Origem: Livro: A Viagem de Paulo de Bons Portos até Malta

O Espírito Que Convém em Tempos de Fracasso

E ainda, ao se fazer uma pausa para meditar e considerar este relato do fracasso da Igreja e, por outro lado, da incomparável graça de Deus que cumpre Seus próprios propósitos apesar de tudo isso, somos levados a pensar em duas coisas. Primeiro, assim como Daniel antigamente que viveu em um tempo semelhante na história de Israel, podemos dizer, “A Ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós a confusão de rosto, como hoje se vê; aos homens de Judá, e aos moradores de Jerusalém, e a todo o Israel, aos de perto e aos de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas rebeliões que cometeram contra Ti” (Dn 9:7). Certamente, ao vermos o estado dividido e espalhado da Igreja de Deus, não podemos, se estivermos em comunhão com os pensamentos de Deus sobre isso, deixar de pôr nosso rosto no pó, reconhecendo, como Daniel reconheceu, nossa própria parte nisso. Na verdade, são aqueles que estão “perto” que deveriam sentir isso primeiro e mais profundamente.

A segunda coisa é o lado resplandecente de tudo isso. A graça imutável de Deus – sim, ela é magnificada e mais bem conhecida por causa do fracasso. Quem conhece a graça de Deus como Esdras e Neemias, ao verem a Sua maravilhosa provisão e cuidado na restauração deles ao verdadeiro centro – a Jerusalém? Quão maravilhosamente Deus assumiu a causa deles, capacitando-os para construir a casa e o muro apesar de toda oposição do inimigo. Deus nos quer confiantes n’Ele e não em qualquer coisa do homem. O homem sempre se mostrou a si mesmo como um total fracasso em todas as coisas que foram confiadas a ele sob sua responsabilidade. Mesmo se o testemunho do fim fosse tão pequeno como o remanescente de Israel, quando o Senhor Jesus nasceu em Belém – apenas permanecendo os Simeões e Anas – podemos ainda fazer como eles, “falava d’Ele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém” (Lc 2:38). As esperanças deles estavam centradas em Cristo, o seu Messias e eles não foram desapontados. Se nossa esperança estiver em qualquer braço de carne podemos estar certos de encontrar desapontamentos; mas todas as coisas serão feitas boas em Cristo – o Homem segundo o conselho de Deus.

Antes de prosseguir com nosso capítulo, talvez seja preciso mencionar também que sentimos profundamente a verdade de uma observação feita por um irmão que já partiu para estar com o Senhor: “Se qualquer pessoa falar de separação do mal sem estar humilhado, tome cuidado para que sua posição não venha a ser simples e unicamente aquela em que, em todos os tempos, tem constituído seitas e produzido doutrinas heréticas”. Ninguém deve ter pensamentos que exaltem qualquer homem e muito menos qualquer grupo de Cristãos. Somente Cristo é digno! Todos nós temos nossa parte no fracasso, digo novamente, mas sabemos que a verdade, perdida pela Igreja por séculos, foi retomada para nós nestes últimos tempos e há um grave risco de a perdermos novamente. Que possamos temer diante da Sua Palavra – que haja mais do espírito daquele pequeno grupo que retornou do cativeiro na Babilônia, o qual jejuou e orou pedindo ao Senhor, “caminho seguro para nós, para nossos filhos e para todos os nossos bens” (Ed 8:21). Quão maravilhosamente suas orações foram respondidas, porque a confiança deles estava em Jeová, o Deus de Israel.

Os discípulos que perguntaram ao Senhor a respeito da páscoa: “Onde queres que a preparemos?” não ficaram desapontados, pois, “indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa” (Lc 22:9, 13). Também, nenhum verdadeiro filho de Deus será desapontado se perguntar ao Senhor com humildade e confiança a mesma coisa nos dias de hoje. Sua promessa ainda é verdadeira, “Se alguém quiser fazer a vontade d’Ele, conhecerá a respeito da doutrina” (João 7:17 – ARA). Que cada um de nós perguntemos ao nosso próprio coração se estamos verdadeiramente querendo fazer Sua vontade tal como está revelada em Sua Palavra.

Com essas coisas em mente e com um senso (eu creio) de nossa própria insignificância, podemos abordar o assunto – confiantes, contudo, no Deus de toda a graça e orando para que esse pequeno artigo possa ser usado para bênção de Seu povo.

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