Origem: Livro: Esboço Sobre os Profetas Menores

De “não Meu povo” para “Meu povo”

Capítulos 1-3

A disciplina que o Senhor usa para restaurar Seu povo nesta série de capítulos é o fruto de seus próprios caminhos. O Senhor permitirá que experimentem a frustração e o vazio que resultam de seguir a idolatria. Eles serão deixados em um estado terrivelmente vazio e insatisfeito, e isso fará com que considerem seus caminhos e, por fim, os levem a voltar para o Senhor, a Quem eles haviam abandonado.

Capítulo 1 – Oseias foi chamado para encenar uma parábola diante de seus conterrâneos, a fim de demonstrar ao povo a infidelidade da nação ao Senhor. Ele deveria tomar uma esposa (“Gomer”) que se lhe provaria infiel, ilustrando o que Israel era para o Senhor. Nessas ações, por meio de parábolas, Oseias representa o Senhor e sua esposa infiel representa Israel. Os filhos que ela deu à luz representam o fruto dos pecados de Israel, o que traria o julgamento da nação ao ser levada ao cativeiro. Os nomes de seus três filhos simbolizam o tratamento governamental de Jeová, como consequência, para com a nação:

  • “Jezreel” – (significa “Deus espalhará”). Isso significava que o juízo de Deus estava prestes a cair sobre Israel e eles seriam espalhados e semeados entre as nações.
  • “Lo-Ruama” – (significa “Não tendo alcançado misericórdia”). Isso significava a retirada da misericórdia de Deus que havia sobre a nação.
  • “Lo-Ami” – (significa “Não meu povo”). Isso significava a quebra do relacionamento do Senhor com a nação, pelo que eles não seriam mais considerados Seu povo.

Capítulo 2 – O Senhor promete colocar a nação de lado sob a figura do divórcio (vs. 1-2). Seu juízo sobre Israel é descrito em cinco expressões (vs. 3-4):

  • “A deixe despida” – A terra será privada de sua riqueza e da população pela devastação de um exército invasor (os assírios).
  • “A ponha como no dia em que nasceu” – Eles seriam deixados em uma condição semelhante à de sua escravidão no Egito.
  • “A faça como um deserto” – O povo não teria o favor nem a bênção do Senhor.
  • “A ponha como uma terra seca” – Eles seriam deportados para uma terra estrangeira entre os gentios, onde não poderiam dar fruto para Deus (2 Rs 15:29; 17:6).
  • “Não me compadeça de seus filhos” – Sua posteridade sofreria nas terras estrangeiras para as quais haviam sido dispersos de geração em geração.

Vs. 6-13 – Depois de serem justamente colocados de lado por sua infidelidade, as ações disciplinares do Senhor agirão para frustrar Israel na busca por seus amantes (seus ídolos), permitindo-lhes experimentar a futilidade da idolatria. Isso os deixará vazios e insatisfeitos.

“Portanto, eis que cercarei o teu caminho com espinhos; e levantarei uma parede de sebe, para que ela não ache as suas veredas. E irá em seguimento de seus amantes, mas não os alcançará; e buscá-los-á, mas não os achará” (vs. 6-7). O Senhor frustrará tudo o que buscarem durante o tempo de seu afastamento d’Ele, e isso fará com que considerem seus caminhos e, por fim, refaçam seus passos. Finalmente, eles dirão: “Ir-me-ei, e tornar-me-ei a meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que agora” (v. 7b).

Vs. 14-23 – O Senhor agirá no poder da “graça” e “amor” com um remanescente do povo (Jr 31:2-3), e eles sentirão seu vazio. Ele falará com eles com ternura e os atrairá de volta para Si mesmo. O resultado será o verdadeiro arrependimento do povo e, consequentemente, o Senhor os trará de volta à sua terra natal (Jr 31:18-21), momento em que Ele restaurará a nação e Seu relacionamento com eles. Toda a restauração de Israel, em um dia vindouro, será obra do Senhor. Isso é visto no grande número de vezes que é referido pelo Senhor o tempo futuro dos verbos, na última metade do capítulo 2:

