Origem: Revista Palavras de Edificação 46
Editorial
EXPECTATIVA é definida por alguns dicionários como uma esperança baseada em probabilidades. Para o cristão, porém, a expectativa quanto ao futuro está fundamentada no que Deus disse. A fé não precisa olhar para as circunstâncias, pois aceita a Palavra de Deus sem questionar.
Todavia, quando vemos a espantosa precisão das profecias bíblicas que já se cumpriram, sabemos que a probabilidade de acerto para as que ainda restam é de 100%! Um exemplo: Em Ezequiel 26:4-5 há uma profecia acerca de Tiro: ela seria destruída e suas muralhas se tornariam, no meio do mar, em enxugadouro de redes. A antiga Tiro era formada por uma cidade à beira mar e, defronte dela, uma ilha fortificada. Nabucodonosor destruiu a cidade, derrubando suas muralhas, porém não conseguiu invadir a ilha. Ainda não era o completo cumprimento da profecia; Tiro continuava a existir na ilha fortificada. Anos depois, Alexandre, o Grande, ordenou que se lançasse ao mar os restos das muralhas, formando um caminho pelo qual seu exército conseguiu alcançar a ilha e destruir a cidade fortificada. Hoje nada mais resta da antiga Tiro, a não ser os restos das muralhas que, no meio do mar, tornaram-se enxugadouro de redes para os pescadores de uma aldeia próxima. Cumpriu-se a profecia.
A precisão da palavra profética é ainda mais espantosa quando lemos acerca do Senhor no Salmo 22. Davi, escrevendo mais de 1000 anos antes do Calvário, dá detalhes impressionantes dos sofrimentos do Messias: Sua sede (v. 15), os malfeitores ao Seu lado, Suas mãos e pés traspassados (v. 16), Seus ossos mantidos intactos (v. 17), os soldados repartindo e sorteando suas roupas (v. 18), etc. Aliás, encontramos nos Salmos 22, 23 e 24 uma seqüência profética: o Senhor morre na cruz (Salmo 22), passa a cuidar dos Seus, como Pastor, enquanto está no céu (Salmo 23), e vem como “Rei da Glória” para reinar (Salmo 24).
A Igreja não aparece na profecia do Antigo Testamento. Depois que os judeus rejeitaram o seu Messias, Deus interrompeu temporariamente Seu relógio profético, e passou a reunir para Si um povo celestial, a Igreja. A qualquer momento Cristo virá nos arrebatar para levar-nos ao céu, nosso destino final. É esta a nossa expectativa presente. Então os ponteiros proféticos retomarão seu curso, dando início a um período de sete anos, na metade do qual Satanás será lançado na Terra. É a grande tribulação. Muitos judeus, que não escutaram o evangelho no período da igreja, se converterão formando um remanescente fiel. O evangelho do reino será então pregado por todo o mundo e muitos gentios também o aceitarão. O remanescente fiel será perseguido, e muitos serão martirizados. Então Cristo voltará do céu com Seus anjos e santos (nós que subimos no arrebatamento) para reinar por mil anos. Nesse período Satanás estará preso e Israel habitará na Terra desfrutando do cumprimento de todas as promessas que encontramos no Antigo Testamento. Quanto a nós, estaremos reinando juntamente com Cristo.
No final dos mil anos, Satanás será solto por um tempo e serão revelados os que não eram genuínos dentre os habitantes da Terra. Haverá então o juízo descrito em Apocalipse 20:11-15. Quando tudo tiver se cumprido, haverá novos céus e nova Terra, onde estarão, respectivamente, o povo celestial e o povo terreno de Deus. “A Palavra que falei se cumprirá, diz o Senhor Jeová.” (Ez 12:28).
Em tudo isso, há uma expectativa feliz para o crente, mas, para o que não crê, resta apenas “uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo” (Hb 10:27). Qual é a sua expectativa, leitor?
M. Persona
