Origem: Livro: Esboço Sobre os Profetas Menores

As bênçãos e privilégios perdidos pela invasão assíria

No capítulo 9, Oseias passa a falar das bênçãos e privilégios que Israel perderia como resultado do juízo vindouro. Ao apresentar isso ao povo, o Senhor (por meio do profeta) estava fazendo mais uma tentativa de levá-los ao arrependimento. Talvez se eles percebessem o que perderiam, se voltariam para o Senhor com sinceridade e Ele os livraria. No dia vindouro, o Espírito de Deus agirá de maneira semelhante com as dez tribos dispersas. Elas reverão o que perderam por causa da idolatria, e isso, no final, produzirá uma obra genuína de arrependimento entre elas.

Oseias menciona várias coisas que estavam prestes a lhes serem tiradas pela invasão dos assírios. Para as dez tribos no dia vindouro, essas coisas serão vistas em retrospectiva.

  1. Vs. 1-3 – O privilégio de viver na sua terra prometida seria perdido. Ele diz: “Na terra do Senhor não permanecerão”. Sob o reinado de Jeroboão II (um de seus últimos reis), Israel desfrutou de grande prosperidade e o povo se sentiu bastante seguro nela – mas foi temporário. Foi dito a Israel: “Não te alegres” (v. 1). Sua infidelidade (adultério espiritual) era de tal magnitude que a terra seria despojada (v. 2) e o povo seria deportado para uma terra estrangeira (v. 3). Deus não permitiria que a impiedade continuasse na terra indefinidamente. O profeta, portanto, anuncia: “Na terra do Senhor não permanecerão”, mas iriam para o cativeiro e, assim, tornariam ao Egito no sentido de estarem em cativeiro e precisando de libertação. Eles seriam literalmente levados cativos para a “Assíria”, onde viveriam um estilo de vida alimentar não kosher[1] – comendo “comida imunda”.
  2. Vs. 4-6 – O privilégio de poder trazer sacrifícios ao Senhor em suas festas anuais seria perdido. O povo negligenciou fazê-lo quando teve a oportunidade, mas sendo banidos de suas terras, não seriam capazes, se quisessem, de trazer sacrifícios ao Senhor daquela maneira dada por Deus. Todas essas tentativas de sacrificar ao Senhor seriam contaminadas “como pão de pranteadores”. Aqueles que tocassem em tais sacrifícios seriam cerimonialmente impuros (“imundos”) e não seriam aceitos pelo Senhor. O profeta argumenta com o povo, perguntando o que fariam quando estivessem no cativeiro e quando chegasse a época de suas festas anuais de Jeová – que não poderiam mantê-las. “Que fareis vós no dia da solenidade, e no dia da festa do Senhor?” Os habitantes fugiriam “por causa da destruição”. Os poucos sobreviventes que fugissem para o “Egito” e “Mênfis” morreriam lá. A terra ficaria privada de seus despojos; em vez de produzir seus frutos, haveria “urtigas” e “espinhos”.
  3. Vs. 7-9 – O ministério dos profetas seria perdido. Nos “dias da visitação” (as incursões assírias contra a terra), esses homens seriam atingidos pela cegueira e pela perda de discernimento. Consequentemente, eles falariam como se estivessem “loucos”. “Efraim”, como vigias que já foram, estiveram “com o Meu Deus”, mas se tornariam “um laço de caçador de aves” para o povo. Como resultado das incursões assírias, a nação seria reduzida a um remanescente. A culpa da nação era como “Gibeá” – o lugar onde a paixão desenfreada fez com que a tribo de Benjamim fosse reduzida a um punhado de pessoas (Jz 19-20; Is 17:6).
  4. V. 10 – Eles perderiam o senso de aprovação do Senhor. A princípio, quando o Senhor tomou a nação de Israel, eles eram como “uvas” e “figos” úmidos para um viajante no deserto – eram um prazer para o Senhor. Assim como o Israel antigo perdeu seu relacionamento com o Senhor por seguir “Baal-Peor” (Nm 25), eles estavam fazendo o mesmo nos dias de Oseias seguindo abominações vis. Ele não poderia mais colocar Sua aprovação sobre eles.
  5. V. 11 – A glória de Israel como nação seria perdida. “Efraim”, nalgum tempo, teve certo respeito e glória perante as nações, mas isso seria tirado. “Sua glória como ave voará”. Três estágios de retrocesso são mencionados para indicar a apostasia da nação – “não haverá nascimento, não haverá filho, nem concepção” – eles estavam indo no sentido contrário (Is 28:13).
  6. Vs. 12-13 – A proteção divina do Senhor seria perdida. “Ai deles! quando deles Me apartar”. A nação ficaria exposta a todos quantos viessem atacá-la. Consequentemente, eles levariam seus filhos ao “matador” (a Assíria).
  7. Vs. 14-15 – Eles perderiam o senso do amor do Senhor. O Senhor promete: “Os lançarei fora de Minha casa; não os amarei mais”.
  8. Vs. 16-17 – Eles perderiam sua capacidade de dar fruto para Deus. “Efraim foi ferido, secou-se a sua raiz; não darão fruto” e “vagabundos andarão entre as nações”.

[1] N. do T.: Kosher é o termo usado para denominar um alimento que está de acordo com as normas da dieta milenar do Torá (Bíblia) seguida pelos judeus. – fonte: BDK do Brasil – Certificação Kosher para o ramo alimentício.

O remanescente das dez tribos de Israel em um dia vindouro irá ponderar o quão tola a nação tem sido em seguir seu caminho pecaminoso de idolatria, e isso despertará neles o desejo de ter aquelas coisas novamente. Isso os levará a reconsiderar seu curso, e “a décima” parte retornará ao Senhor em arrependimento genuíno (Is 6:13).

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