Origem: Livro: Aos Pais de Meus Netos

Esaú

Uma das histórias mais tristes e solenes de toda a Bíblia é a de Esaú. Ele era filho de Isaque, um dos mais honrados dos patriarcas. Ele tinha cerca de quinze anos quando seu avô, Abraão, morreu, e, quando era menino, deve ter sido muito influenciado por aquele que é o ‘Pai dos Fiéis’. Ele era o gêmeo mais velho de Jacó, a quem Deus mostrou tal graça indizível, e a Esaú pertencia a primogenitura e a bênção. Ele viu e conhecia o valor que seu avô, seu pai e seu irmão atribuíam às promessas de Deus: mas para ele elas pareciam não significar absolutamente nada: e ele “por um manjar [uma refeição – AIBB], vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb 12:16). Ele parece ter sido um homem totalmente desprovido de fé. O que ele não podia ver, não tinha valor aos seus olhos. As Escrituras o chamam de “profano”, e dele se diz: “Amei a Jacó, e odiei a Esaú” (Ml 1:2-3 – ACF). Eu sei que ele ilustra “o propósito de Deus, segundo a eleição” (Rm 9:11), mas não duvido que possamos traçar a razão para isso na própria conduta de Esaú. Desprezou as promessas de Deus, e “querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas, o buscou” (Hb 12:17).

Vocês se lembram de que Esaú planejou matar seu irmão, e o que parece ter sido mais doloroso aos olhos de Deus foi o ódio implacável que a semente de Esaú nutria pela semente de Jacó, que era o povo de Deus. No entanto, podemos ver o anseio do coração de Deus sobre esses descendentes de Esaú, pois em Deuteronômio 23:7, Ele diz: “Não abominarás o edomita, pois é teu irmão”. Apesar de toda a rebeldia e pecado de Esaú e sua semente, o Senhor ainda quer que Israel se lembre da reivindicação fraternal que Edom tinha sobre eles. Mas mesmo essa graça foi desprezada e rejeitada, e o Senhor teve que dizer a Edom: “Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre” (Ob 1:10).

Nós, que somos pais Cristãos, devemos lembrar de que a indulgência própria na questão de comida parece ter sido o início da queda de Esaú, e já observamos que esse é o próprio pecado em que seu pai caiu. Quão indescritivelmente triste se em um dia vindouro for revelado que o exemplo de seu pai levou Esaú ao que veio a ser sua ruína! Que o Senhor nos guarde, pois não podemos nos guardar!

Mas devemos lembrar de que o mau exemplo de Isaque não diminui a responsabilidade de Esaú, nem o desculpa por não seguir a fé de seu pai, nem diminui o julgamento de Deus sobre ele. Para entender a severidade desse julgamento, devemos ir aos Profetas. Encontramos todo o livro de Obadias ocupado com isso, e frequentemente isso é referido nos outros profetas: veja, por exemplo, Jeremias 49:7-22. Edom será “exterminado para sempre” e “Será como a destruição de Sodoma e Gomorra e dos seus vizinhos, diz o SENHOR; não habitará ninguém ali” (Jr 49:18). Quando o resto do mundo estiver se regozijando, Edom ficará totalmente desolado.

Esaú e seus descendentes nos lembram filhos de pais Cristãos, filhos que recusaram o Evangelho. Eles tiveram o “direito de primogenitura” da salvação, mas o desprezaram. Eles ouviram e conheceram as benditas promessas de Deus e as rejeitaram. Eles tiveram avós, pais, irmãos ou irmãs, a quem viram dar grande importância àquilo que estes recusaram. Em alguns casos, infelizmente, eles se tornaram muito amargos com o povo de Deus: talvez com alguma razão: que motivo Esaú tinha para ser amargo com seu irmão! Mas isso não o desculpou.

Escrever tais palavras é mais doloroso do que posso dizer: mas que este triste exemplo traga a nós que temos filhos rebeldes, mais seriamente em oração diante de Deus em favor deles. E se os olhos de tal criança caírem nesta página, lembre-se de que a misericórdia de Deus ainda roga a você, e ainda há um caminho para “Casa”. Será que é tão difícil dizer: “Pai, pequei?

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