Origem: Livro: Associação com o Mal Contamina?
Contaminação por Mortos
Tendo traçado os principais pensamentos a respeito do cuidado nos casos de “fermento”, “lepra” e o “fluxo” contínuo (estes três em si se referem mais ao próprio mal operando), examinemos agora Números 19 e colhamos algumas lições a respeito da contaminação por mortos. Este capítulo nos leva a considerar o importante fato de que associação com o mal contamina[1]. O livro de Números é o livro do deserto, e nele precisamos do maior cuidado e cautela para seguir a Palavra do Senhor. Caso contrário, entrar em contato com muitas coisas contaminam. Mas o mesmo livro também nos fala de amor e graça; portanto, foi feita uma provisão para purificar o povo de Deus da contaminação, e assim capacitá-lo para permanecer e andar com Ele dia após dia. Agora observemos, primeiro, a contaminação em si e até que ponto vai essa contaminação. “Aquele que tocar a algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias” (Nm 19:11). “E todo aquele que sobre a face do campo tocar a algum que for morto pela espada, ou outro morto, ou aos ossos de algum homem, ou a uma sepultura, será imundo sete dias” (Nm 19:16). A partir destas Escrituras aprendemos quais são os pensamentos de Deus em relação à contaminação, e assim como Israel assentou-se aos pés do Senhor (Dt 33:2-3) e ouviram estas palavras, eles também aprenderam quais eram os Seus pensamentos a partir das próprias palavras dadas. E Jeová não falou palavras vãs.
[1] Ainda assim. Dizem-nos que Números 19 não se refere à associação com doutrinas e práticas malignas, mas ao próprio malfeitor. Isto é completamente um equívoco. Essa é a lição que aprendemos com o leproso e com o que tem fluxo, mas em Números 19 não há doença no homem pessoalmente, mas o contato com o que era imundo e contaminante o contaminou. ↑
Agora, a única maneira pela qual um homem sabia que estava imundo era pela Palavra. Para isso eles se voltaram em busca de direção, e quando, por meio daquela Palavra, foram informados de terem contraído contaminação, então o coração obediente se voltaria para a mesma Palavra em busca de luz sobre como tal contaminação deveria ser removida. E se houve alguma negligência nisso, os resultados seriam muito graves, como veremos. “Porém o que for imundo e se não purificar, a tal alma do meio da congregação será extirpada; porquanto contaminou o santuário do SENHOR; a água da separação sobre ele não foi espargida; imundo é” (Nm 19:20). “E tudo o que o imundo tocar também será imundo; e a alma que o tocar será imunda até à tarde” (Nm 19:22). “Porque tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Rm 15:4). Portanto, estamos plenamente autorizados a tomar este livro de Números, pois os princípios de Deus são os mesmos. Essas várias coisas que contaminariam – Números 19 – indicam certos males hoje que são de natureza tão séria que o contato – ou associação – com eles incapacita mesmo aqueles que são povo de Deus para a comunhão com o Senhor e com aqueles que andam de acordo com a Palavra. Indicaremos esses males como são dados no Novo Testamento.
Ser contaminado por algo “sobre a face do campo” pode sugerir um contato com um mal mais aberto; já uma sepultura seria um mal mais oculto, mas estando lá a corrupção e a morte, isso contaminava. Mesmo que os olhos do homem não pudessem ver isso, os olhos de Jeová o viam, e por isso deviam evitar até mesmo tocar numa sepultura. Aqui não havia margem para os pensamentos deficientes, mesmo no Israel de antigamente. Eles poderiam raciocinar e dizer: “Mas não podemos ver o corpo que está por baixo”, mas Deus responderia: “Embora vocês não possam ver, Eu o vejo, e isso é suficiente, e a Minha Palavra para guiar o Meu povo é ‘todo aquele que sobre a face do campo tocar… uma sepultura, será imundo sete dias’” Oh, como este solene princípio da verdade resolveria tantas dificuldades com o povo de Deus (mesmo que eles não pudessem ver o propósito completo) se eles buscassem a Palavra e seguissem seus ensinamentos quanto à separação do mal em suas várias formas hoje. O conhecimento de Deus sobre o mal é completo, é perfeito; Ele também sabe como esse mal corrompe e contamina, e, portanto, escreveu: “qualquer que profere o nome de Cristo [do Senhor – ARA] aparte-se da iniquidade” (2 Tm2:19).
É verdade que existem estágios de disciplina, e as pessoas não devem ser “tiradas” por qualquer motivo, mas a Escritura é muito clara quanto a isto: “admoesteis os desordeiros” (1 Ts 5:14), e “aos que pecarem, repreende-os na presença de todos” (1 Tm 5:20). No entanto, há outros que precisam de excomunhão e uma leitura cuidadosa de 1 Coríntios 5 nos informa sobre alguns desses males, bem como 2 Pedro 2:1 e 2 João 9, onde aprendemos sobre más doutrinas, os mais sérios de todos os males, pois atacam diretamente a Pessoa e a glória de nosso Senhor Jesus. Todos os casos em Números 19 referem-se àqueles que merecem a excomunhão por causa de associação com aqueles cujos ensinamentos ou maneiras são tão graves que contaminam outros.
