Origem: Revista O Cristão – O Propósito de Deus para a Igreja
A Esposa do Cordeiro
Desejo apresentar a vocês um pouco sobre “a noiva, a esposa do Cordeiro”, como demonstrado na glória milenar. Deus age sobre nossa alma por Sua verdade dessa maneira. Ele traz a glória futura diante de nós como uma realidade prática presente em seu poder santificador; Ele nos revela a glória preparada para nós desde a eternidade, um campo sem limites de alegria sem fim; Ele nos aponta para Aquele que subiu ao alto, o centro de tudo, Aquele que pode preencher os afetos de nosso coração como o único Objeto digno deles – Cristo, a Quem conhecemos aqui abaixo em fraqueza e tristeza, o centro daquela cena de luz e bem-aventurança. Ele toma as coisas da glória de Cristo e as coloca diante de nós agora que podemos viver nelas – viver no amor do Pai e no amor de Cristo que excede todo o entendimento. Assim, Ele revela a glória, para que nosso coração seja levado para ela e para que ela tenha seu próprio efeito santificador sobre nós.
A glória pessoal da noiva
Apocalipse 21:9‑27 nos dá a descrição da exibição milenar da noiva para o mundo. A noiva, a esposa do Cordeiro, é vista em sua glória pessoal. E o que é tão digno de nota e uma bênção para nossa alma é que toda a obra santificadora que Cristo está realizando agora em Seus santos será manifestada, e o resultado será visto na glória como aqui ilustrada. Lemos que “Cristo amou a Igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela Palavra, para a apresentar a Si mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5:25-27). Que motivo, então, para nos entregarmos a Ele, para que Sua graça não seja impedida! Ele santifica pela ação da Palavra; Ele revela tudo o que impede a comunhão Consigo mesmo naquela cena brilhante; Ele Se revela e Se manifesta ao coração de Seus santos – para desapegá-los dessa cena e encher o coração deles Consigo mesmo. Então, Ele apresentará a Sua Igreja gloriosa a Si mesmo, sem mácula, nem rugas da velhice – nem um traço da cena pela qual ela passou – a Eva celestial do último Adão para o paraíso de Deus!
Nesta demonstração de glória, o que Cristo foi pessoalmente e o que a Igreja glorificada será, ao manifestar as glórias do Cordeiro – tudo isso aparece nesta cena.
A demonstração da glória de Deus
“E tinha a glória de Deus” (Ap 21:11). Uma coisa deve nos atingir à força: É o quanto a glória de Deus está entrelaçada com a descrição da cidade celestial. Você tem isso tanto em palavras literais quanto em figuras. Você a encontra nas fundações da cidade, em seus muros, em sua luz interior e em sua aparência exterior: Tudo é glória. Ela sustenta, envolve, demonstra e ilumina toda a cena. A glória de Deus envolveu os santos, e eles habitam na glória de Deus. Sem dúvida, é sua manifestação milenar; ainda assim, confere caráter à Igreja, que mesmo agora ela está colocada neste mundo para mostrar a ele os traços morais dessa glória. “A glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada”.
Aqui ela é vista, na perfeição da glória dada de Cristo, como correspondendo a todo o caráter dela. Ela é a demonstração da glória na Terra milenar. Ela não desce à Terra, mas lança a luz dessa glória sobre Jerusalém abaixo. Como Jerusalém celestial, a Igreja ainda mantém seu caráter como a manifestação de graça; como Jerusalém abaixo será o centro do governo terrenal naquele dia.
Um grande e alto monte é a plataforma a partir da qual se pode contemplar esta Jerusalém celestial, a noiva, “que de Deus descia do céu”. Ela é trazida abaixo para que a Terra possa ver sua glória, a glória de Deus manifestada nela.
A perfeita manifestação de Cristo
Em João 17, ele diz: “a glória que a Mim Me deste, para que sejam um, como Nós somos um. Eu neles, e Tu em Mim”. É Cristo neles tão perfeitamente manifestado, como o Pai estava n’Ele. O Senhor Jesus Se volta para o dia de glória que está diante de nós. Assim, Ele pode falar sobre o fato de termos sido “aperfeiçoados em um” (TB) e “para que o mundo conheça”. Ora, nós deveríamos ter andado de maneira que o mundo pudesse ter crido, mas, infelizmente, temos falhado em manifestar Cristo ao mundo. Em que graça infinita Ele nos leva ao dia em que não haverá mais fracassos, mas Ele será perfeitamente manifestado em nós, “para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim” quando o mundo vir vocês, meus irmãos, e todos os seus santos na mesma glória que o Filho de Deus – “e que os tens amado a eles como Me tens amado a Mim”.
