Origem: Livro: O “Velho Homem”, O “Novo Homem”, O “Eu”
Quem É O Velho Homem?
Mas alguém poderá perguntar: quem é o “velho homem” e quem é o “Eu” que foi crucificado com Cristo?
A expressão “velho homem” ocorre apenas três vezes na Escritura: em Romanos 6:6, Efésios 4:22 e Colossenses 3:9. Então: “Sabendo isto, que nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado”. Novamente: “que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano”. E outra vez: “não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos”. Em cada um desses casos o “velho homem” só é mencionado no passado, como já tendo sido crucificado, ou seja, julgado no julgamento de Cristo; ou “despojado”, isto é, posto de lado pelo cristão, tanto pela fé como na prática.
Visto que, o velho homem expressa o crente em seu estado passado como um pecador responsável, cujo estado foi achado e julgado na morte de Cristo sobre a cruz. De fato, foi por mim, no meu estado e responsabilidade como um pecador, que Cristo morreu, e cujo estado e responsabilidade o bendito Senhor assumiu, sendo condenado à morte. Portanto, algo concernente ao passado, não ao presente; diz-se que é o “velho homem” porque é relativo ao passado; sendo que, o estado e a responsabilidade ligados a ele, “já passaram” nos propósitos de Deus, como está escrito: “… as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isso provém de Deus…” (2 Co.5.17,18). Nesse caso, não sou eu, a pessoa, em minha individualidade, porque nesse sentido eu não morri, mas é naquele estado e caráter de responsabilidade que foi achado e solucionado pela morte e cruz de Cristo. É uma figura de linguagem, se nós podemos dizer assim, expressando que Cristo tinha alcançado tão completa libertação por Sua morte, que posso identificar-me, por fé, com Ele sobre a cruz, e ver, em Sua morte, minha própria morte como um pecador responsável perante Deus. No mesmo sentido pode ser dito: “Eu estou crucificado com Cristo” (Gl.2.20). “O mundo está crucificado para mim, e Eu para o mundo” (Gl.6.14). Aqui aparecem “Eu” e “Mim”, nesse caráter de responsabilidade como um pecador por quem Cristo morreu. Assim também: “os que são de Cristo crucificaram a carne” (Gl.5.24), isto é, por fé, veem e reconhecem a execução do julgamento e sentença de Deus sobre eles como homens na carne, consumados na cruz de Cristo.