  • “Eu a atrairei e lhe falarei ao coração” – O Senhor efetuará um despertar em Seu povo ao tocar seu coração em graça “no deserto” – as terras estrangeiras nas quais o povo foi espalhado (v. 14).
  • “E lhe darei as suas vinhas” – O Senhor realizará um retorno do povo à sua terra, onde possuirá sua herança dada por Deus (v. 15).
  • “E lhe darei… o vale de Acor, por porta de esperança: e ali cantará” – Ele os levará a julgarem-se a si mesmos (Js 7:4-26), e isso resultará na alegria da redenção do cativeiro e da servidão (v. 15).
  • “Me chamarás: Meu marido” – Ele restabelecerá Seus laços com Israel sob a figura de um relacionamento matrimonial, e eles não mais associarão o nome do Senhor com idolatria (“Baalim”) (v. 16; Is 62:4-5).
  • “Farei por eles aliança com as bestas-feras” – Ele retirará a maldição que cobre toda a terra, a “servidão da corrupção” (Rm 8:20-22; Is 35:1-10).
  • “Da terra tirarei o arco, e a espada” – Ele concederá a Seu povo paz e segurança em sua terra.
  • “Desposar-te-ei Comigo” – Ele fará com que Seu amor seja desfrutado por Seu povo como o primeiro amor (Ap 2:4).
  • “Eu atenderei, diz o Senhor; Eu atenderei aos céus, e estes atenderão à terra” (ACF) – Ele causará abundância de frutos e prosperidade em sua terra.
  • “E semeá-la-ei para Mim na Terra” – O Israel restaurado estará arraigado em sua herança ao longo do Milênio.
  • “E compadecer-me-ei de Lo-Ruama; e a Lo-Ami direi: Tu és Meu povo; e ele dirá: Tu és o meu Deus!” – Ele os trará para a nova aliança Consigo mesmo (Jr 31:34).

O capítulo 3 resume esta obra do Senhor em Seu povo. Ele dá uma rápida recapitulação de Suas intenções de restaurar Israel para Si mesmo e isso é demonstrado em ações simbólicas por Oseias. Foi-lhe dito “ama uma mulher, amada de seu amigo”. Essa mulher era Gomer (cap. 1:3), mas não é chamada de sua esposa aqui porque foi posta de lado por causa de seu adultério. “Seu amigo” é seu amante adúltero. Oseias é instruído a comprá-la para si mesmo, retratando as intenções de Jeová com o Israel infiel. O preço que ele paga não é um dote, mas o preço de uma escrava. Depois de “comprá-la”, Oseias deveria colocá-la em uma posição em que não pudesse mais continuar sua prostituição. Ela não devia viver com ele como sua esposa, mas sentar-se como uma viúva até que seu tempo de purificação moral estivesse completo (vs. 1-3). Assim, Israel permanecerá “muitos dias” sob o tratamento disciplinar do Senhor em um estado de viuvez – “sem rei” e “sem sacrifício” (v. 4). Isso se refere aos dias atuais, quando a nação foi colocada de lado temporariamente nos caminhos de Deus (Dn 9:26b; Os 5:15; Mq 5:3; Zc 11; Rm 11:11-27), e Deus voltou Sua atenção para o chamado dos gentios pelo evangelho de Sua graça (At 15:14). Esta obra de Deus interposta nos dias de hoje é o chamado celestial da Igreja.

Então, “depois”, quando “a plenitude dos gentios haja entrado” (Rm 11:25), o Senhor motivará o “retorno” dos filhos de Israel à sua terra e, mais importante, o retorno ao Senhor, quando experimentarão “Sua bondade” no “fim dos dias” (v. 5). Assim, neste terceiro capítulo temos:

  • O que Israel era no passado – uma adúltera infiel (v. 1).
  • O que Israel é no presente – em um estado de viuvez “sem rei” e “sem sacrifício”, etc., durante o tempo de dispersão entre as nações (v. 4).
  • O que Israel será no futuro quando voltar para sua terra e para o Senhor (v. 5).
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