Origem: Livro: Esboço Sobre os Profetas Menores
De abandonado a restaurado
Capítulos 4-6:3
A disciplina que o Senhor usa para restaurar Seu povo, nos capítulos 1-3, é o fruto de seus próprios caminhos. Eles sentirão frustração e vazio resultantes da própria busca pela idolatria, e isso agirá para levá-los de volta ao Senhor. Mas agora, nesta próxima série de capítulos, a disciplina que o Senhor usa é retira-lhes a percepção de Sua presença. (caps. 4:17; 5:6, 15). Isso produzirá uma sensação terrível de abandono na alma deles e servirá para produzir arrependimento em um remanescente do povo, à medida que eles retornam ao Senhor e são restaurados a Ele (cap. 6:1-3).
Nestes capítulos, a infidelidade de Israel é exposta em todas as esferas da vida – desde as pessoas comuns, os sacerdotes e até mesmo o rei.
Capítulo 4:1-5 – Oseias avisa sobre a consequente disciplina que será infligida na Terra e a retirada do Senhor de sobre eles. Ele apresenta a contenda do Senhor contra os “habitantes da Terra”. As pessoas encheram a Terra com violência e corrupção. O Senhor determinou uma seca como punição para isso, conforme os juízos da antiga aliança mosaica (Dt 11:16-17).
Capítulo 4:6-14 – Em seguida, Oseias apresenta a contenda do Senhor contra “os sacerdotes”. Eles eram responsáveis por ensinar ao povo o conhecimento do Senhor (Dt 31:9-13; Ml 2:7), mas falharam nisso. O Senhor diz: “O Meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento”. A razão para isso é que é dito dos próprios sacerdotes: “tu rejeitaste o conhecimento”! “Te esqueceste da lei do teu Deus” e muitos outros pecados lhes foram atribuídos – o pecado culminante foi o da prostituição da idolatria que “tira o coração” (JND) do Senhor (v. 11).
Sob condições normais, o povo deveria buscar conselho na boca do sacerdote porque eram os mensageiros do Senhor (Ml 2:7), mas porque falharam completamente em representar o Senhor, o povo estava se voltando para os ídolos e consultando “a sua madeira, e a sua vara”. Este foi o lamentável resultado da ruína entre os sacerdotes do Senhor. Eles haviam afastado o povo do Senhor, e Ele os teve como responsáveis por isso (vs. 12-13). Como consequência, o Senhor afirma que Ele não interviria imediatamente para punir Seu povo errante, mas sim, Ele os deixaria se aventurar com isso. Ele Se retiraria e permitiria que eles tivessem a percepção do Seu abandono (v. 14) (veja também capítulos 4:17; 5:6, 15).
Capítulo 4:15-19 – Oseias adverte o reino de Judá, que se situa ao sul, para que resista à tentação de visitar os dois principais santuários da idolatria localizados no sul do reino de Israel, que se situa ao norte – “Gilgal” e “Bete-Áven”. Bete-Áven era um nome condenatório para Betel, que significa “casa dos ídolos”, porque o ídolo em forma de bezerro estava lá (caps. 5:8; 10:5, 8, 14).
Capítulo 5:1-15 – Por último, Oseias apresenta a contenda do Senhor contra “o rei”, o governante do povo. O juízo foi-lhe dirigido porque ele havia permitido santuários de idolatria em “Mizpá” e no monte “Tabor”. Isso era um “laço” para o povo e, portanto, o Senhor o considerava diretamente responsável (v. 1).
Oseias diz ao povo que o Senhor sabia sobre seu pecado de idolatria; não estava “escondido” d’Ele, e Ele visitaria a terra em juízo por causa disso. Mais uma vez, a ação disciplinar do Senhor sobre o povo seria a retirada de Sua presença de entre eles. O povo iria “com as suas ovelhas e com as suas vacas, para buscarem ao Senhor”, mas não O acharia: “Ele Se retirou deles” (vs. 2-6).
O alarme de um exército invasor é retratado por Oseias em seu apelo para que “a buzina” e “a trombeta” sejam tocadas e o povo “grite altamente” (Nm 10:9). O juízo estava vindo sobre a terra e o reino situado ao norte (“Efraim”) seria “para assolação no dia do castigo” (vs. 8-9). O reino situado ao sul (“Judá”) também seria atingido (v. 10). Oseias não revela quem será o invasor, mas enfatiza que eles não teriam o Senhor para protegê-los (A próxima seção do livro – caps. 6:4-14:9 – indica que o invasor será a Assíria).
O Senhor anuncia: “Irei, e voltarei para o Meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a Minha face: estando eles angustiados, de madrugada Me buscarão” (v. 15). Perdendo-se a percepção da presença do Senhor e sentindo-se profundamente abandonados, isso acabará por alcançar o coração de um remanescente do povo e eles se voltarão para Ele e buscarão Sua face em verdade, e isso levará à sua restauração. Isso é visto no capítulo 6.
Capítulo 6:1-3 – O profeta retrata a voz do remanescente de Israel em seu estado de arrependimento, dizendo: “Vinde, e tornemos para o Senhor, porque Ele despedaçou, e nos sarará, fez a ferida, e a ligará”. Assim, haverá o retorno de um remanescente de todas as doze tribos ao Senhor e serão restaurados a Ele. O versículo 2 nos diz quando isso será: “Depois de dois dias” (o intervalo atual do dia da graça, que é cerca de 2.000 anos – Sl 90:4; 2 Pe 3:8) “[Ele] nos dará a vida: ao terceiro dia (o dia milenar) nos ressuscitará, e viveremos diante d’Ele”. Isso é bastante notável; indica que o Senhor efetuará uma ressurreição nacional de Israel (o que “o terceiro dia” também significa), e que eles viverão em um relacionamento feliz com o Senhor em Seu reinado de 1.000 anos sobre o mundo inteiro (o Milênio). Ele derramará bênçãos (“chuva serôdia”) sobre a nação até que não haja “mais lugar para a recolherdes” (TB) (Ml 3:10).
