Origem: Livro: Esboço Sobre os Profetas Menores

Causas do juízo vindo por meio da Assíria

Nesta série de capítulos, Oseias declara as razões do juízo do Senhor sobre Israel ao espalhá-los pelas mãos da Assíria. Havia uma série de males em que o povo estava envolvido, e tais males justificam esse juízo do Senhor.

Conforme declarado na introdução, é importante entender que essas profecias têm uma aplicação dupla – um cumprimento próximo, mas também um cumprimento no tempo do fim. Portanto, elas não são registradas na Escritura meramente por seu valor histórico, mas por terem a ver com o povo do Senhor (as dez tribos) em um dia vindouro. O desprezível estado moral do povo nos dias de Oseias, que exigia seu julgamento historicamente, retrata um estado de coisas semelhante ao que existirá no futuro entre as dez tribos espalhadas pelo mundo.

Capítulo 6:4-6 – A primeira razão para o juízo iminente foi o abandono do coração do povo em relação ao Senhor. O Senhor lamenta e chora por isso. A “beneficência” (amor) deles era vazia e não sincera. Como “nuvem da manhã” e “como o orvalho da madrugada, que cedo passa”, o amor deles havia se dissipado (v. 4). Ele queria a afeição de Seu povo, não uma demonstração exterior de ritual: “Porque Eu quero misericórdia, e não o sacrifício”. Mas Suas advertências à consciência deles (“Por isso os abati pelos profetas: pela palavra da Minha boca os matei”) não os fez recuarem (vs. 5-6).

Capítulo 6:7-9 – Em segundo lugar, eles “traspassaram o concerto, como Adão” e transformaram a terra em um lugar de violência. Cidades de refúgio (Js 20) que foram designadas para segurança do homicida que matasse alguma pessoa por erro, e não com intento, se transformaram em locais de homicídio! “Gileade” onde estava Ramote (uma cidade de refúgio), foi “calcada de sangue” (homicídio). Da mesma forma, em “Siquém” (outra cidade de refúgio), os sacerdotes se escondiam como um bando de ladrões e matavam viajantes que buscavam asilo ali!

Capítulo 6:10-11 – Em terceiro lugar, toda a nação – norte (“a casa de Israel”) e sul (“Judá”) – havia se contaminado por seu envolvimento com a idolatria (“prostituição”) (vs. 10-11a).

Capítulo 7:1-7 – Em quarto lugar, o povo era culpado de conspirar contra seus reis e matá-los. Do total de seus 17 reis, apenas oito morreram de morte natural! Os livros dos Reis registram uma conspiração após a outra – especialmente em seus últimos anos.

As últimas palavras do capítulo 6 aparentemente pertencem ao capítulo 7. “Quando Eu remover o cativeiro do meu povo; Sarando Eu a Israel, se descobriu a iniquidade de Efraim, como também as maldades de Samaria”. Assim, o Senhor desejava restaurar e abençoar Israel, mas todas as Suas ofertas graciosas para com eles resultaram apenas em uma manifestação maior da maldade deles.

Os reis de Israel eram um reflexo do estado do povo, e esses líderes estavam imersos em devassidão, depravação moral e idolatria. “Samaria” era o centro administrativo do reino situado ao norte; era onde o rei e seus oficiais residiam. Mas em vez de governar com retidão, havia corrupção na corte real – com o “rei” e os “príncipes” e os “juízes” (vs. 3-7). O rei (Zacarias, filho de Jeroboão II – 2 Rs 15:8-9; Os 1:1) havia se cercado de pessoas inescrupulosas que o entretinham “com sua malícia”. Os príncipes eram mentirosos (v. 3). Oseias usa a imagem de um “padeiro” trabalhando com fermento (que é um símbolo do mal na Escritura) para descrever sua cumplicidade com vários males (v. 4).

Os versículos 5-7 aparentemente se referem à conspiração dos cortesãos para o homicídio do rei. “O dia do rei” era uma celebração dada em sua homenagem. Os homicidas “aplicaram o coração” em um plano para matá-lo, como o calor subindo no forno do padeiro. Eles o deixariam bêbado (“doentes com a excitação do vinho”) e “enquanto estão de espreita” (ARA) por uma oportunidade de matá-lo. Eles mataram “seus juízes” da mesma maneira traiçoeira. Na verdade, em um período de 20 anos, quatro dos reis de Israel sofreram conspiração e foram mortos traiçoeiramente (2 Rs 15). Assim, o profeta diz: “todos os seus reis caem”. O profeta registra a tristeza do Senhor por nenhum entre eles ter fé – “ninguém entre eles há que Me invoque”.

Capítulo 7:8-12 – Em quinto lugar, Israel fez alianças estrangeiras com as nações pagãs para o que pensavam que seria para sua proteção, em vez de confiar no Senhor (2 Rs 15:19-20; 17:4; Is 7:2; 30:1-2; 31:1-4). O Senhor declarou que eles deveriam permanecer separados das nações gentias, social e politicamente, porque essas nações os corromperiam (Dt 7:1-4; Jz 2:2-3, etc.). Não obstante, Oseias relata: “Efraim com os povos se mistura”. “Povos” (plural) é uma palavra usada na Escritura para indicar os gentios. Tais vínculos profanos com as nações foram desastrosos. Eles atrapalharam seu crescimento espiritual como um “bolo” meio cozido (v. 8). E os fez perder seu poder moral e discernimento (v. 9). Os endureceu para com o Senhor, para que não buscassem Sua face (v. 10). Também afastou seu coração do Senhor e, consequentemente, eles se tornaram “uma pomba enganada, sem entendimento” (v. 11). Tais foram os tristes efeitos de se misturarem com o mundo. Como um juízo governamental sobre Israel, o Senhor permitiria que fossem capturados pelas nações pagãs com quem flertavam. Os assírios os pegariam na “rede” que o Senhor lhes estendeu e os deportariam de sua terra (v. 12).

Capítulo 7:13-16 – Em sexto lugar, seus clamores ao Senhor eram vazios e fingidos. Por terem “fugido” do Senhor, haveria “destruição sobre eles” por meio dos assírios. Em vista da invasão que se aproximava, clamaram ao Senhor por livramento, como fizeram com todos os seus outros deuses. Ele os “remiria” (ARA) de seu inimigo, mas seu clamor era pura hipocrisia. Ele disse: “E não clamaram a Mim com seu coração, mas davam uivos nas suas camas; para o trigo e para o vinho se ajuntam, mas contra Mim se rebelam Eles voltam, mas não para o Altíssimo”. Eles clamaram a Ele e O adoraram como se estivessem adorando a Baal! A Septuaginta diz “laceram-se” (em vez de “se ajuntam”), que é uma prática ligada à adoração a Baal (1 Rs 18:28). Isso era algo proibido para os israelitas (Dt 14:1). Eles prantearam em suas camas, mas o pranto não estava associado à fé e arrependimento. Foi na verdade apenas uma rebelião sem fé. Esses eram os caminhos instáveis daqueles cujos corações estavam mergulhados na idolatria. Eles eram “um arco enganador” que dispararia de forma incerta na direção errada porque estava deformado e retorcido. Quando a destruição inevitável pelos assírios atingisse o reino de Israel, situado ao norte, eles seriam zombados e ridicularizados por aqueles “na terra do Egito”.

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