Origem: Livro: Notas sobre Josué
Os Gibeonitas – Josué 9
Neste livro de Josué, repleto de diversas ilustrações morais, somos apresentados aos gibeonitas e, por meio deles, a uma lição muito séria e importante.
Foi a fé que levou Raabe de Jericó a se aliar a Israel, como vimos em nossa meditação sobre o capítulo 2, e como aprendemos tanto em Tiago quanto no capítulo onze da Epístola aos Hebreus. Pois ela acolheu o povo de Deus em seu dia de fraqueza, enquanto ainda estavam no deserto – como Rute mais tarde, que desejou ir com Noemi, ainda exilada e pobre, ou como Abigail, que reconheceu Davi no dia em que ele precisava de um pedaço de pão.
Isso é fé. Isso é aceitar o Filho do Homem sob o sinal do profeta Jonas. Mas esse não foi o caminho dos gibeonitas. Durante o intervalo desde Raabe até eles, Israel atravessou o Jordão. Nas palavras da Escritura, “o Dono da casa Se levantou e fechou a porta”. O juízo havia começado a seguir seu curso. Era tarde demais para que a fé se exercitasse.[3] Israel não estava mais distante, mas havia chegado; não mais invisível, mas no meio deles. Seu dia de poder havia chegado. Foi, portanto, o temor por si mesmos, e não a fé, que moveu os gibeonitas a buscar uma aliança com Israel. Foi como o clamor: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta” (ARC) – e nos é dito que tal clamor é em vão.
[3] O que é dito sobre os gibeonitas em Josué 11:19-20 pode levar a uma aceitação condicional dessa interpretação. Compare com a de Raabe. A deles não representa fé, como a dela. O medo diante da presença de um ser forte e vitorioso foi o que motivou as ações dos gibeonitas. ↑
Os gibeonitas tinham ouvido falar do que Josué fizera em Jericó e Ai; isto é, ouviram falar do juízo na terra depois que Israel atravessou o Jordão, ou, como dissemos, quando o Dono da casa havia Se levantado. Raabe ouvira falar do que o Senhor havia feito no Mar Vermelho e no deserto (veja 2:10; 9:3). Mas isso faz uma grande diferença. É fácil ser benigno quando as dores nos acometem; mas essa benignidade não provém da fé, mas do temor. É natural, aliás, necessária. Os gibeonitas alegam ter sido movidos pelo mesmo relato que comoveu Raabe (vs. 9-10), mas isso era falso, como o versículo 3 já nos mostrou. Eles eram como a multidão que seguia o Senhor, não porque viram os milagres, mas porque comeram dos pães e ficaram satisfeitos. Eles buscavam Josué por aquilo que pudessem obter, conseguir ou produzir por meio dele; Eles o procuraram por si mesmos, em busca da libertação que agora percebiam necessitar, visto que o juízo os havia alcançado.
Essa era a postura moral dos gibeonitas. Não havia neles fé para reconhecer o Deus de Israel. Josué deveria ter percebido tudo isso, mas dormiu, e o joio agora está semeado no campo. Os príncipes fazem uma aliança com esses homens de Gibeom, e os incircuncisos encontram um lugar no meio de Israel. Israel pode agora fazer o melhor que puder, dadas as condições e os resultados de sua própria negligência, mas o joio não pode ser arrancado agora, e ali, nos campos de Israel, eles estão destinados, em breve, a causar problemas suficientes àqueles que os permitiram entrar (veja 2 Samuel 2:1).
Certamente, podemos extrair uma lição importante de tudo isso.
Aprendemos a diferença entre a fé que forma uma aliança presente com Cristo, a qual Ele reconhecerá no futuro dia da Sua glória, e o temor que O busca após o dia do juízo já ter se iniciado. É nesta era da Sua fraqueza que a fé O reconhece, e então a hora do juízo, e a eternidade de glória, cada uma à sua maneira, nos pertencem.
Aprendemos também sobre o perigo, bem como sobre o mal, de sermos negligentes no serviço da casa de Deus. “Dormindo os homens, veio o Seu inimigo, e semeou joio”. Nossa negligência produz danos, cujos frutos amargos podem ser colhidos depois de muitos anos.
