Origem: Revista O Cristão – A Voz e A Vontade do Senhor

A Graça da Glória de Deus

Descobrimos que o grande objetivo, em toda a Escritura, é conectar a alma com Deus pessoalmente. Após a queda, foi a voz do Senhor Deus caminhando no jardim que abordou Adão, e foi da presença do Senhor Deus que Adão se escondeu – e assim por diante. A conexão pessoal da alma com Deus é dada em muitos casos, até chegarmos ao ponto culminante dela, no evangelho da glória confiado a Paulo – a “iluminação [resplendor – JND] do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” (2 Co 4:6). Somente aqui a alma está em verdadeira adoração. Existem outras verdades e outras partes do testemunho de Deus – verdade dispensacional, princípios, todos importantíssimos, cada um em seu devido lugar e valiosos até onde podem ir. Somente isso percorre todo o caminho e alcança o objetivo.

Quanto a essas duas linhas de verdade e testemunho, posso ilustrar o que quero dizer com o filho pródigo na casa do pai. Para que ele não sentisse sua condição inadequada para a casa, o pai convocou os servos e ordenou que o vestissem com roupas que indicassem e garantissem sua alta posição. Esse foi um trabalho muito feliz e interessante para os servos, e de uma ordem que envolve muitos entre nós agora. Mas, por mais interessante que isso seja, não atinge o objetivo do pai. Se o filho pródigo fosse apenas vestido e adornado, e não conduzido à casa do pai, tanto o filho quanto o pai teriam sido privados do grande objetivo de sua reconciliação.

Da mesma forma, em Josué 5, temos toda a preparação para a possessão da terra. Um servo habilidoso poderia me ensinar profundamente em todos os detalhes, desde a circuncisão até o trigo da terra. Mas eu perderia o poder real e o título consciente de entrada se não tivesse visto o Capitão do Exército do Senhor e, como um adorador descalço, soubesse que é com Ele que tomaria possessão. Em 2 Coríntios 4:6, o apóstolo mostra como a recepção do evangelho nos conecta com Cristo em glória, assim como ele próprio se conectou inicialmente, quando lhe foi ensinado esse evangelho e ele foi encarregado de ser ministro e testemunha das coisas que tinha visto. Ora, era um Cristo glorificado que ele tinha visto; portanto, se alguém não vê esta luz que é a ministração da justiça, não é somente a salvação que ele está rejeitando, mas a “iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face (ou Pessoa) de Jesus Cristo”.

A Pessoa e a presença do Senhor 

Muitas vezes tenho sentido que, na pregação ou no ensino, a Pessoa e a presença do Senhor não era o grande objetivo colocado diante da alma. O evangelho é pregado por alguns, chamando os pecadores a apresentar Cristo a Deus como uma expiação totalmente suficiente para seus pecados. Outros, mais esclarecidos, proclamam o amor de Deus declarado em Seu Filho, concedendo vida eterna a todo crente. Mas ambos ficam aquém da apresentação de Deus ao estabelecer a justiça em Seu próprio Filho e, por meio d’Ele, leva o filho pródigo crente à Sua própria casa, e à proximidade d’Ele para sempre, em pleno e ininterrupto regozijo para ambos. Nos dois primeiros, embora o ganho do pecador seja amplamente enfatizado, a satisfação de Deus – Seu ganho, podemos dizer, Seu regozijo – não é mencionado de forma alguma. Pouco entendemos o evangelho da glória de Cristo revelado a Saulo de Tarso, que daquele ponto em diante se tornou a testemunha das coisas que ele tinha visto. A glória de Deus tornou-se o ponto de partida do pecador; era também o alvo para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

Sob a lei, havia sacrifícios, que, no entanto, nunca salvaram os seus transgressores das penalidades legais. O evangelho pregado, ainda hoje, é muitas vezes mais a apresentação do sacrifício. É proclamado, admito, como todo-suficiente e satisfatório, e o chamado aos pecadores é para que se aproximem dele. No entanto, isso não é apresentar à fé a salvação de Deus, porque para Ele o sacrifício é pleno e infinitamente satisfatório, Sua satisfação é o grande tema apresentado à fé. A recepção do filho pródigo, por maior que tenha sido seu resgate, não deriva sua principal excelência da plenitude de sua segurança e da grandeza de sua libertação, mas de sua proximidade feliz e bem-vinda com o pai.

Queremos um evangelho que nos conecte com a presença de Deus em Seu regozijo, e queremos um ensino em Sua Palavra que nos conecte com nosso Senhor pessoalmente como a transcrição viva da mente de Deus.

The Remembrancer, 1899 (adaptado)

Compartilhar
Rolar para cima