Sua santidade e a Sua justiça, que foram tão maravilhosamente manifestadas em nossa redenção, tem sido para nós uma fonte de gozo que não finda; pois por meio da perfeita obra de Cristo estamos na luz assim como Ele mesmo está na luz.

É o próprio Espírito Santo que nos revela essas coisas celestiais, e a glória que há de vir, e que opera em nós a fim de produzir afeições adequadas a tal bem-aventurado parentesco com Deus. É Ele o vínculo de união entre essas coisas e o coração. Mas, atraindo a nossa alma, Ele nos faz sentir que somos filhos da mesma família e membros do mesmo corpo; unindo-nos, por meio das mútuas afeições e sentimentos que nos são comuns, nesta adoração elevada a Ele que é o objeto de nossa adoração. O próprio Senhor Jesus encontra-Se presente em nosso meio, em conformidade com Sua promessa.

Em poucas palavras, a adoração é exercitada em conexão com a mais doce lembrança de Seu amor, quer consideremos Sua obra na cruz, ou tenhamos em mente Sua sempre atual e terna afeição para conosco. Ele deseja que nos lembremos d’Ele. Doce e precioso pensamento!

Oh! que gozo traz para nossa alma, e ainda, ao mesmo tempo, quão solene deve ser tal adoração! Que tipo de vida deveríamos ter o cuidado de levar a fim de rendermos tal adoração! Quão vigilantes deveríamos ser de nosso próprio espírito! Quão sensível quanto ao mal! Com que fervor[6] devemos buscar a presença e direção do Espírito Santo, a fim de render tal adoração adequadamente! Ainda assim, deveria ser muito simples e sincera; pois a verdadeira afeição é sempre simples, e ao mesmo tempo devota, já que o senso de tais interesses comunica devoção. A majestade d’Aquele a Quem adoramos e a grandeza do Seu amor nos dão solenidade em cada atitude nossa ao nos aproximarmos d’Ele. Com que profunda afeição e gratidão devemos, em ocasiões assim, pensar no Salvador, quando fazemos lembrança de todo o Seu amor por nós – permanecendo por meio d’Ele na presença de Deus, longe de todo mal, num antegozo de nossa bênção eterna!
[6] N.do R.: No sentido de ser “diligente” em suas ações e em seu andar. Ver 2 Tm 4:9, 21 – JND

O amor do Pai e do Filho 

Estes dois grandes assuntos com os quais a adoração Cristã se ocupa, – a saber, o amor de Deus nosso Pai, e o amor do Senhor Jesus, em Sua obra e como Cabeça do Seu corpo que é a Igreja, – permitem ligeiras mudanças no caráter da adoração, dependendo do estado daqueles que adoram. Haverá ocasiões em que o Senhor Jesus estará de forma mais especial diante de nossos pensamentos; outras vezes, o pensamento do Pai é que estará mais presente. Somente o Espírito Santo pode nos guiar nisso; mas a sinceridade e espiritualidade da adoração dependerá do estado daqueles que compõem a assembleia. Em coisas assim não há lugar para o esforço próprio. Deve-se lembrar que o crente, que é o canal da adoração, não deve apresentar aquilo que é próprio e peculiar a si mesmo, mas o que é verdadeiramente o exercício gerado pelo Espírito do coração daqueles que compõem a assembleia. Isso nos fará sentir nossa completa dependência no Consolador – o Espírito de verdade – para uma verdadeira adoração a Deus em comunhão. Nada, no entanto, é mais simples ou mais evidente do que a verdade de que a adoração que é feita deve ser a adoração conjunta de todos.

J. N. Darby

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