Origem: Revista O Cristão – A Voz e A Vontade do Senhor

Dons e Influência

Quanto mais dons e mais influência alguém tiver, tanto mais útil será para seus irmãos quando, andando em humildade e mansidão, tiver a orientação do Senhor em seu caminho. Por outro lado, quanto mais dons e mais influência tal pessoa tiver, mais pedra de tropeço ela será para seus irmãos quando, não entendendo a mente do Senhor, seguir as orientações, imaginações ou obras de sua própria mente.

Encontramos um exemplo notável disso em relação a Pedro, a quem o Senhor havia dado as chaves do reino dos céus (Mt 16:19), a quem Ele havia confiado Seus cordeiros e Suas ovelhas (Jo 21), e a quem também foi confiado o evangelho da circuncisão (Gl 2). Sua pregação foi usada para a conversão de quase 3.000 pessoas de uma só vez (At 2). Então, novamente, ao percorrer as ruas de Jerusalém, ele encontrava os enfermos deitados em camas e macas, para que sua sombra, ao passar sobre eles, pudesse curar alguns deles (At 5). Esses favores do alto lhe dariam um grande lugar na consciência e no amor dos santos, e muita influência e autoridade na Igreja.

Um feliz exercício dessa influência e autoridade é encontrado em Atos 15. Lá, depois de muita disputa na assembleia, Pedro se levantou e falou. Suas palavras foram usadas para produzir ordem onde antes havia desordem, pois, em vez de muitas disputas (ou discussões) anteriores, a multidão ficou em silêncio e escutou a Barnabé e a Paulo. Tal é o bendito fruto do dom e da influência quando exercidos de acordo com a mente do Senhor. Mas isso não é assim quando o temor ou o louvor ao homem, ou a confiança ou a ocupação consigo mesmo, exercem influência sobre a mente. Encontramos este mesmo apóstolo abençoado, não apenas falhando notavelmente em relação a uma verdade muito importante para a Igreja de Deus (Gl 2), mas que a mesma influência e autoridade, de maneira tão feliz exercidas em Jerusalém e posteriormente em Antioquia, levou outros à dissimulação e a um andar que não era reto nem de acordo com a verdade do evangelho. Foi suficiente até mesmo para que Barnabé, até então o companheiro de Paulo, se deixasse levar por isso.

A perigosa influência dos homens bons 

Pode parecer estranho para alguns santos ouvir que um homem bom é muitas vezes mais perigoso em um ataque do inimigo do que um homem mau. No entanto, não é necessária grande medida de discernimento para descobrir o caráter de um homem mau e, assim, evitar ser conduzido por ele. Mas o fracasso do homem bom, quando ele próprio se engana, muitas vezes não é descoberto até que aqueles que confiaram nele tenham colhido os frutos amargos de sua confiança. Entendemos isso nas coisas do mundo, mas nas coisas do Senhor cada santo individualmente, se não andar habitualmente no temor do Senhor, está sujeito a colocar sua confiança excessivamente naqueles que ele considera mais espiritualmente capacitados do que ele.

O que os santos precisam, para andar de uma maneira que seja agradável ao Senhor, é o conhecimento da vontade de Deus. Alguns podem pensar que o conhecimento da vontade de Deus só pode ser alcançado por aqueles que são especialmente dotados e que são Cristãos há muitos anos. Embora um santo deva, sem dúvida, avançar no conhecimento da vontade de Deus, muitos erros foram cometidos em relação aos Cristãos mais jovens e mais velhos neste exato ponto. Uma criança não conhecerá a vontade de seu pai em muitas coisas que serão ditas ao filho que se tornou adulto. Mas a criança pequena, se estiver atenta, saberá o suficiente da vontade do pai para fazer as coisas que lhe são agradáveis.

O filhinho (bebês) em Cristo 

Assim, com o Cristão mais jovem, não há desculpa para o menor fracasso; a palavra dirigida aos filhinhos é: “E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1 Jo 2:20). Se olhar para o Senhor, o filhinho encontrará a Palavra de Deus suficiente para ele, e suficiente para evitar que seja enganado por outros. “A entrada das Tuas palavras dá luz” (Sl 119:130). “Mas todas estas coisas se manifestam [tendo seu caráter exposto pela luz – JND], sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta” (Ef 5:13). O filhinho pode não ser provido de toda a Palavra na mesma medida que o jovem (1 Jo 2:14), mas, em Cristo, ele tem orientação suficiente da Palavra para salvá-lo de qualquer mal-entendido da vontade do Pai ou de qualquer desobediência a Ele.

João é usado de maneira especial para advertir os filhinhos em Cristo, pois é a eles que ele escreve: “Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade” (1 Jo 2:21). Um grande princípio está contido neste versículo: O conhecimento do que é verdadeiro nos permite discernir o que é falso. (Isso se verificará nas coisas cotidianas desta vida.) É bom sempre ter em mente que é o fato de estar ocupado com a própria verdade que constitui a segurança para o crente, seja ele filhinho, jovem ou pai. Ocupar-se com o que é falso não é a maneira de aprender o caráter do que é falso, mas sim a maneira de ser seduzido e enganado pelo falso.

A unção 

Muitos santos (sejam jovens ou idosos), ao raciocinar ou ouvir aqueles que sustentam ou ensinam falsas doutrinas, foram apanhados na armadilha do inimigo, da qual teriam escapado se tivessem sido obedientes à Palavra de Deus, que lhes ordena que se afastem deles (Rm 16:17; 1 Tm 6:5; 2 Tm 3:5). O apóstolo João também escreve aos filhinhos: “Estas coisas vos escrevi acerca dos que vos enganam. E a unção que vós recebestes d’Ele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a Sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim n’Ele permanecereis” (1 Jo 2:26-27).

Não precisamos lembrar ao crente mais jovem que essa unção não o torna de forma alguma independente de ser ensinado por outros. Efésios 4 (ARA) mostra que os mestres estão entre os dons dados para o aperfeiçoamento dos santos, e onde o ensino está de acordo com o que é ensinado na Escritura, então o filhinho e todos os outros devem valorizá-lo. A advertência por meio do abençoado apóstolo, quando atendida, ajudará o crente a julgar se o ensino está de acordo com o que ele já aprendeu (Gl 1:9), ou se tem o cheiro daquelas coisas contra as quais o crente é tão constantemente advertido pelas Escrituras.

Portanto, lembro novamente ao leitor que quanto maior o dom, e quanto mais influência alguém tem entre os santos, mais uma pedra de tropeço ele será em qualquer assunto que possa surgir entre os santos, se falar ou agir sem o conhecimento da mente de Deus.

A. B. Pollock

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