Origem: Livro: A Chave Para o Progresso Como Visto na Vida de Rute
1) Comprometimento com o Senhor
A primeira grande coisa que nós vemos em Rute é que ela estava caracterizada por um comprometimento com o Deus de Israel – um comprometimento que envolvia uma ruptura total com a terra de Moabe. Esse tipo de comprometimento é absolutamente essencial na vida de todos os crentes – quer sejam eles crentes nos tempos do Velho Testamento, quer sejam Cristãos como nós. É bonito ver Rute fazendo essa confissão de sua fé. Quando Noemi ouviu isso, ela não pôde dissuadi-la de ir para a terra de Israel. O comprometimento de Rute era muito profundo e real. Esse comprometimento envolvia cinco coisas: ela disse: “Aonde quer que tu fores irei eu”, o que significa que ela estava disposta a tomar um novo caminho em sua vida. “Onde quer que pousares à noite ali pousarei eu” significa que ela estava disposta a estar num novo lugar.
Então ela disse: “Teu povo é o meu povo”. o que mostra que ela estava disposta a ser identificada com um novo povo. Ela também disse: “Teu Deus é o meu Deus”. O que significa que ela tinha aceitado uma nova Pessoa divina em sua vida – Jeová. E por fim, “Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada” indicava que ela tinha uma nova perspectiva em sua vida, pois os santos do Velho Testamento não conheciam sobre a vinda do Senhor e o arrebatamento dos santos. Eles viviam para o que estava além da morte, que era a eternidade com seu Deus.
A confissão de Rute envolvia:
- Um novo caminho – o caminho da fé.
- Um novo lugar – a terra de Israel.
- Um novo povo – os filhos de Israel.
- Uma nova Pessoa divina – O Deus de Israel, Jeová.
- Uma nova perspectiva – eternidade com Jeová.
Ela havia tomado uma direção totalmente nova em sua vida, e que bela imagem de compromisso com o Senhor! Eu acredito que isso é o começo para fazermos progresso nas coisas de Deus. Ou seja, nós precisamos ter comprometimento com o Senhor em relação ao caminho Cristão. Hoje, sabemos, há muita falta de envolvimento e indiferença na profissão Cristã – o oposto de comprometimento. Como disse um irmão: “Apenas a deriva, sem muito exercício de qualquer forma que seja”. É triste dizer, mas, quando não há nenhum comprometimento real em nossa vida, assim que as provas chegam, muitas vezes há falhas e falta de progresso porque as raízes da convicção não são muito profundas.
Eu rogo a cada pessoa aqui nesta tarde para levar a sério sua vida Cristã. Precisamos levar diante do Senhor nosso comprometimento no caminho. Eu percebo que nenhuma exortação, por si só, é capaz de produzir isso, pois é apenas o poder do amor de Deus e a grandeza da obra que o Senhor Jesus completou na cruz que vai mexer e fazer vibrar as cordas de nosso coração – como cantamos juntos – “Senhor, Tu nos atraíste para Ti, agora faça-nos correr e nunca cansarmos”. Esse é o meu grande desejo para cada pessoa aqui nesta tarde – que o Senhor Jesus se torne mais precioso em seu coração, e isso se evidencie pelo comprometimento em nossa vida.
Não houve nenhum envolvimento superficial com Rute. Ela não tomou o caminho de seguir a Jeová levianamente – como hoje vemos ao nosso redor no mundo Cristão. Seu comprometimento envolvia deixar Moabe para trás. E nós não lemos nenhuma vez que ela tenha feito contato com Moabe novamente! Isso mostra como sua escolha por Jeová foi completa. Ela “queimou as pontes”[1] atrás dela. Muitas vezes nos dizem nos negócios e na vida: “Você não quer queimar as pontes atrás de você!” Mas estamos aqui esta tarde para dizer que se você quiser fazer progresso nas coisas divinas, você precisa “queimar as pontes” atrás de você. Você precisa assumir um comprometimento com o Senhor do qual você não voltará atrás. É dito em Hebreus 11 que, “se lembrassem daquela (pátria) donde haviam saído, teriam oportunidade de tornar”. Não era assim com Rute. Ela estava focada em sua nova vida, seu novo lugar, sua nova comunhão com o povo de Israel etc. ELA ESTAVA COMPROMETIDA. Espero que seja assim com cada um de nós nesta tarde.
