Origem: Revista O Cristão – As Sete Declarações do Senhor na Cruz Parte 1
Um Ladrão Condenado à Morte
Durante as primeiras três horas em que Ele esteve na cruz, nosso Senhor ouviu o ladrão arrependido. Se tivéssemos apenas a Sua comunicação ao ladrão, separada de tudo o mais, a graça que Ele mostrou ao ladrão certamente teria alcançado nosso coração; mas lendo-a em estreita conexão com a Sua oração ao Seu Pai, o seu valor é aumentado. Ele havia avaliado corretamente a medida do pecado daqueles que então se levantaram contra Ele, entre os quais deve ser incluído o ladrão, agora arrependido, mas até então um difamador, e por isso, assim como por seus atos ilegais, ele precisava do perdão divino. Um troféu da graça, quando os principais sacerdotes e o povo ainda zombavam do Senhor, e o outro ladrão O insultava, ele se destacou diante de todos, nas próprias agonias da morte, como um discípulo d’Aquele crucificado e rejeitado ao seu lado. Ele repreendeu seu companheiro, reconheceu a justiça da sentença em relação a eles, mas justificou plenamente o Senhor. “Recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas Este nenhum mal fez”. E voltando-se para Ele, reconheceu-O como o Único que tinha um reino na Terra, do qual a morte jamais poderia privá-Lo. “Lembra-Te de mim, Senhor, quando vieres em Teu reino” (Lc 23:42 – JND).
Declarações na cruz
Que palavras foram ditas naquele dia na cruz? O Senhor intercedeu por Seus perseguidores, e o ladrão condenado à morte reconheceu seu pecado, mas desejava ser lembrado pelo Rei em Seu reino. Se fosse inocente, tais palavras seriam naturais, mas, sendo culpado, devem ter soado estranhas a qualquer um que as ouvisse, pois, na presença de seu futuro Juiz, ele não teve medo de confessar sua culpa, nem desejava que ela ficasse no merecido esquecimento. Quão completamente à vontade ele estava com o Senhor, de Quem naturalmente tinha todos os motivos para temer. Ele era um pecador, e reconhecia isso. Onde, então, estava a oferta pelo pecado que, segundo a lei, ele deveria ter oferecido para ter seus pecados perdoados? Não temos qualquer indício de que ele tenha pensado nisso, e, dadas as circunstâncias, um sacrifício era impossível; pois ele não poderia ter levado a oferta ao altar, nem colocado a mão sobre ela. E ninguém poderia realizar esse serviço em seu lugar. A própria mão do pecador deveria ser colocada sobre a cabeça da vítima. Havia, porém, algo no Senhor que dava ao ladrão uma confiança ilimitada em Sua presença. Ele não pediu que algum sacrifício fosse oferecido em seu favor; sua oração nos diz que ele não sentiu necessidade disso, e a resposta do Senhor nos mostra que não havia essa necessidade: “Lembra-te de mim, Senhor, quando vieres em Teu reino”, não para ele, mas nele – isto é, na pompa e no poder reais que pertencem Àquele que então era e ainda é o Rei. O ladrão aguardava um dia futuro, e, com certeza, essa oração será atendida. Mas o Senhor, em resposta, falou-lhe sobre o dia em que estavam: “Em verdade te digo que hoje estarás Comigo no paraíso”.
Nada havia sido feito pelo homem condenado à morte para se livrar de seus pecados. Na cruz, ele havia acrescentado aos pecados de sua vida passada, por haver insultado o Filho amado de Deus. Mas antes de dar seu último suspiro, e de fato imediatamente após pronunciar aquele pedido, foi-lhe feita a comunicação para dissipar para sempre todas as dúvidas sobre o futuro, pois o verdadeiro sacrifício estava sendo oferecido ao seu lado, e o efeito disso sobre ele o Senhor revelou ao coração do ladrão. “Hoje estarás Comigo”. O ladrão condenado estava na companhia do Salvador, e eles jamais se separariam. Mas observe a linguagem. Havia uma diferença entre eles, e Ele queria que o homem soubesse disso. Ele não disse: “Estaremos juntos”, mas “Tu estarás Comigo”. Com Ele estava no paraíso, na porção da alma convertida. Aqui encontramos o exemplo mais antigo possível do fruto da obra expiatória aplicada a um indivíduo, e o exemplo é excelente. Da culpa do homem não havia dúvida, de sua bênção eterna não pode haver duas opiniões. Sua confissão nos fala da culpa, as palavras do Senhor nos asseguram a bênção.
Em Gênesis 4, temos o ensinamento mais antigo possível sobre a posição diante de Deus de alguém nascido em pecado; em Lucas, temos a prova mais antiga possível do valor do sacrifício para um pecador, do qual o cordeiro de Abel era a figura. Tão perfeita foi a obra, tão suficiente o sacrifício, que para sempre este ladrão convertido conhecerá a companhia do Justo que então estará ao seu lado. Que testemunho público da suficiência da obra expiatória é essa história do Senhor para tornar um pecador digno de ser um participante “da herança dos santos na luz”! Não apenas salvo, não simplesmente uma esperança do céu, mas com Cristo, o Santo de Deus.
“No paraíso”
Havia somente uma Terra, e Adão havia andado nela. No Velho Testamento, porém, fala-se dela apenas como algo ligado ao que é passado; no Novo Testamento, lemos sobre ela como algo presente e futuro. “Comigo no paraíso”, foram as palavras do Senhor ao ladrão naquele dia; “dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus” (Ap 2:7) é a mesma promessa graciosa do Salvador para aqueles que vencerem agora. Não sendo encontrado na Terra, há um paraíso em outro lugar, e os redimidos o desfrutarão para sempre, comendo daquela árvore em seu meio, a qual teria trazido miséria eterna a Adão e seus descendentes se ele tivesse participado dela após a queda. O ladrão condenado à morte entraria nele naquele dia. Perdido para si e seus descendentes pelo primeiro Adão, o paraíso foi conquistado e está para sempre assegurado aos santos celestiais pela obediência até a morte do Último Adão.
Estamos errados em dizer, ‘para sempre assegurado’? É verdade que o Senhor não disse isso ao ladrão. Ele falou sobre o fim daquele dia, mas não falou sobre o dia seguinte. “Hoje”, foi Sua palavra. Ele lhe disse quando essa condição bendita começaria, pois ela teve um começo, mas Ele não falou do tempo em que ela acabaria. Ele não falou sobre o seu fim, pois nunca terminará; para sempre esse crente estará com Seu Senhor, uma testemunha das abundantes riquezas da Sua graça.
