Origem: Livro: Notas sobre Josué

Gilgal – Josué 5

Pela primeira vez desde os dias dos patriarcas, os eleitos de Deus, os filhos de Israel, tocam agora a terra prometida. Foi um longo intervalo, mais de duzentos anos; e esse intervalo foi ocupado por eles, em grande medida, para a sua vergonha e tristeza. Um momento de alegria brilhou em seu caminho no tempo de José; mas desde então, os fornos de tijolos e os feitores do Egito, e depois os quarenta anos de peregrinação no deserto, haviam falado de seus sofrimentos; e suas idolatrias na terra do cativeiro, sua incredulidade quando Deus Se levantou para libertá-los, e depois as muitas provocações ao longo do caminho pelo qual agora haviam chegado a Canaã, falavam de seus pecados.

E antes que esse curso de pecado e tristeza tivesse começado, foi a iniquidade deles que os separou daquela terra no princípio, que agora acabavam de recobrar. Eles haviam pecado contra José, e daí veio o seu cativeiro.

Apesar de tudo isso, aqui estão eles novamente. Seus pés agora pisam a terra dos sepulcros de seus pais, a terra da promessa e da aliança de seu Deus.

As nações da terra sentem o poder do momento. Foi como o grito que ainda se ouve: “Eis o Noivo” (ARA).

O Dono da casa Se levantou. Israel havia cruzado as fronteiras, e era tarde demais para clamar: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta!” (ARA). Elas sentiram o momento apesar de si mesmas, e o coração delas se derreteu.

Mas o arraial é levado a sentir outra coisa. A geração que havia nascido no deserto não fora circuncidada, pois se encontrava em uma condição estranha. Mas agora eles, por assim dizer, tinham revivido ou reapareceram em seu caráter apropriado, e a circuncisão torna-se algo necessário. Canaã era deles somente enquanto eles eram de Jeová, e eles deviam trazer o sinal de pertencerem a Ele. Eles são circuncidados e, assim, tornam-se um novo povo. Tudo fica para trás, “o opróbrio do Egito”, como é dito aqui, “a vergonha da tua mocidade”, como diz Isaías (Is 54:4).

Tudo está ocultado[1]. “Hoje”, disse o Senhor a Josué, quando a circuncisão do povo havia ocorrido, “retirei de sobre vós o opróbrio do Egito”. Ele estava recomeçando com o Seu povo. Esta era a circuncisão, por assim dizer, pela segunda vez, como se o Senhor estivesse agora começando com a nação, assim como Ele fizera nos primeiros dias de Abraão, com a primeira circuncisão, iniciando com a família (Gênesis 17). E esta foi uma expressão muito bela de graça em sua rica e abundante glória. Israel agora pode celebrar a Páscoa como na noite de sua libertação do Egito, em Êxodo 12 – pois a Páscoa pertence a um povo circuncidado. Pois aquele a quem Deus santifica, isto é, separa para Si como por eleição, Ele redime, e deseja que os Seus redimidos conheçam e celebrem a sua redenção (Êxodo 12:45).
[1] Observe também sob que novas condições o filho de Moisés teve de ser circuncidado (Êx. 4).

E a herança, então, na devida ordem, segue a redenção, assim como a redenção segue a santificação ou separação. Consequentemente, a terra agora lhes fornece alimento, visto que celebraram a Páscoa após sua circuncisão. Como lemos aqui: “E, ao outro dia depois da páscoa, nesse mesmo dia, comeram, do fruto da terra, pães ázimos e espigas tostadas. E cessou o maná no dia seguinte”. E isso remete à herança. Foi a terra que lhes forneceu os pães e as espigas tostadas. O alimento do deserto, que era o maná, não era necessário na terra. É verdadeiramente precioso demais para ser esquecido; e, portanto, um ômer dele será guardado como memorial na própria arca de Deus (Êxodo 16:33), mas ainda assim, o alimento do deserto não é necessário na terra da herança. Assim como, em espírito semelhante, Israel construirá tendas na festa dos tabernáculos para se lembrar da vida no deserto. Mas as tendas não eram necessárias no meio das cidades, vilas e aldeias de Israel nos dias do reino. A lembrança da tristeza passada apenas intensifica a alegria presente. O cesto das primícias reconhece isso. Aquele cesto era o testemunho da plenitude presente, mas a confissão que acompanhava sua apresentação trazia à memória o dia em que Israel era apenas um estrangeiro perecendo. Assim também nós, em espírito, como nos mostra o segundo capítulo de Efésios. Lembramos que éramos gentios, sem Deus e sem esperança, embora agora na liberdade de um povo conscientemente trazido para perto. E assim será em glória em breve, como agora é em espírito ou pela fé. Pois as harpas dos harpistas no céu anunciarão a condição passada de pecado e ruína.

Aqui, eu diria, o reino ou o milênio resplandece por um breve e místico momento. O Jordão foi atravessado, o deserto foi deixado para trás, e o povo de Deus se assenta em uma terra fértil de promessas e glória.

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