Origem: Revista Palavras de Edificação 44
Editorial
O dicionário define a palavra inglesa “gentleman” como “cavalheiro, homem gentil e bem-educado”. Mas, segundo um artigo que li, nem sempre foi assim. Na idade média, “gentleman” era o termo usado para os senhores feudais – ricos proprietários de terras que, em sua grande maioria, nada tinham de gentis ou bem-educados. Com o passar do tempo, porém, seu significado foi mudando até chegar ao que hoje conhecemos.
O mesmo aconteceu com a palavra “igreja”, que, na Bíblia, significa uma assembleia ou reunião de pessoas – nunca um edifício de tijolos, ou uma denominação religiosa. Embora os homens chamem estas coisas de “igreja”, não existe base bíblica para isso, pois Deus não ordenou que os Cristãos construíssem templos e nem tampouco aprova que estejam separados em diferentes denominações. Em 1 Coríntios 3:4, –[N.do.R.: “Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo: porventura não sois carnais”] – as divisões e a identificação dos crentes por diferentes nomes são consideradas carnalidade. Também não há fundamento na Bíblia o uso de frases do tipo “a minha igreja” ou “a igreja do pastor fulano”. O que vemos é “a Igreja de Deus, que Ele resgatou com Seu próprio sangue” (At 20:28).
Os Cristãos devem se reunir, mas somente ao nome do Senhor Jesus (Mt 18:20), para orar, celebrar a Ceia do Senhor, aprender da doutrina dos apóstolos e ter comunhão uns com os outros (At 2:42). Isto pode ser feito numa casa, salão ou edifício, destinado ou não exclusivamente para este fim. O edifício onde tal reunião ocorre nada é. Não tem o mesmo caráter do tabernáculo ou do templo no Velho Testamento, pois estamos numa nova dispensação e nada temos a ver com a forma de adoração dos judeus. No Velho Testamento a adoração era exterior, pois Cristo ainda não havia sido morto e glorificado, e os adoradores não eram habitação do Espírito Santo. Tudo mudou desde então (Jo 4).
Qualquer Cristão que considerar, como lugar de adoração, um edifício de tijolos ou uma denominação, que são coisas construídas e criadas pelos homens, estará desprezando o que diz a Palavra de Deus: “Temos um Sumo Sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade, Ministro do santuário, …o qual o Senhor fundou, e não o homem…” (Hb 8:1-2) – [N.do R.: “Tendo… ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela Sua carne”] (Hb 10:19-20). Não existe mais um templo como na antiga dispensação. Não existe mais nenhum sumo pontífice, ou sumo sacerdote, humano, pecador e sujeito a falhas. Hoje, todos os que crêem são “pedras vivas” de uma “casa espiritual”; são todos igualmente sacerdotes (1 Pe 2:5), sendo o próprio Senhor Jesus o “Sumo Sacerdote”. Qualquer coisa menos do que isto é voltar ao judaísmo.
Porém o Cristianismo que vemos ao nosso redor está mesclado de judaísmo, com seus templos, sacerdotes, altares, rituais, coros, roupas especiais e todo o aparato para uma adoração exterior, como era no Velho Testamento. Cristo sofreu fora do arraial – o sistema religioso judaico – e por esta razão a Palavra nos exorta a sairmos a Cristo fora do arraial – [N.do R.: “Saiamos pois a Ele fora do arraial, levando Seu vitupério”] (Hb 13:10-15). As palavras dirigidas aos crentes de Laodicéia, em Apocalipse 3:20, servem para cada um de nós hoje: o Senhor encontra-Se fora de todo o sistema religioso da Cristandade, a qual caminha a passos largos para a apostasia, e Ele bate à porta, dirigindo-se àqueles que querem antes escutar a voz do Senhor nas Escrituras, do que ser levados pelos costumes dos homens. “Se alguém ouvir a Minha voz…” (Ap 3:20).
M. Persona
