Origem: Livro: A Procura por uma Assembleia Reunida Biblicamente

Associações Eclesiásticas

Paciência e discernimento são precisos para identificar o mal eclesiástico em alguém. Existe uma diferença entre alguém estar associado ao erro clerical por ignorância e uma pessoa ativamente envolvida e promovendo tal erro. Um crente que desconhece a ordem bíblica para a adoração e o ministério Cristão pode vir à assembleia e querer partir o pão à mesa do Senhor vindo de uma denominação criada por homens e onde seja adotada uma ordem clerical. Ainda que essa pessoa esteja associada ao erro eclesiástico, ela não está, nesse ponto, no mal eclesiástico. E se tal pessoa for conhecida por sua piedade no andar e professar sã doutrina, não deveria haver impedimento para que ela partisse o pão, mesmo que não tenha se desligado formalmente de sua associação com aquela denominação.

A grande questão é: “quando uma associação inconsciente com o erro eclesiástico se torna um mal eclesiástico?” Cremos que a resposta é quando a vontade da pessoa está envolvida nisso. Para detectar essa vontade é preciso que a assembleia tenha um discernimento sacerdotal. Em casos assim a assembleia precisa depender muito do Senhor para conhecer a Sua mente a respeito do assunto. Em condições normais os irmãos deveriam permitir que essa pessoa partisse o pão, esperando e confiando que Deus estaria trabalhando em seu coração e que ela, após ter participado da ceia do Senhor, iria abandonar aquele terreno em que tinha estado antes, e continuar com aqueles reunidos ao nome do Senhor.

Esse princípio é visto na passagem em 2 Crônicas 30 e 31. Ezequias chamou o povo de Judá e os das dez tribos dispersas para virem ao divino centro em Jerusalém e participarem da Páscoa. Ele não insistiu que eles destruíssem seus ídolos antes de virem. Depois de que vieram e apreciaram a Páscoa em Jerusalém, eles voltaram para casa e destruíram seus ídolos e imagens. (Não estamos insinuando que as denominações criadas pelos homens na Cristandade sejam comparáveis à idolatria. Estamos falando apenas do princípio de uma pessoa se desconectando de um erro religioso anterior). O que é interessante notar neste caso é que Ezequias não lhes falou para agirem assim! Aquilo foi uma resposta vinda do coração deles pelo simples fato de terem estado na presença do Senhor em Jerusalém. Todavia, se alguém deseja continuar indo a ambos os lugares regularmente, isto não deveria ser permitido. Como assinalou J. N. Darby, “Pontos de vista eclesiásticos diferentes não representam razão suficiente para colocar fora uma alma. Mas se alguém deseja estar entre os irmãos um dia e no próximo entre as seitas, eu não deveria permitir isso, e não deveria receber tal pessoa, pois, ao invés de usar da liberdade que pertence a ela para apreciar a comunhão espiritual entre os filhos de Deus, ela avança na pretensão de mudar a ordem da casa de Deus e perpetuar a divisão dos Cristãos”. Fica claro que uma pessoa assim não estaria sendo honesta com nenhuma das posições. Darby também afirmou que a degradação e a corrupção aumentam cada vez mais no testemunho Cristão, ficando cada vez mais difícil colocar em prática este princípio. À medida que os dias se tornarem mais sombrios será necessário um discernimento cada vez maior. Em nossos dias esse princípio raramente tem acontecido.

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