Origem: Revista Palavras de Edificação 5
O Triunfo do Crucificado
O mundo crucificou o “Senhor da glória” (1 Co 2:8) que veio com toda a humildade e com todo o amor, apresentando-Se como o Salvador dos pecadores. Mas a atitude do mundo não mudou, o mínimo que fosse, pois se o Senhor Jesus tornasse a vir, manso e humilde, os judeus e toda a gente, fosse quem fosse, tornariam a crucificá-Lo.
Mas por outro lado: Como é que o Senhor Jesus vai voltar realmente? “Com poder e grande glória” (Mt 24:30). Leiamos então Apocalipse 19:11-21: “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco: e o que estava assentado sobre ele chama-Se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça” (v.11). De Apocalipse 3:7-14, reconhecemos Quem é o “Fiel e Verdadeiro”: é o Senhor Jesus Cristo! O céu abrir-se-á e Ele sairá como grande Vencedor, montado num cavalo branco. Isto é uma figura; não se trata de algo que tomamos literalmente. Um “cavalo branco” significa poder vitorioso.
Ele não fará uma guerra injustamente, por desejo de conquista, mas há de julgar inteligente e justamente, e pelejará. “E os Seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a Sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão Ele mesmo” (v.12). Em Apocalipse 1:14 e 2:18 reconhecemos Quem tem “olhos como chama de fogo”, é o Senhor Jesus Cristo que sabe tudo o que se passa nas igrejas, e que tudo sabe com um perfeito discernimento. Levará muitos diademas: quer dizer que terá um governo supremo sobre todas as nações, pois que é digno disso. O dragão vai ostentar sete diademas, e a besta dez, usurpando os direitos que o Senhor Jesus tem à autoridade suprema. Mas Ele terá muitos diademas. Há chefes religiosos que fazem gala até de “triplas” coroas, mas quem são eles? (Is 2:22).
Os remidos do Senhor levarão coroas, emblemas da sua dignidade real, e galardões pela sua fidelidade (Ap 3:11; 4:4).
“Um Nome escrito” que ninguém conhece, faz-nos pensar também no que o Senhor disse: “Tudo por Meu Pai Me foi entregue; e ninguém conhece Quem é o Filho senão o Pai” (Lc 10:22). Não há criatura que possa compreender o grande mistério da Sua Pessoa.
“E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o Nome pelo qual Se chama é a Palavra de Deus [o Verbo de Deus – JND]“ (v.13). Esse sangue não é o Seu próprio sangue, mas o dos Seus inimigos. Ele é “o Verbo” (Jo 1:1), a cabal expressão do que Deus é no Seu ser, caráter e obras. Ele é “Palavra da Vida [o Verbo da vida – JND]” (1 Jo 1:1). Sendo a Sua Pessoa e caminhos a personificação d’Ele. Ele é chamado o Verbo de Deus.
“E seguiam-No os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro” (v.14). Esses exércitos não são de anjos, mas sim dos remidos do Senhor. No versículo 8 do nosso capítulo lemos que o “linho fino são as justiças dos santos” e representam tudo quanto eles fizeram que foi aprovado perante o tribunal de Cristo (1 Co 3:13-14; 2 Co 5:10). Eles estão montados em cavalos brancos. A vitória de Cristo é a deles também; o triunfo de Cristo também é o deles (Jd 1:14).
“E de Sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e Ele as regerá com vara de ferro; e Ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no vestido e na Sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (vs.15-16). Os exércitos celestiais não têm necessidade de armas; o Seu chefe, “o Verbo de Deus”, terá apenas uma: a Sua Palavra viva. “E ferirá a Terra com a vara da Sua boca, e com o sopro dos Seus lábios matará o ímpio” (Is 11:4). Ele será o executor dos juízos, terríveis ao máximo, do Deus Todo-Poderoso. Aquele Nome, no vestido e na Sua coxa, proclama que Ele é o verdadeiro Soberano de todos os Reis e Senhor de todas as outras potestades.
“E vi um anjo, que estava no Sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do grande Deus; para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos homens, livres e servos, pequenos e grandes” (vs.17-18). Antes da súbita matança dos vastos exércitos dos reis, por meio da Palavra absolutamente poderosa do Filho de Deus, o anjo que está parado no Sol, figurativamente no centro da autoridade governamental, convida todas as aves de rapina a comerem das carnes de todos esses exércitos.
“E vi a besta, e os reis da Terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra Àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao Seu exército” (v.19). Como é insensato o homem, orgulhoso e inimigo do Senhor Jesus Cristo, em se levantar para pelejar contra o seu próprio Criador. Isso é o cúmulo! A besta é a mesma de Apocalipse 13:1-8 e 17:3,7-17. Representa o império romano, reforçado com dez reis que darão a sua força e autoridade ao imperador, o qual também corresponde à “Besta”.
“E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” (vs.20-21). “A besta”, quer dizer: o imperador, cujo trono se estabelecerá em Roma, “…e o falso profeta”, quer dizer: o Anticristo, cujo trono estará em Jerusalém, serão presos em plenas funções e lançados, sem aviso prévio, no “lago de fogo”. Mil anos depois ainda lá estarão (Ap 20:10). Com a espada da Sua boca, quer dizer: a Sua Palavra poderosa, “o Verbo de Deus” acabará num instante com as forças inimigas. Quando os assírios atacaram Jerusalém, “…saiu o anjo do Senhor, e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil; e quando se levantaram os de Jerusalém pela manhã cedo, eis que todos eram corpos mortos” (Is 37:36). Mas o Senhor mesmo acabará, num momento, com os milhões dos Seus inimigos.
Quando tudo isso suceder, então se cumprirá o que foi profetizado no Salmo 2, escrito há 3.000 anos antes dos acontecimentos. O Crucificado triunfará, e empunhará o cetro da Justiça!
