Origem: Livro: Pequenas Exposições e Meditações Espirituais

A Ceia do Senhor

Devemos, com base na autoridade divina e na inteligência espiritual e bíblica, sustentar que a ceia do Senhor é a expressão característica do dia do Senhor – aquilo que deve então se tornar o principal.

Se lermos Lucas 22:7-20, aprenderemos que a páscoa dos Judeus e a ceia do Senhor, sendo então celebradas sucessivamente – uma após a outra —, esta última, a partir de então, substituiria a primeira, e para sempre. A primeira, com outros significados a ela associados, era o prenúncio do grande Sacrifício que viria no devido tempo, para tirar o pecado. A segunda é agora a celebração do grande fato de que aquele Sacrifício foi oferecido e que, pela fé, o pecado é tirado.

Após a instituição da ceia do Senhor, portanto, é impossível retornar à páscoa. Seria apostasia – uma renúncia ao Cordeiro de Deus e à expiação.

Mas, se a ceia substituiu assim a Páscoa, podemos então perguntar: “Há algo que a substitua?” Podemos ler nossa resposta em 1 Coríntios 11:26, e aprender ali que a ceia do Senhor é estabelecida como uma instituição permanente na casa de Deus até o retorno do Senhor. O Espírito Santo, por meio do apóstolo, lhe dá um lugar permanente durante toda esta era de ausência do Senhor.

Concluo, portanto, que não devemos permitir que nada tome o lugar que a ceia tem. É parte da nossa fidelidade na administração dos mistérios de Deus afirmar o direito dessa ceia de ser o elemento principal na assembleia dos santos. Ela substituiu a páscoa pela autoridade do próprio Senhor; mas nós, pela autoridade do Espírito Santo, não devemos permitir que nada a substitua. É o serviço próprio da casa de Deus. A ceia do Senhor é a principal coisa para o dia do Senhor.

Isso surge naturalmente no curso da história do Cristianismo no Novo Testamento. Lemos em Atos 20:7: “no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão”. E novamente, em 1 Coríntios 11:33: “Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros”.

Se abandonarmos a ceia por um sermão, ou por uma grande congregação, ou por qualquer outra cena ou serviço religioso, teremos abandonado a casa de Deus em seu devido caráter e em sua ocupação e adoração divinamente designadas. Em tal caso, somos culpados de apostasia. É verdade que não retornamos à páscoa deslocada ou substituída; mas permitiríamos que algo, seja o que for, tomasse o lugar ou substituísse o que o Espírito Santo estabeleceu como principal na casa de Deus. E, se tivéssemos o coração correto, diríamos: “Qual sermão seria mais proveitoso para nós? Que canto de uma congregação numerosa seria mais doce aos nossos ouvidos do que a voz daquela ordenança que nos fala tão claramente e com tão rica harmonia de toda a espécie de música sobre o perdão dos nossos pecados, sobre a aceitação de nossa pessoa e sobre a nossa espera pelo Senhor vindo do céu, e tudo isso em bendita e maravilhosa comunhão com a mais resplandecente manifestação do nome e da glória de Deus?”

Sim, a mesa à qual nos assentamos é uma mesa familiar. Em espírito, estamos na casa do Pai. Pela mesa, nos é dado a conhecer que estamos num relacionamento; e que isso está logo ali no reino de glória; pois “se filhos, também herdeiros” (TB). Se estamos no reino do Filho amado de Deus, estamos ao lado da herança (Cl 1). E ali a mesa é mantida até que Cristo volte.

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