Origem: Livro: O “Velho Homem”, O “Novo Homem”, O “Eu”

O Novo Homem

Assim, se o homem quer ver e entrar no reino de Deus, ele necessita de uma nova criação – uma vida eterna não sujeita à queda – pois sua vida foi arruinada pelo pecado. Embora Cristo, por sua morte, tenha libertado o crente do seu estado de um pecador responsável perante Deus, e sua consequente morte e julgamento – e o tenha identificado com Cristo, sendo libertado do pecado – e morto em seu completo sentido – ainda assim o homem necessita de uma nova criação – ser nascido de novo – para que possa estar apto a habitar e desfrutar da glória de Deus. “Todo aquele que crê no Filho de Deus, tem (esta) vida eterna” (Jo.3.36). É o dom de Deus para o pecador que crê. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho” (1 Jo.5.11).

“Assim que” – está escrito – “se alguém está em Cristo, nova criação é” (2 Co.5.17). Não é meramente que ele acredite ser desta maneira – ou que ele é apenas moralmente transformado – mas ele tem vida, uma nova vida espiritual, cuja comunicação é tão real quanto a de sua vida natural em seu nascimento neste mundo.

Como anteriormente, ainda se pergunta: Como pode ser isso? Por que alguém deveria achar estranho ou impossível para Deus, no exercício de Sua graça e poder, dar vida de uma nova fonte, do mesmo modo como Ele deu a velha?

Como possuidores da vida – da qual Deus é o doador e Cristo ressuscitado e glorificado, a fonte – o crente é uma “nova criação”; assim, “… vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade…” (Ef.4.24), ele deve caminhar não somente segundo a medida de um homem da velha criação justificado e perdoado, mas segundo a medida e padrão de Cristo – a Cabeça da nova criação – em quem está aquela vida, à destra de Deus. Sua origem e suas circunstâncias próprias são celestiais, apropriadas para a elevada glória de Deus, e, tendo e conhecendo isso, o crente é chamado para viver e comportar-se aqui como um imitador de Deus, um filho querido, andando “… em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Ef.5.2).

Agora, portanto, sabe-se que nem a crucificação do nosso velho homem, nem o revestimento com o novo homem, aboliu nossa inalterável individualidade e presente responsabilidade. O crente habita no mesmo corpo e se movimenta no mesmo mundo, como antes de sua conversão. Fé – e só fé – confere-lhe, pela Palavra de Deus, as bênçãos e as maravilhas da graça de Deus. Olha para trás e vê a cena do julgamento onde o Único justo foi feito pecado por nós, os injustos. Olha para cima e sabe que aquela mesma Pessoa vive agora para Si à direita de Deus. Olha adiante com a convicção e confiança de que Aquele que “há de vir, virá, e não tardará” (hb.10.37), nos tomará para Si mesmo para que onde Ele está, possamos nós estar também. Sabe que Deus deu-lhe vida eterna, e mais, a real presença do Espírito, a fim de conhecer as coisas dadas por Deus tão liberalmente. Então, caminhando por fé, ele está consciente do poder da vida divina interior, inclinando seu coração para Deus e para Seu povo, e assim pode dizer: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo.4.19). “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos” (1 Jo.3.14). O Espírito de Deus nele (e com ele) faz dele um templo de Deus e guia-o em Seus caminhos. Agora que anda no Espírito, não satisfaz as paixões da carne, porque como “a carne milita contra o Espírito” (Gl.5.17), assim também o Espírito o faz contra a carne.

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