Origem: Revista O Cristão – A Voz e A Vontade do Senhor
A Voz do Senhor Desconsiderada
O coração humano, mesmo quando não é renovado, sente a necessidade da religião até se endurecer pelo pecado sem consciência ou cegar-se pelas especulações de uma mente equivocada. Mas, por mais justa que seja sua promessa ou sua forma real, a vontade logo é posta à prova pela Palavra de Deus, que somente a fé pode aceitar. Vemos um exemplo disso no caso de algumas pessoas que foram deixadas na terra de Israel, depois que Nabucodonosor levou Judá para o cativeiro. Elas apelaram fervorosamente ao profeta Jeremias, pedindo para ouvir a palavra do Senhor.
“Então chegaram todos os capitães dos exércitos, e Joanã, filho de Careá, e Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, desde o menor até ao maior. E disseram a Jeremias, o profeta: Aceita agora a nossa súplica diante de ti, e roga ao SENHOR teu Deus, por nós e por todo este remanescente; porque de muitos restamos uns poucos, como nos veem os teus olhos; Para que o SENHOR teu Deus nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer” (Jr 42:1-3).
A verdadeira fé é sem desconfiança
A verdadeira fé em Deus é sem desconfiança, e ela pode ser assim, pois o crente sabe em Quem creu e pode entregar a si mesmo e aos outros, o presente e o futuro, Àquele cuja graça olhou para nós por toda a eternidade. Seu governo justo observa cada palavra, sentimento e desejo ao longo do caminho. Se formos sábios, seremos poupados de um espírito crítico e, embora sujeitos ao engano, isso só ocorrerá quando deixarmos de levar todas as dificuldades ao nosso Deus. Assim foi aqui: “E disse-lhes Jeremias, o profeta: Eu vos tenho ouvido; eis que orarei ao SENHOR vosso Deus conforme as vossas palavras; e seja o que for que o SENHOR vos responder eu vo-lo declararei; não vos ocultarei uma só palavra. Então eles disseram a Jeremias: Seja o SENHOR entre nós testemunha verdadeira e fiel, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o SENHOR teu Deus. Seja ela boa, ou seja má, à voz do SENHOR nosso Deus, a Quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do SENHOR nosso Deus” (Jr 42:4-6). Se uma declaração solene pudesse ter convencido o profeta, tudo o que disseram certamente soaria forte o suficiente. Mas ele não ignorava nem o homem nem Satanás. Sua confiança estava em Deus, fossem os Judeus verdadeiros ou falsos.
Mas como é doloroso comprovar que a carne se revela, tanto por sua excessiva demonstração de piedade quanto por sua profanidade! Não é por falta de fervor que seu vazio é detectado pelo olhar experiente, mas sim por uma disposição excessiva, ou pelo menos pela excessiva confiança própria, para obedecer à vontade divina, seja ela qual for. O dever pode ser claro, mas e quanto ao coração? E quanto à força para seguir em frente e perseverar? A fé pressupõe a percepção de nossa própria fraqueza tão certamente quanto confia em Deus e em Sua graça. A resolução humana nas coisas divinas só tem força onde lhe é permitida sua própria vontade.
A Palavra do Senhor
“E sucedeu que ao fim de dez dias veio a palavra do SENHOR a Jeremias. Então chamou a Joanã, filho de Careá, e a todos os capitães dos exércitos, que havia com ele, e a todo o povo, desde o menor até ao maior, e disse-lhes: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, a Quem me enviastes, para apresentar a vossa súplica diante d’Ele: Se de boa mente ficardes nesta terra, então vos edificarei, e não vos derrubarei; e vos plantarei, e não vos arrancarei; porque estou arrependido do mal que vos tenho feito. Não temais o rei de Babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque Eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua mão. E vos concederei misericórdia, para que ele tenha misericórdia de vós, e vos faça voltar à vossa terra” (Jr 42:7-12). O próprio profeta espera até que a resposta divina venha; não era questão de sua sabedoria, mas da Palavra de Deus. E Deus agora os adverte fortemente contra a fuga para o Egito em busca de proteção, assim como Ele antes os havia advertido a se submeterem ao rei da Babilônia. A fé aceita o castigo que nos é devido por causa do pecado, mas, ao mesmo tempo, confia em Deus e em Sua graça. A incredulidade é frutífera em recursos, todos os quais são apenas o trabalho de um coração rebelde e não garantem nada além de ruína para aqueles que são levados por ela. Se eles cressem, por mais baixa que fosse sua condição, não precisariam se apressar e certamente seriam estabelecidos. Estariam nas mãos d’Aquele que poderia inclinar o coração de Nabucodonosor para eles: Por que eles deveriam ser aterrorizados por seus adversários? “Mas se vós disserdes: Não ficaremos nesta terra, não obedecendo à voz do SENHOR vosso Deus, dizendo: Não, antes iremos à terra do Egito, onde não veremos guerra, nem ouviremos som de trombeta, nem teremos fome de pão, e ali ficaremos, nesse caso ouvi a palavra do SENHOR, ó remanescente de Judá: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Se vós absolutamente propuserdes a entrar no Egito, e entrardes para lá habitar, acontecerá que a espada que vós temeis vos alcançará ali na terra do Egito, e a fome que vós receais vos seguirá de perto no Egito, e ali morrereis. Assim será com todos os homens que puseram os seus rostos para entrarem no Egito, a fim de lá habitarem: morrerão à espada, e de fome, e de peste; e deles não haverá quem reste e escape do mal que Eu farei vir sobre eles. Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel: Como se derramou a Minha ira e a Minha indignação sobre os habitantes de Jerusalém, assim se derramará a minha indignação sobre vós, quando entrardes no Egito; e sereis objeto de maldição, e de espanto, e de execração, e de opróbrio, e não vereis mais este lugar” (Jr 42:13-18).
Andando no caminho da vontade de Deus
Assim, Deus, a longo prazo, invariavelmente cumpre a Sua vontade. Felizes aqueles que estão na sua correnteza até o fim! Se os homens resistem, eles não ganham nada além de tristeza e decepção, que o sucesso temporário apenas amarga. Longe de impedir a Palavra de Jeová, eles só a cumprem com as medidas destinadas a dar efeito aos seus próprios desejos, e infalivelmente trazem sobre si mesmos os males que mais temem.
“Falou o SENHOR acerca de vós, ó remanescente de Judá! Não entreis no Egito; tende por certo que hoje testifiquei contra vós. Porque vos enganastes a vós mesmos, pois me enviastes ao SENHOR vosso Deus, dizendo: Ora por nós ao SENHOR nosso Deus; e conforme tudo o que disser o SENHOR nosso Deus, declara-no-lo assim, e o faremos. E vo-lo tenho declarado hoje; mas não destes ouvidos à voz do SENHOR vosso Deus, em coisa alguma pela qual Ele me enviou a vós. Agora, pois, sabei por certo que morrereis à espada, de fome e de peste no mesmo lugar onde desejais ir, para lá morardes” (Jr 42:19-22).
O profeta havia andado com paciência, o povo em dissimulação, e Deus tornou tudo claro para Sua própria glória e em Seu próprio tempo. Com justiça eles são destruídos por sua desobediência a Deus, aqueles próprios que fizeram o mais piedoso protesto de devoção inabalável à Sua vontade.
