Origem: Revista O Cristão – Soberania e Responsabilidade

O Homem é Responsável

O homem é responsável por viver diante de Deus de acordo com a posição em que se encontra como homem. Ele se afastou totalmente disso. Moralmente ele é um pecador. Mas o caráter da responsabilidade depende do relacionamento entre o homem e Deus, e entre homem e homem. Ele tem que agir de acordo com o relacionamento em que ele, como um homem, tem com cada um. Ele não deixa de ser responsável, mesmo que já não tenha o poder de cumprir suas responsabilidades.

Mas a salvação de Deus é uma outra coisa. Essa não é nossa responsabilidade. Cristo entra, em graça e amor, no estado no qual estávamos por causa do pecado, vindo para morrer e beber o cálice da ira, Ele mesmo, sem pecado, e sendo o Objeto do favor divino ao fazê-lo. Ele encerrou, para todos os que n’Ele creem e no amor do Pai n’Ele, toda a questão relativa ao primeiro Adão e à nossa vida pecaminosa. Nós reconhecemos que tínhamos inimizade contra Deus, e éramos condenados, culpados; isto Ele tomou sobre Si mesmo suportando tudo diante de Deus; isto é, toda a consequência de nossa responsabilidade como homens e A QUESTÃO ESTÁ ENCERRADA. Ele morreu tendo suportado isso; Ele morreu para o pecado uma vez, e aquele que está morto é libertado do pecado. Assim, em nosso Representante, cuja obra está disponível para nós, toda a questão de nossa responsabilidade como homens se encerrou em juízo e morte por mim, como eu havia descoberto quanto a mim mesmo. A vida na qual eu vivi e fui responsável perante Deus, é passada. Eu não existo mais, como vivendo como filho do primeiro Adão. “Se, pois, estais mortos com Cristo”, escreve o apóstolo, “quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças?” diz Paulo. “Já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu”. “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado”. Cristo glorificou perfeitamente a justiça de Deus a respeito de todo o mal, mas tudo passou, judicialmente, em Sua morte, naquilo em que Deus tinha que ser glorificado.

Cristo resolveu o caso do homem 

Toda a questão de nossa responsabilidade, como vivendo a vida do homem diante de Deus, é resolvida pelo fato de Cristo suportar judicialmente as consequências diante de Deus e pela morte da vida em que estávamos como pecadores. Mas então Cristo é agora uma nova vida. Ele ressuscitou e estamos vivos para Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Eu vivo, mas não eu, mas Cristo vive em mim. Eu sou vivificado junto com Cristo e ressuscitado juntamente com Ele. Deus nos vivificou juntamente com Ele, tendo perdoado todas as nossas transgressões. Elas estão enterradas em Sua graça, e eu estou vivo de novo e sem elas.

Há mais do que isso. Existe uma justiça divina na qual Cristo está diante de Deus, como ressuscitado – isto é, na qual eu estou no poder de uma nova vida, ressuscitada com Ele. Eu sou feito justiça de Deus n’Ele. Como Ele é, eu também sou neste mundo. Isso está na realidade de uma vida em que vivemos, que é Cristo, e de uma justiça divina na qual estamos diante de Deus, que é Cristo. Eu vivo, porém não eu, mas Cristo vive em mim.

A nova e verdadeira responsabilidade 

Qual é agora a minha responsabilidade? Aqui, então, entro no verdadeiro tipo de responsabilidade, em contraste com aquela responsabilidade sem esperança e que traz a convicção de pecado na qual entrei por causa da queda, uma responsabilidade que estava realmente de acordo com uma posição perdida, para que eu descobrisse minha ruína e condenação. Minha responsabilidade agora é uma responsabilidade que flui da posição em que estou. Aquele que diz que permanece em Cristo deve andar como Ele andou. Um filho de Deus – e filho para sempre –, deve andar como um filho de Deus, “como filhos queridos”. Minha responsabilidade é a de um Cristão. Devo andar como um, porque sou um, não para ser um.

Girdle of Truth, 3:15 (adaptado)

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