Origem: Revista Palavras de Edificação 45
Esperando por Ele
Corremos grande risco, hoje em dia, de perder de vista esta bendita verdade da esperança primária dos santos. “(Porque andamos por fé e não por vista)” (2 Co 5:7), diz o apóstolo, mas invertemos a ordem de Deus, e, ai! com frequência acabamos andando por vista e não por fé. A doutrina da “vinda do Senhor” (1 Ts 4:15), é aceita, mas quantos santos estão vivendo – e contentes por viverem assim – em uma condição praticamente oposta àquela que caracterizava os santos em Tessalônica. Eles haviam se convertido dos ídolos “a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a Seu Filho” (1 Ts 1:9-10).
Antes que o Senhor deixasse os tristes discípulos, deu-lhes a promessa de que voltaria outra vez: “E, se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também” (Jo 14:3). Os discípulos estavam tristes porque o seu Senhor iria deixá-los, no entanto, o que foi que o Senhor lhes deu para os elevar acima de suas próprias tristezas? Deu-lhes a esperança de que Ele voltaria. Ele não os deixaria para sempre aqui no lugar de Sua rejeição – no mundo que havia rejeitado a Ele, seu Senhor e Mestre. Eles não poderiam esperar ser tratados melhor do que o seu Senhor. “Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós” (Jo 15:20). E também, “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes Eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece” (Jo 15:19).
Se todas as suas esperanças e expectativas quanto Àquele por Quem haviam deixado tudo terminassem aqui, então eles teriam continuado entristecidos, mas o Senhor revelou-lhes uma outra coisa. E era que Ele não os havia deixado aqui para que seguissem da melhor maneira que pudessem, em um cenário onde tudo era contrário a eles, e o inimigo de suas almas estaria se opondo a cada passo. Se esse fosse o caso, teria sido uma situação bem lamentável. O Senhor lhes disse que era necessário que Ele os deixasse por algum tempo. “Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que Eu vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei” (Jo 16:7).
Pela ausência do Senhor somos realmente ganhadores, pois Ele nos deu bênçãos que nunca teríamos possuído se Ele tivesse permanecido com Seus discípulos neste mundo. Ele Se foi para preparar um lugar para nós na casa do Pai, e breve Ele virá outra vez para levar-nos para estar com Ele. Quando não sabemos, e Seu desejo é que estejamos esperando por Ele. Esta é nossa esperança – Ele vai voltar. Ele nos deu a Sua Palavra: “Virei outra vez” (Jo 14:3).
Há uma coisa que dará à alma um desejo mais profundo pela volta do Senhor, e isto é um conhecimento mais profundo d’Aquele que vai voltar. Quem é Aquele que está vindo? O que foi que Ele fez por nós? Ele é o Filho de Deus que deixou a glória que tinha com o Pai desde a eternidade. Ele a Si mesmo Se humilhou, tomou a forma de Servo, foi visto caminhando aqui como um homem, o manso e humilde Jesus do qual está registrado: “Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a Tua vontade” (Hb 10:7). Sua vida foi de perfeita e constante obediência à vontade de Deus. Ele poderia dizer de Si mesmo, e Ele era o único que poderia dizer: “Eu faço sempre o que Lhe agrada” (Jo 8:29). Esta mesma obediência à vontade de Seu Pai o fez descer até ao pó da morte (Sl 22:15).
Ele foi um homem perfeito, o único homem perfeito que já viveu nesta Terra. Ele era justo, mas sofreu por nós os injustos. Ele não conheceu pecado, mas foi feito pecado por nós. Na cruz, Ele sofreu por nós quando ofereceu a Si mesmo sem mácula a Deus, “levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1 Pe 2:24).
Agora podemos dizer, “em Quem temos a redenção pelo Seu sangue, a remissão das ofensas” (Ef 1:7). Temos liberdade e ousadia para entrar no santo dos santos pelo sangue de Jesus. Podemos encontrar nosso mais profundo gozo e prazer na presença de Deus, porque o Seu sangue nos limpou de todo pecado. E Ele não apenas nos deu tudo que tinha – tudo o que Ele possuía, mas, bendito seja o Seu nome, Ele deu-Se a Si mesmo. Poderia Ele dar mais? Impossível! Assim, Ele não somente atendeu à nossas necessidades, mas também glorificou a Deus, e nos trouxe à presença de Deus tão perfeito quanto Ele é em Si mesmo. Somos “santos e irrepreensíveis diante d’Ele” (Ef 1:4).
Ele está agora sentado em glória à destra da Majestade nas alturas, e está aguardando pelo momento quando Ele virá e nos levará para estar para sempre com Ele, para desfrutarmos de Sua glória. Ele não estará plenamente satisfeito até que estejamos desfrutando da Sua presença, até que estejamos onde Ele mesmo está. Ele está aguardando ali e nós estamos aguardando aqui até que escutemos aquele “alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus” (1 Ts 4:16). Então os mortos em Cristo ressuscitarão, e nós seremos transformados, quando nossos corpos de humilhação forem conformados ao Seu próprio corpo de glória, e quando desfrutarmos d’Ele e da plenitude do Seu amor para sempre.
Pela graça de Deus, possamos manter esta bendita esperança sempre e constantemente viva diante de nossa alma, e estar em viva associação e comunhão com Ele próprio, enquanto passsamos por este mundo, não como pertencendo ao mundo, mas como aquele separado para o Senhor que Se entregou a Si mesmo por nós. Que possamos estar tão ocupados com Ele para ficarmos real e verdadeiramente esperando por Ele, aguardando e almejando ouvir a Sua voz quando “isto que é mortal se revesta da imortalidade”, e for “tragada… a morte na vitória” (1 Co 15:53-54).
Que Ele nos preserve e nos guarde de estar, em qualquer grau, na condição daquele “mau servo” que diz em seu coração: “O meu Senhor tarde virá” (Mt 24:48). E que possamos estar sempre e constantemente vigiando e esperando por Ele.
“Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará” (Hb 10:37 – ARA).
