Origem: Livro: Esboço Sobre os Profetas Menores
A aproximação da invasão assíria
Então, no capítulo 8, o profeta dá uma descrição clara da invasão assíria que se aproxima. Isso é feito para chamar a atenção das pessoas quanto à realidade do juízo vindouro e para levá-las ao Senhor enquanto há tempo de serem livradas. Portanto, somos agora formalmente introduzidos à Assíria no livro de Oseias.
Historicamente, a invasão assíria vinda do norte levou algum tempo para ser concluída, pois eles sitiavam e destruíam uma cidade após outra na terra de Israel. Isso foi feito por uma sucessão de seus reis. Tudo começou com Tiglate-Pileser (Pul) e foi continuado por Salmanasar V, e então Sargom II e Senaqueribe, e foi concluído por Esaradom que subjugou a terra e deportou as tribos remanescentes de Israel. Isso abrangeu um período de anos – de 743 a.C. a 668 a.C.
Capítulo 8:1-4 – Como consequência do abandono de Deus pelo povo, a terra seria devastada pelos exércitos invasores da Assíria. Para retratar essa devastação, o profeta recebeu a ordem de soar um alarme com “a trombeta” porque aqueles exércitos estavam vindo contra a terra para saqueá-la. Eles viriam com a rapidez de uma “águia” (a palavra “nesher” também pode significar “abutre”) – contra “a casa do Senhor”. A casa do Senhor não é o verdadeiro templo em Jerusalém, mas sim um termo que o profeta usa para toda a casa de Israel – o povo. Oseias passa a dar outra lista de razões para o juízo:
- Eles haviam transgredido o concerto (v. 1a).
- Eles se rebelaram contra a lei (v. 1b).
- Eles rejeitaram o bem (v. 3).
- Eles constituíram seus próprios reis e príncipes (v. 4a).
- Eles haviam desperdiçado suas riquezas na idolatria (v. 4b).
Capítulo 8:5-8 – O profeta mostra o desagrado do Senhor com o “bezerro” de Samaria. Esta é uma referência ao seu sistema idólatra de adoração estabelecido por Jeroboão I (1 Rs 12 28-33). Como sabemos, ele havia feito dois bezerros e os colocou em Betel e Dã, mas Samaria era o centro administrativo do reino de Israel, situado ao norte e, portanto, responsável pela idolatria. O profeta, portanto, se refere a todo esse sistema como sendo o bezerro de Samaria. Falando em nome do Senhor, ele diz: “Rejeito teu bezerro, ó Samaria!” (Septuaginta). A “ira” do Senhor era contra todo esse sistema de adoração. O bezerro “não é Deus” porque um “artífice o fez”. Portanto, “o bezerro de Samaria” seria partido em pedaços pelos assírios (v. 6). Israel havia semeado uma plantação de todos os tipos de pecados ao “vento” e agora “segarão tormentas” (v. 7) – uma alusão à invasão assíria. Israel deveria ser um povo separado entre as nações, mas eles foram “tragados” entre os gentios e esta mistura os tornou “como coisa em que ninguém tem prazer” para o Senhor (v. 8).
Capítulo 8:9-14 – Oseias reafirma os dois pecados marcantes de Israel:
- Eles buscaram obter sua libertação da Assíria por meio de seus próprios esforços, em vez de se voltarem para o Senhor (vs. 9-10).
- Sua adoração ao Senhor era misturada com idolatria – adoração de bezerros (vs. 11-14).
Quanto à primeira coisa, as relações exteriores de Israel eram uma ofensa ao Senhor. Eles “subiram à Assíria” como “um jumento montês” (v. 9). Esta é uma referência aos presentes que enviaram ao rei da Assíria para apaziguá-lo, na esperança de encorajá-lo a recuar de suas incursões na sua terra. Eles também haviam feito alianças militares “entre as nações” para se protegerem da invasão assíria, sobre o que o profeta diz “mercou Efraim amores”. Portanto, eles estavam tentando se livrar dessa invasão, em vez de invocar a ajuda do Senhor. Eles estavam apoiados no braço da carne, o que seria inútil (Jr 17:5). O Senhor “congregaria” aquelas nações contra eles e “em pouco tempo” (margem da KJV) eles seriam “diminuídos” sob a “carga do rei dos príncipes” – o rei assírio (v. 10).
Quanto à segunda coisa, Israel “multiplicou altares” com a ideia de adorar ao Senhor, mas a proliferação de altares apenas se tornou a oportunidade para “pecar” (idolatria). O Senhor lhes havia prometido “as grandezas” na “lei”, mas eles desrespeitaram a lei e a trataram “como cousa estranha” (vs. 11-12). Com base nisso, o Senhor não aceitaria suas ofertas pelo pecado e pela culpa e seus pecados e iniquidades seriam mantidos contra eles. A invasão resultaria em serem levados ao cativeiro, como quando a nação estava na terra do “Egito” nos dias de Moisés – só que desta vez, seu cativeiro seria na Assíria (v. 13).
No versículo 14, Oseias reafirma os dois pecados patentes de Israel – “Israel se esqueceu do Seu Criador, e edificou palácios (templos idólatras)”. A consequência também é reafirmada; toda a terra – não apenas o reino situado ao norte, mas também o reino de Judá, ao sul –, seria devastada pelo “fogo” – um símbolo de juízo. Isso viria pelas mãos dos exércitos assírios.
