Origem: Revista O Cristão – A Voz e A Vontade do Senhor
“Sim, Senhor”
As palavras exatas do título deste artigo são encontradas apenas uma vez na Palavra de Deus, mas que significado elas têm para nós! A história onde são encontradas nos é contada em Marcos 7:24-30, também em Mateus 15:21-28, e diz respeito a uma visita que nosso Senhor fez às fronteiras de Tiro e Sidom, na costa mediterrânea da terra de Israel. Embora esse território fosse, na verdade, parte da terra de Israel que Jeová lhes havia dado, essas cidades não foram conquistadas por Israel, e assim continuaram sendo famosos centros comerciais gentios. Seus poderosos navegantes eram frequentemente chamados de fenícios. Tiro foi finalmente conquistada por Alexandre, o grande, enquanto Sidom se submeteu a ele. Tiro acabou se recuperando e ambos eram portos importantes do império romano.
Quando nosso Senhor visitou a região, Ele tentou Se esconder, mas como geralmente acontecia, Ele “não pôde esconder-Se”. Uma mulher grega se aproximou d’Ele, querendo que Ele “expulsasse de sua filha o demônio”. No relato de Mateus, ela se dirigiu a Ele como “Senhor, Filho de Davi”, um título peculiar a Israel.
A severidade do Senhor
À primeira vista, a resposta que nosso Senhor deu a ela parece um tanto dura e (falamos com reverência) fora do Seu caráter. Ele disse: “Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (Mc 7:27). Essa era, de fato, uma linguagem forte e poderia facilmente ter gerado raiva e ressentimento no coração da mulher.
No entanto, nosso bendito Senhor e Mestre sempre agiu com a mente perfeita do Espírito de Deus e nunca cometeu um erro. Ele nunca precisou Se desculpar por um comentário que não tivesse sido feito da maneira certa. E assim foi aqui. A aparente severidade de nosso Senhor apenas revelou um coração que estava em paz com Deus e um coração que reconhecia o lugar proeminente do povo terrenal de Deus. A nação de Israel havia falhado muito seriamente, com certeza, e estava prestes a ser rejeitada. Mas para o mundo em geral, eles continuaram sendo o povo de Deus.
A resposta da mulher foi: “Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos” (Mc 7:28). Ela não se ofendeu, nem discutiu com o Senhor. Ela simplesmente aceitou o que Ele disse e pediu apenas pelas migalhas que os cães podiam obter. Ela recebeu a bênção, quando, sem dúvida, alguns em Israel a perderam.
O melhor para nós e para a Sua glória
Tudo isso tem uma boa lição para nós, em qualquer momento. Quando o Senhor parece permitir circunstâncias adversas em nossa vida, e talvez eventos difíceis de aceitar, nossa primeira resposta a Ele é: “Sim, Senhor”? Deveria ser, pois Sua vontade não é somente sempre a melhor para nós, mas também para a Sua honra e glória. Sua glória é primordial, e apreciar isso muitas vezes exige que tenhamos uma visão de longo alcance. A experiência do homem que nasceu cego (Jo 9:1-3) e a doença fatal de Lázaro (Jo 11) foram muito difíceis na época, mas a Escritura registra que, em última análise, o caso do cego foi para que “se manifestem nele as obras de Deus” e, no caso de Lázaro, “para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Estamos preparados para isso? Dar glória ao nosso bendito Salvador deve ser considerado um grande privilégio para nós, e especialmente neste momento de Sua rejeição. Devemos também lembrar que Ele nunca permitirá que sejamos tentados além do que somos capazes de suportar. Ele envia graça para tudo o que Ele permite em nossa vida.
Não podemos glorificá-Lo com nossas próprias forças, mas ao dizer: “Sim, Senhor” em primeiro lugar, estamos abrindo o caminho para que Sua graça se apresente. Como alguém disse: “Vale a pena passar por uma provação com o Senhor, pois então veremos que Consolador Ele pode ser”.