[1] N. do T.: A expressão “queimar as pontes por que passa”, aqui utilizada pelo autor, é uma comparação que tem o sentido de eliminar a possibilidade de voltar atrás em uma decisão. Essa figura pode ser interpretada da seguinte forma: você acabou de cortar relações com uma empresa ou alguém, sem ter mais como voltar. Só lhe resta seguir em frente e aceitar novos desafios. ↑
Como nós já ilustramos na vida de Rute, comprometimento com o Senhor envolve uma ruptura total com o mundo, do qual Moabe é uma figura. Meu tio Stan costumava dizer: “Eu nunca vi ninguém crescer espiritualmente e que mantivesse um círculo de amigos fora do povo do Senhor.” Você pode não gostar de ouvir isso, mas é uma grande verdade. Se você tem um círculo de amizades fora do povo do Senhor, isso irá lentamente arrastá-lo para baixo. Com essas pessoas você não poderia ter as coisas do Senhor como interesse mútuo, porque elas não O conhecem ou não querem saber dessas coisas. Então, teria que haver algo mais – algo que não seja Cristo. Que Deus nos dê a graça para romper essas ligações que só vão nos atrapalhar. “Ele dá maior graça” (Tg 4:6).
Esse tipo de comprometimento me faz lembrar uma história que ouvi ter acontecido há muitos anos a respeito do explorador Cortez. Quando ele desembarcou com sua frota de onze navios em Vera Cruz, no litoral do México, ele tinha um objetivo único – conquistar aquela terra. A primeira coisa que fez quando colocou seus setecentos homens na costa, foi atear fogo em todos os seus onze navios! Enquanto os seus homens estavam na praia vendo os navios em chamas e logo em seguida afundando no Golfo do México, perceberam que não havia como voltar atrás. Havia apenas uma direção para ir – em frente. Que exemplo ilustrativo da história de estar comprometido em seguir em frente, e somente em frente. Porém, nós não vemos muito disso entre os Cristãos hoje. Parece que nós, Cristãos, queremos nos envolver superficialmente nas coisas divinas. Os Cristãos de hoje parecem querer manter uma parte de si sobre a vida que viveram antes da conversão e a outra parte nas coisas do Senhor – e isso não funciona – assim, não haverá progresso. Esse é um dos maiores obstáculos para seguir em frente. Então, se você quer ter progresso em sua vida Cristã – e espero que cada um aqui queira – você precisa aplicar cada um desses pontos que nós vamos observar na vida de Rute, em sua própria vida e então você terá um bom êxito.
Outra história que me vem à mente é a respeito de Napoleão. Nós sabemos pela história que ele esteve envolvido em muitas batalhas na Europa, mas houve uma batalha em particular que ilustra o nosso assunto aqui. Ele estava sendo dominado pelas tropas inimigas, então ordenou que seu baterista desse o “toque de retirada” (naquela época, essa era a maneira que eles ordenavam suas tropas, pois não existiam rádios). De qualquer forma, seu baterista não respondeu, então, Napoleão repetiu seu comando e novamente, não houve som que viesse do tambor. Napoleão foi até ele e disse: “dê o toque de retirada!” O baterista respondeu: “Senhor, esse toque nunca me foi ensinado”. Isso moveu Napoleão, e o estimulou a uma de suas maiores vitórias. Nós precisamos de um pouco desse tipo de comprometimento decisivo em nossa vida Cristã. Alguém disse que o caminho Cristão vale a pena mesmo se fosse dez mil vezes mais difícil! Que privilégio nós temos de andar no caminho Cristão e levar o nome de Cristo perante o mundo. Que Deus nos conceda ter esse tipo de comprometimento em nossa vida.