Em Números 19:14 o Senhor acrescenta: “Esta é a lei, quando morrer algum homem em alguma tenda: todo aquele que entrar naquela tenda e todo aquele que estiver naquela tenda será imundo sete dias”. Ora, para preservar a pureza entre aqueles entre os quais Ele habitava, Deus deu essas instruções, e somente quando seguiram Sua Palavra é que preservaram essa pureza. Volte-se comigo, querido leitor, em pensamento, e contemple aquelas pessoas marchando pelas areias do deserto. Veja-os enquanto eles param em sua marcha e armam suas tendas. A nuvem agora repousa sobre os muitos milhares de Israel. Jeová, seu Deus, está no meio deles; suas tendas, como um cacho, estão reunidas ao redor de Sua habitação.
Logo após a parada, espalha-se a notícia de que alguém na Tenda nº 1 morreu, mas ainda assim pessoas são vistas entrando e saindo. Se Números 19 for lido com atenção, aprendemos que esses são “sete dias imundos” – para aqueles que estão na tenda e aqueles que entram na tenda. Nada poderia ser mais claro se fosse a Escritura que os guiasse. Agora imagine que você vê um homem saindo da Tenda nº 1 – a tenda contaminada. Ao ele se dirigir para as tendas nº 3 a nº 10, e as pessoas nessas tendas (omitimos a nº 2 propositalmente) o veem vindo em direção a elas, elas fecham suas portas como um só homem e se recusam a deixá-lo entrar. Ele, quando informado do motivo em Números 19, reclama, dizendo: “Mas eu não sou o homem morto, e sou tanto parte do povo do Senhor quanto você”.
Eles poderiam responder: “É bem verdade que você não é o homem morto, e também sabemos que você faz parte do povo de Deus”. Não duvidamos dessas coisas, mas a Palavra do Senhor deve nos guiar. Você esteve na Tenda nº 1, onde está um homem morto. Agora, em Números 19:14, Jeová, nosso Deus, diz que você é imundo e, a menos que seja purificado com a água da purificação, você permanecerá imundo. Números 19:22 afirma além disso, tudo o que você toca é imundo e, portanto, nós o recusamos até que a contaminação que você contraiu na Tenda nº 1 seja removida. Números 19:17-19 nos dá a única maneira pela qual alguém pode ser purificado de tal contaminação. Portanto, aconselhamos que você siga este capítulo e aproveite a provisão de Deus – a água da purificação – e então, irmão, venha até nós depois do sétimo dia. Pois então, como diz Números 19:12, você ficará limpo e nós iremos recebê-lo de todo o coração. Podemos assegurar-lhe neste momento que o amamos, mas também desejamos a todo custo seguir a Palavra de Deus e manter a pureza em todas as nossas tendas, tanto quanto pudermos.
Ora, se for verdadeiramente submisso à Palavra de Deus, não seria esta instrução de Números 19 ser aclamada com grande gozo? E não é este o momento e o lugar para dar tais instruções, a fim de impedir a propagação da contaminação?
Mas suponhamos que, em vez de ficar agradecido, ele reclame ainda que eles são muito rígidos. No entanto, todas aquelas tendas do número 3 ao 10 permanecem firmes como um só homem. Mas agora ele percebe que a Tenda nº 2 (a mais próxima da contaminada) permaneceu independente de todas as outras e deixou sua porta aberta. Então ele se volta para eles com a esperança de que o recebam e o poupem de todo o trabalho de ter a água aspergida sobre ele e também da inconveniência de esperar sete dias. E quando ele se aproxima da Tenda nº 2, eles o cumprimentam. Ele expõe suas dificuldades. Eles respondem que todas essas tendas do número 3 ao 10 são “muito exclusivas” – excluem muitos do povo de Deus – “mas somos mais ‘abertos’ – não duvidamos que você seja do Senhor, e sabemos que você não é o homem morto, por isso estamos felizes em recebê-lo em nossa tenda.” Agora, caro leitor, deixo que você decida, à luz de Números 19, quais destes agiram corretamente – aqueles que o recusaram porque Deus disse que ele era imundo, ou aqueles da Tenda nº 2 que o receberam enquanto ainda imundo. Não levantamos a questão de ele ser o homem morto, nem ainda negamos que ele seja do Senhor[2]. Mas o Senhor em Números 19 nos ensina que o homem era imundo, e onde quer que ele fosse, tornava o lugar imundo por seu contato com ele. Este homem representa hoje qualquer pessoa, seja ele filho de Deus ou não, que mantém qualquer ligação com o mal moral, como em 1 Coríntios 5, ou mal doutrinal como em 2 João. Fornece-nos o caminho de Deus para que uma pessoa seja purificada antes de ser recebida por aqueles que procuram manter a verdade e a santidade de acordo com as palavras de verdade.
