Origem: Revista O Cristão – Adão e Cristo
O Primeiro Homem Está Sob Juízo
Aprendemos o que a cruz do Senhor Jesus efetuou quando aprendemos que ela resolveu eternamente para Deus a questão do pecado e dos pecados. Ela resolveu essas duas coisas, e é mais importante ver como ambas foram resolvidas. Temos o perdão de nossos pecados na obra da cruz, mas a natureza que os cometeu, o pecado, nunca é perdoada. Foi eternamente colocada por Deus sob juízo.
Dois homens
Agora, para tornar isso simples ao nosso entendimento, a Palavra de Deus considera o Cristão como se ele fosse dois homens. Ele é solenemente avisado e exortado a nunca agir como um, enquanto repetidamente é encorajado a agir como o outro. Quando o apóstolo diz: “Já estou crucificado com Cristo”, ele está contemplando o julgamento de Deus registrado na cruz quanto ao primeiro homem e falando de si mesmo como esse homem. Quando ele diz: “e vivo, não mais eu”, é o novo homem, ou o poder da vida de Cristo diariamente exibido nele. A diferença é imensa. Quanto ao primeiro homem, que sempre é controlado pela natureza má, esse homem está sob o juízo de Deus e nunca está em nenhum outro lugar na conta de Deus. Quanto ao novo homem, “criado em verdadeira justiça e santidade” e “criados… para boas obras” (Ef 4:24; 2:10), para ele morte e juízo não têm nada a dizer.
É dito isso ao crente porque ele ainda tem a velha natureza dentro de si, assim como a nova, e toda ação de sua vida vem de uma ou de outra delas. Se nos referirmos a 1 Coríntios 3:3, lemos: “não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens?” Andar “como homens” é uma censura, porque está andando de acordo com a velha natureza. Por isso, lemos: “E digo isto e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios” (Ef 4:17). Por outro lado, quando somos tratados como tendo uma nova natureza, lemos: “Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5:16).
O primeiro homem está sob juízo
Confessar em nossa vida cotidiana que a cruz de Cristo tirou nossos pecados e também colocou definitivamente o velho homem sob juízo é uma doutrina fundamental, sem a qual não pode haver nenhum progresso verdadeiro na vida divina. É a segunda parte dessa verdade que corta a raiz de tudo o que não é de Cristo, mas, graças a Deus, também me separa definitivamente do mundo, para que eu ande como Cristo andou nele. Aceitamos muito mais facilmente o fato de que na cruz temos o perdão dos pecados, do que na cruz também temos o julgamento do pecado – a natureza do primeiro homem. Ambos são verdadeiros, e ambos juntos constituem aquilo que aquele que se chama “Cristão” professa crer, por mais que ele possa não chegar a julgar o primeiro homem de forma pratica.
Quem é o homem contra quem Deus definitivamente registrou Seu juízo? É o homem que está tentando “progredir” no mundo, tentando estabelecer aqui o seu descanso, onde o pecado contamina tudo. Não se importa com quem seja abatido; seu único esforço é elevar-se e pisar sobre quem ele puder. Ora, Deus determinou nunca mais levantar esse homem. Por mais que eu me esforce, tenho Deus contra mim, quando tento estabelecer esse homem na Terra. Ao fazer isso, estou lutando contra Deus.
O Segundo Homem
Quanto ao Segundo Homem, Deus O Estabelecerá aqui em poder e glória sobre todas as coisas (Ef 1:9-10). Alguém pode ser rejeitado hoje e aceitar alegremente a espoliação de seus bens sem resistir, pois essa é a vontade de Deus para quem segue o caminho de Cristo. “Ser como o lixo deste mundo e como a escória de todos” pode ser a opinião do mundo quanto aquele que está disposto a ser considerado um louco por causa de Cristo (1 Co 3:18), porém “o conselho do Senhor permanecerá” (Pv 19:21). “Mas agora ainda não vemos que todas as coisas Lhe estejam sujeitas; Vemos, porém, coroado de glória e de honra Aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte” – uma prova do que Deus ainda realizará por Ele. E quanto ao mundo, “o mundo passa, e a sua concupiscência”. Que o Espírito nos instrua cada vez mais no fato de que a velha natureza do primeiro homem é, na cruz, definitivamente colocada sob o juízo de Deus e nunca libertada de lá.
