Origem: Livro: Obediência e Submissão – Princípios de Cura
A Autoridade do Empregador
Não demorou muito para que, por causa do pecado, uma relação anormal se desenvolvesse: a da escravidão. Homens com suas esposas e filhos se tornando propriedade de senhores, que fizeram com eles o que quiseram. Na sabedoria de um Deus soberano, Ele permitiu que esse relacionamento anormal continuasse a existir. Sozinho, Abrão tinha nada menos que 318 servos, “nascidos em sua casa” (Gn 14:14). Não está registrado na Escritura que o Senhor lhe disse alguma coisa sobre libertá-los. A Lei (Êxodo 21) reconheceu a condição de escravo comprado, fazendo uma provisão para que o escravo comprado com dinheiro saísse livre no sétimo ano por si mesmo, o que raramente acontecia.
Sob a graça, a mesma condição de escravidão é conhecida, mas não é colocada de lado. Considerando, no entanto, as dificuldades encontradas por um escravo Cristão que buscava reconciliar a vontade de Deus com a de um senhor pagão, se a oportunidade de obter sua liberdade se apresentasse, ele deveria aproveitá-la (1 Co 7:21), mas isso também raramente acontecia. Os escravos Cristãos, portanto, têm uma lista mais numerosa de instruções dirigidas a eles do que a quaisquer outras pessoas colocadas por Deus na posição de submissão.
A partir das instruções dadas aos escravos, vemos o quão plenamente devemos reconhecer e respeitar a autoridade de um empregador. Embora não sejam escravos, a maioria de nós em nosso emprego está na posição de servo de nossos empregadores. Quão proveitosas são essas instruções, para nossa própria alma, por causa dos princípios divinos que estabelecem! “Vós, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo, não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; servindo de boa vontade como ao Senhor e não como aos homens, sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre” (Ef 6:5-8). “Vós, servos, obedecei em tudo a vosso senhor segundo a carne” (Cl 3:22-25). “Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados. E os que têm senhores crentes não os desprezem, por serem irmãos; antes, os sirvam melhor, porque eles, que participam do benefício, são crentes e amados” (1 Tm 6:1-2). “Exorta os servos a que se sujeitem a seu senhor e em tudo agradem, não contradizendo, não defraudando; antes, mostrando toda a boa lealdade, para que, em tudo, sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador” (Tt 2:9-10). “Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor ao senhor, não somente ao bom e humano, mas também ao mau; porque é coisa agradável que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente… Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as Suas pisadas, O qual não cometeu pecado, nem na Sua boca se achou engano, O qual, quando O injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-Se Àquele que julga justamente” (1 Pe 2:18-23). Quão clara e abençoadamente essas passagens indicam que a glória é dada a Deus, por meio da submissão de todo o coração, para aqueles no relacionamento mais difícil de todos neste mundo, o de escravos! De fato, o próprio lugar de submissão foi glorificado pelo próprio Senhor, que “tomando a forma de servo” (Fp 2:7).
A obediência e a submissão não são, de fato, os princípios de cura da humanidade? A obediência à vontade revelada de Deus resulta na submissão à autoridade divinamente reconhecida. Uma esposa submissa ganha um marido desobediente por sua vida casta, em temor! (1 Pe 3:1-2). Uma criança submissa tem Seu ministério interrompido, por assim dizer, por “Seus pais” (Lc 2:41) que não sabiam que Ele deveria fazer os negócios de Seu Pai, mas Ele “desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito” (Lc 2:51)! Um apóstolo Cristão submisso, cativo e um divertimento das “autoridades que há”, intitula-se “preso do Senhor” (Ef 4:1)! Assim, Paulo, teve uma porta aberta para proclamar o evangelho da graça de Deus a Agripa e a Nero, cujo abuso da autoridade que lhes foi dada por Deus foi suplantado em Sua bondade soberana, para espalhar a verdade por toda parte. “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão” (2 Tm 4:17). Um servo Cristão sujeito sofre agravos, padecendo injustamente (1 Pe 2:19). O servo, então, recomenda Cristo a um empregador perverso e tem o gozo da comunhão em sua própria alma com o bendito Senhor, em cujos passos ele caminha!