[2] Nem nos debruçamos sobre as graças pessoais de qualquer outra pessoa nas Tendas nºs 1 ou 2. Isto apenas cegaria os nossos olhos quanto aos princípios principais. Por outro lado, pode haver falha em detalhes nas Tendas nº 3 a 10, “pois nós muitas vezes ofendemos” (Tg 3:2 – JND), mas aqui insistimos nos princípios da verdade e da justiça. ↑
Agora, o que acontece no caso do homem que recusou absolutamente o modo de purificação de Deus é:
- Ele permaneceu imundo.
- Ele contaminou aqueles com quem teve contato. (Veja a aplicação de Ageu 2:11-14 à nação num dia posterior).
- Ele foi privado da Páscoa (Nm 9:5-7), sem dúvida uma figura da mesa do Senhor.
- Ele foi colocado fora do arraial, onde estava o leproso, e o homem com fluxo contínuo (Nm 5:1-3), embora ele próprio não fosse nenhum dos dois, mas foi contaminado por associação com a tenda onde estava um homem morto.
No entanto, quão adorável é a graça de Deus vista em Números 9:9-12 para dar uma provisão extra àqueles que foram contaminados pelos mortos. Eles poderiam celebrar a Páscoa no segundo mês, dando-lhes assim tempo para cumprir Números 19 e serem purificado. Quão bonito é ver naqueles homens contaminados que eles eram sinceros e tão insistentes em sua causa, e conscienciosos, pois não esconderam o fato, mas confessaram: “Imundos estamos nós pelo corpo de um homem morto” (Nm 9:7). Não é de se admirar que Deus tenha feito uma provisão extra para tais. Meu caro leitor, se você é filho de Deus, medite seriamente sobre esses temas que desenvolvem a santidade e o cuidado de Deus pelo bem, sim, pelo bem permanente de Seu próprio povo entre os quais Ele habita.
Agora passaremos para a Tenda nº 2 e ver como devemos tratar com eles. Números 19:22 nos diz claramente que eles são imundos, e as últimas palavras deste capítulo nos informam que a alma que tocar nele (Tenda nº 2) “será imunda até à tarde”[3].
[3] Dizem que “Números 19 ensina que a responsabilidade recai inteiramente sobre o indivíduo contaminado, e não sobre a assembleia”. Deixe o leitor julgar pelo versículo 20, onde lemos: “a tal alma do meio da congregação será extirpada” (veja também Números 5:1-3 e Números 9:5-14). Não há dúvida de que o objetivo da declaração acima é negar a responsabilidade da assembleia. ↑
Portanto, a Tenda nº 2 também ficaria em quarentena até que aqueles que se tivessem contaminado fossem purificados da sua contaminação. Se persistissem neste curso, aprendemos em Números 19:20: “Porém o que for imundo” pelo contato com um morto (ou mesmo com aqueles que se tornaram imundos por contato com um morto, veja Números 19:22), “e se não purificar, a tal alma do meio da congregação será extirpada”. Números 5:1-3 ensina ainda que ele seria lançado “fora do arraial”. A verdade, portanto, aplica-se a um ou a cem da mesma forma. Acreditamos verdadeiramente que a Tenda nº 2 ocuparia uma posição muito séria ao tratar com indiferença a verdade de Números 19, baixando também o padrão de pureza na congregação quanto à associação, e também agindo na independência das Tendas nºs 3 a 10, que procuravam agir de acordo com Deus.
Reflita sobre essas coisas, querido leitor, e se estiver perplexo quanto a esse assunto, não descanse até que você obtenha da própria Palavra o “assim diz o Senhor” sobre essas coisas. Os homens no mundo entendem estes princípios, e o mesmo acontece com o povo de Deus na vida quotidiana. Se ocorrer varíola, difteria ou cólera (como essas coisas no Velho Testamento surgiram no acampamento), observe o cuidado que as pessoas exercem – elas não permitirão que ninguém com a doença entre em sua casa. Além disso, eles não permitirão a entrada de ninguém que tenha estado no local onde os pacientes com varíola estão, para que não a tragam em suas vestes ou de outra forma, embora não tenham a doença – portanto, a associação não é permitida. Estes são os princípios de cuidado pelos quais lutamos na vida espiritual e na associação, porque estão mais próximos do coração de Cristo e de todos os que são verdadeiramente leais a Ele. Qualquer violação destes princípios torna-se assim mais grave – especialmente quando Deus tem falado, e falado de forma tão clara.
Agora vamos fazer uma pausa e considerar brevemente o que esta provisão de Números 19 nos fala – Sua provisão para manter os Seus limpos.