Esta cidade tem a glória de Deus: “E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente” (Ap 21:11). Este é um símbolo usado para a glória de Deus (Ap 4:3). Ela tem a glória “de Deus” e, no entanto, é chamada “a sua luz” (Ap 21:11). Deus produziu as graças de Cristo nos santos aqui – e o fez por pura graça – e, ainda assim, Ele as atribuiu a eles. Você deseja que as graças e a mente de Cristo possam ser reproduzidas em você. Bem, aquelas que são atribuídas como suas, embora Sua graça as tenha feito, como no capítulo 19:8, para Sua esposa “foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente” e é dito que “o linho fino são as justiças dos santos”, embora todas sejam absolutamente a produção de Sua própria graça nela. O que Ele era sobre a Terra, o que Ele produz em Seu povo e o que Ele manifesta em glória, tudo é visto.
Você deve se lembrar que Efésios 2:7 diz que Deus manifestará, por meio da Igreja, “nos séculos vindouros as abundantes riquezas da Sua graça pela Sua benignidade para conosco em Cristo Jesus”. Não é possível medir, por padrões humanos, aquilo pelo qual Deus revela e manifesta, por toda a eternidade, a plena extensão das riquezas de Sua graça, em Sua bondade para conosco.
A glória de Deus é a fundação, a segurança, a estabilidade e a luz da cidade celestial. Oh, como o coração adora ao contemplar tal cena! Sua glória envolve Seu povo por todos os lados.
“A praça da cidade de ouro puro, como vidro transparente”. O ouro é a justiça divina e o vidro transparente representa a pureza fixa e transparente da verdade. Assim, a própria cidade apresenta, neste maravilhoso símbolo, aquilo que Cristo era em Si mesmo e aquilo que o “novo homem”, o qual, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade.
Sua pérola de grande valor
“As doze portas eram doze pérolas”. Aqui um belo pensamento encontra sua expressão. Nele se vê a beleza e a formosura moral que atraíram o coração de Cristo na Igreja e pelas quais Ele vai e “vende tudo o que tem”. Interiormente, descobrimos que a cidade é “ouro puro, como vidro transparente”; exteriormente, a beleza moral da pérola. Cada portão mostrava isso. O mesmo acontece com o próprio Senhor, pessoalmente, e também com o Cristão que se revestiu “do novo homem” onde “Cristo é tudo” e, externamente, o efeito é que as características humildes de Sua graça são produzidas, e assim, com a Igreja coletivamente, para que Cristo seja plenamente exibido de acordo com o pensamento de Deus, e o que será visto em plena exibição quando Ele vier “para ser glorificado nos Seus santos, e para Se fazer admirável naquele dia em todos os que creem”.
Então a descrição continua: “E nela não vi templo”. Por que isso? Porque adoração é tudo o que está aqui; caracteriza a cena. “E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro”. A cidade inteira é o santuário de Sua presença.
“E a cidade não necessita de Sol nem de Lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada”. É a luz disso. Mesmo agora, se há luz em nosso coração, é a luz dessa glória brilhando na face de Jesus. Toda a glória de Deus resplandece concentrada naquele rosto, e nós o contemplamos sem véu e em paz; e mais ainda, o fato de ela resplandecer na face d’Aquele que Se entregou por mim me faz estar ocupado com a glória assim revelada. Assim será para sempre.
“As nações… andarão à sua luz”. Ali Cristo é visto nos santos, que são o esplendor de Sua glória para as nações abaixo.
Deus nos revela essa cena na qual as glórias do Cordeiro habitam, para animar e encher nosso coração com seu poder santificador presente e para nos dar uma estimativa mais verdadeira de qual é a excelência da nossa vocação, pois vemos agora tudo aquilo que é tornado real para a fé e que, então, no poder do Espírito Santo, será levado ao pleno resultado em glória.
