Origem: Revista Palavras de Edificação 6

Sobre O Livro Dos Atos Dos Apóstolos

(continuação do número anterior)

Capítulo 26

“Depois Agripa disse a Paulo: Permite-se-te que te defendas. Então Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja hoje de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus; mormente sabendo eu que tens conhecimento de todos os costumes e questões que há entre os judeus; pelo que te rogo que me ouças com paciência” (v.1-3).

“A minha vida, pois, desde a mocidade, qual haja sido, desde o princípio, em Jerusalém, entre os da minha nação, todos os judeus a sabem. Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu. E agora pela esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais estou aqui e sou julgado. À qual as nossas doze tribos esperam chegar, servindo a Deus continuamente, noite e dia. Por esta esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado pelos judeus. Pois quê? Julga-se coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos? (vs.4-8).

Paulo sustentado na sua mente pelo seu bendito Senhor Jesus, pôde dirigir-se com calma ao rei Agripa, reconhecer a competência deste como autoridade que era, e dar-lhe uma síntese da sua vida antes de se converter. E foi logo diretamente ao centro da questão: a Ressurreição – Deus ressuscita os mortos! E depois continuou o seu discurso, falando do encontro inesperado que tivera com o Senhor.

“Bem tinha eu imaginado que contra o Nome de Jesus nazareno devia eu praticar muitos atos; o que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido poder dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui. Sobre o que, indo então a Damasco, com poder e comissão dos principais dos sacerdotes, ao meio dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava, e em língua hebraica dizia: Saulo, Saulo, porque Me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. E disse eu: Quem és, Senhor? E Ele respondeu: Eu sou Jesus, a Quem tu persegues” (vs.9-15).

Saulo, enfim detido nessa correria louca de perseguição contra Jesus, e os Seus santos, viu subitamente a glória eterna do Senhor Jesus, que sobressaia infinitamente à glória natural do Sol, e caiu em terra e ouviu a pergunta direta dirigida a si mesmo. Deu-se conta nesse mesmo instante que Deus lhe falava, e reconheceu-O como “Senhor”, mas queria certificar-se da sua identificação. E logo recebeu a revelação mais extraordinária da sua vida.

“Eu sou Jesus, a Quem tu persegues” (v.15). Em um momento Saulo ficou extremamente surpreendido, humilhado e rendido Aquele Jesus a Quem ele tinha perseguido nas pessoas dos Seus santos. Era o Senhor da glória!

“Mas levanta-te e põe-te sobre os teus pés, porque Te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais Te aparecerei ainda; livrando-te deste povo, e dos gentios, a quem agora Te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus: a fim de que recebam a remissão dos pecados, e sorte entre os santificados pela fé em Mim” (vs.16-18).

Aqui está a grande missão dada pelo Senhor ao “principal” dos pecadores – “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores; dos quais eu sou o principal” (1 Tm 1:15).

Foi enviado “aos gentios” (At 22:21) para que:

  1. lhes abrisse os olhos,
  2. convertessem das trevas à luz e
  3. do poder de Satanás a Deus
  4. e que recebessem pela fé n’Ele, a remissão dos pecados e
  5. sorte (quer dizer: herança) entre os santificados.

Que golpe dirigido, (ainda que indiretamente) por Paulo a todos, o rei e sua esposa, Festo e as outras autoridades da cidade, que estavam presentes. Todos acusados de terem estado cegos, nas trevas e sob o poder de Satanás!

“Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço, dando testemunho tanto a pequenos como a grandes não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer” (vs.19-23).

Paulo sempre dava testemunho: “tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20:21). E na sua defesa perante o rei Agripa fez o mesmo. Desde logo esse e os outros ouvintes se tornaram responsáveis perante Deus por ter ouvido a pregação do Evangelho. Veremos, possivelmente, um ou mais de entre eles quando Cristo vier para arrebatar, do mundo e dos sepulcros, aqueles que são Seus.

Logo que Paulo se pôs a falar de ressurreição, e da de Cristo em particular, e da dos mortos em geral, Festo interrompeu-o.

“E, dizendo ele isto em sua defesa, disse Festo em alta voz: Estás louco, Paulo: as muitas letras te fazem delirar. Mas ele disse: Não deliro, ó potentíssimo Festo; antes digo palavras de verdade e de um são juízo. Porque o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas, pois não creio que nada disto lhe é oculto; porque isto não se fez em qualquer canto. Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Bem sei que crês” (vs.24-27).

Sem dúvida que, Paulo, sabia bastante das relações do rei Agripa com os judeus antes de ter chegado a ser rei desse setor do império romano. Paulo, sabia que ele não ignorava o que sucedera a Jesus, e que tinha algum conhecimento da mensagem profética, sobre a morte e ressurreição de Cristo.

De outra maneira, não teria podido dirigir-se tão direta e francamente ao rei: “Crês tu nos profetas? Bem sei que crês”.

Aqui Paulo não é um vencido, mas um vencedor; não é um prisioneiro, mas um homem livre por Cristo, não medroso, na presença de um tribunal romano, mas plenamente inspirado pelo Espírito Santo e avisando a consciência do próprio rei, que se encontrava perturbado.

“E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão! (v.28).

Note-se que o escritor, inspirado por Deus, não escreveu, nesta frase, “o rei Agripa”, mas apenas que: “Agripa disse a Paulo. Perante os olhos do Criador, Agripa não era mais do que um mero “homem”. “Deixai-vos pois do homem cujo fôlego está no seu nariz; porque em que se deve ele estimar? (Is 2:22). A resposta de Agripa indica uma consciência perturbada, mas não mostra arrependimento. Por outro lado Paulo afirma com convicção:

“E disse Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não somente tu, mas também todos quantos hoje me estão ouvindo se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias” (v.29).

Foi com ênfase que fez saber a Agripa, e aos outros, que ele era um homem feliz, e os outros é que eram infelizes. Essa foi a última palavra. Uma boa confissão, na verdade!

“E, dizendo ele isto, se levantou o rei, e o presidente, e Berenice, e os que com eles estavam sentados. E apartando-se dali, falavam uns com os outros, dizendo: Este homem nada fez digno de morte ou de prisões. E Agripa disse a Festo: Bem podia soltar-se este homem, se não houvera apelado para César” (vs.30-32).

Quando o Senhor enviou Ananias para falar com Saulo de Tarso disse-lhe: “Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu Nome diante dos gentios, e dos reis” (At 9:15).

Aquele a quem Paulo vai seguidamente dar testemunho de Cristo (depois de Agripa) será o próprio imperador do império mais poderoso da história humana: César, de Roma.

(continua, querendo Deus)

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