Origem: Revista Palavras de Edificação 44

Sacrifícios Cristãos

“Portanto ofereçamos sempre por Ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (Hb 13:15).

Quando o apóstolo Paulo escreveu aos crentes hebreus, diversos sacrifícios já haviam sido oferecidos a Deus por mais de 4.000 anos – desde o tempo de Abel até os dias de Paulo. Havia então ocorrido uma mudança e Paulo os instruía que o tempo para os tipos e sombras havia terminado, e que agora eles tinham sido trazidos para as “coisas que são melhores” (Hb 6:9 – ARA). Eles deveriam agora adorar a Deus pelo Espírito e na presença de Deus “além do véu” (Hb 6:19 – ARA). A gordura de carneiros e o sangue de bodes, ou qualquer uma das variadas oferendas ordenadas sob a dispensação mosaica, não eram oferendas adequadas a Cristãos.

A pergunta que poderia muito bem ocorrer a eles era: “Então não temos nada para oferecer? Não há nada para nós apresentarmos a Deus?” O apóstolo responde dizendo que eles haviam sido introduzidos àquele lugar melhor, onde tinham “um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo” (Hb 13:10). Aqueles que ainda ofereciam o sacrifício que apenas apontava para Cristo não tinham o direito de participar naquilo que era próprio e característico do Cristianismo. Aqui tudo o que é oferecido a Deus é fruto de Sua própria graça, e nada mais é do que o resultado de uma viva ligação com Cristo. “Pela fé” (Hb 11), as coisas velhas haviam verdadeiramente passado.

Assim, o apóstolo segue mencionando algumas coisas que são adequadas ao sacrifício Cristão. Sim, era-lhes permitido oferecer algo, mesmo que tivessem que abandonar o templo e todo o seu ritual. Era privilégio deles oferecer “a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (Hb 13:15). Nenhum templo era necessário para oferecer esse sacrifício, e tampouco isso era limitado a certos dias de festa, era para ser oferecido “a Deus”, e era para ser “sempre” [N.do R.: “continuamente” – KJV/JND; “constantemente” – TB]. Obviamente, apenas aqueles que fossem filhos de Deus e habitados pelo Espírito seriam capazes de apresentar tais sacrifícios. Isso é de acordo com um versículo em Efésios 5: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais: cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Ef 5:19) (Veja também Cl 3:16).

Vemos algo do caráter do presente sacrifício de louvor, no leproso curado em Lucas 17; ele foi enviado ao templo e aos seus sacerdotes onde deveria oferecer suas dádivas, mas ao ser curado ele teve um vislumbre das glórias da Pessoa que o curou, e, prontamente voltou suas costas a todo o sistema terreno de adoração para voltar-se ao Senhor Jesus, onde “caiu aos Seus pés, com o rosto em terra, dando-Lhe graças” (Lc 17:16). Ele encontrou no Senhor Jesus alguém que era “maior do que o templo” (Mt 12:6), mas isso foi somente discernido pela fé. O homem natural volta-se instintivamente para as formas exteriores e para as cerimônias em busca de seu padrão de adoração.

Portanto, em meio às bênçãos que vêm de Deus, ao dar Ele a um homem e à sua esposa um lar aqui neste mundo, onde nosso Senhor não tinha nenhum, é importante que exista o espírito de louvor nesse lar. A epístola de Tiago nos lembra que se estivermos aflitos devemos orar, mas se estivermos alegres, devemos cantar salmos [N.do R.: “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores (salmos – JND) (Tg 5:13)]. Em outras palavras, temos que receber tudo o que vêm de Deus e dar tudo a Deus. Desta forma, as bênçãos não removem o Abençoador do lugar que Lhe é devido em nossos pensamentos, pois, O reconhecemos e rendemos graças a Ele. Um lar Cristão onde o Senhor e as coisas que são d’Ele são desfrutados, frequentemente ressoará com cânticos de louvor.

Que isso seja algo mais característico de nossos lares, pois esses “sacrifícios espirituais” são “agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5). O louvor e a gratidão do leproso curado, não foram coisas preciosas e agradáveis ao Senhor Jesus? Certamente que foram! E somos assegurados pela Palavra de Deus que nossas palavras e cânticos de louvor são agradáveis a Ele. Que privilégio o nosso! e quão vastamente superior àquele dos judeus da antiguidade.

O apóstolo continua: “E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus Se agrada” (Hb 13:16). Aqui estão mais duas formas de sacrifício que um Cristão pode, e deve, oferecer a Deus. O Cristão deve fazer o bem. Isto cobre uma variada gama de coisas, pois ele pode fazer o bem de diversos modos. Ele deve fazer o “bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl 6:10). Poderá ser ajudando a um doente que necessite de assistência – tanto um que pertença ao Senhor, como, talvez, um incrédulo a quem podemos ter oportunidade de testemunhar por Cristo. Não vamos nos estender nas grandes possibilidades que esta agradável forma de sacrifício oferece. Que possamos ter os ouvidos atentos para ouvi-Lo nos dirigir nos caminhos e lugares onde possamos servi-Lo. Talvez ninguém mais fique sabendo, além daquele que foi ajudado e o Senhor. Mas isto é muito melhor, pois então nosso traiçoeiro coração não terá oportunidade de se gloriar nisso.

Por sua ordem, vem então a palavra “não vos esqueçais dacomunicação”, isto é, distribuir nosso dinheiro e bens a outros, pois isso também é agradável ao Senhor. Sabemos que o dízimo era exigido de Israel na antiguidade, isto é, dar a décima parte daquilo que ganhavam para o Senhor. Já não existe tal ordem dada aos Cristãos. Por que? Simplesmente porque não estamos agora sob a lei e sob os mandamentos para fazermos algo; estamos sob a graça e o Senhorio de Cristo. Tudo o que oferecemos a Deus de nossas coisas temporais devemos fazê-lo como sendo o extravasar de um coração transbordante, um coração que está desfrutando de tudo aquilo que a graça nos proveu. Quanto ao Senhorio de Cristo, devemos nos lembrar de que não somos mais de nós mesmos; nós – todos nós – pertencemos uns aos outros. O Senhor nos comprou e somos Seus. Um poeta expressou isto da seguinte maneira:

De tudo o que tenho ou terei, nada é meu,
Pois considero tudo como sendo de Quem me deu;
Meu coração, minha vida, futura e presente,
Pertencem a Ele e são d’Ele eternamente.

Davi disse a Deus: [N.do R.: “Porque quem sou eu?] “Porque tudo vem de Ti, e da Tua mão To damo”, quando ofereciam generosamente aquilo que seria para a construção do templo (1 Cr 29:14).

P. Wilson

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