Origem: Revista Palavras de Edificação 8
Sobre o Evangelho de Mateus
(continuação do número anterior)
Capítulo 6:1-13
Como vimos anteriormente, os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus apresentam os princípios enunciados pelo Senhor Jesus a respeito do Seu reino, princípios esses que põe bem a claro que o caráter do reino de Cristo nada tem de semelhante com os reinos dos homens.
“Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando pois deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola seja dada ocultamente; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente” (vs.1-4). Evidentemente que não convém ao crente que seja a glória humana, a vaidade e o prestígio, que o levem a fazer obras boas e de justiça. Mas antes, se o fizer, que seja unicamente para a glória do seu Bendito Deus e Criador e seu Redentor, tal como lemos também em Mateus 5:16 “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.
“E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e fechando a tua porta ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis pois a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós Lho pedirdes” (vs.5-8). Realmente não é bom que se manifeste o orgulho humano no Cristão. Ele deve antes orar recolhidamente e com discrição ao seu Pai, O qual também o “vê em oculto”, quer dizer, não de forma aparente e visível. Além disso, não convém orar Àquele que tudo sabe e conhece de uma forma muito longa e com muitas repetições. Porque Ele, que nos conhece, já sabe de antemão o que sairá dos nossos lábios.
“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu Nome; venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na Terra como no céu; O pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; e não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque Teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” (vs.9-13). Consideremos um pouco este modelo de oração, vulgarmente chamado o “Pai nosso”. Esta oração não é feita em nome de Cristo (Jo 14:13-14; 16:23-24). Foi ensinada pelo Senhor Jesus aos Seus, quando esperava o estabelecimento do Seu reino neste mundo, com sede em Jerusalém, “a cidade do grande Rei” (Sl 48:2).
É muito importante notar que “a Igreja” ainda não tinha sido anunciada como tal e muito menos existia. Ela era o “mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus” (Ef 3:9). Por isso, o “Pai nosso” não é propriamente uma oração Cristã baseada em esperanças celestiais, divinas, mas antes solicita o estabelecimento do reino de Deus aqui embaixo, neste mundo: “venha o Teu Reino” (v.10).
Contudo, o Cristão deve orar assim: “Ora vem, Senhor Jesus”. O Cristão deve pedir: “Tira-nos deste mundo que está na maldade” (Jd 1:21; Ap 3:10; 22:20).
“Seja feita a Tua vontade, …na Terra” (v.10).
Tal como, nos dias de Noé, hoje em dia a Terra está cheia de violência e de corrupção. Para que a vontade de Deus se faça na Terra, primeiro Ele terá que a julgar; e o Juiz será o Senhor Jesus, porque “o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo” (Jo 5:22).
Como podemos então pedir julgamento sobre a Terra, quando a Palavra de Deus diz: “Rogamo-vos pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” (2 Co 5:20)? É porque hoje, ainda estamos na “dispensação da graça de Deus” (Ef 3:2).
“O pão nosso de cada dia nos dá hoje” (v.11). É um pedido; mas para Ele o Cristão já possui uma promessa: “O meu Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4:19).
“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (v.12). A medida do perdão esperado por Deus é aquela que se oferece ao próximo, ou seja, numa base de reciprocidade. Mas o perdão “judicial” de Deus, outorgado ao pecador arrependido, não depende do passado do pecador; ele é perdoado inteiramente: “perdoando-vos todas as ofensas” (Cl 2:13). E depois, o filho de Deus, agradecido, há de mostrar a sua nova natureza e perdoar ao próximo. E não só ao próximo como até ao seu inimigo.
“Não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal” (v.13).
Sendo a “carne” fraca, convém que o crente ore, pedindo a Deus que o guie em santidade, e o guarde puro, e fiel à verdade.
A “carne” é o inimigo de dentro, por assim dizer; mas há os inimigos exteriores: “…rogai; …para que sejamos livres de homens dissolutos e maus” (2 Ts 3:1-2).
(continua, querendo deus)
