Origem: Livro: Breves Meditações sobre os Salmos
Salmo 118
Este Salmo encerra esta série de sublimes cânticos de louvor. O Salmo 110 havia assentado Adon[8] ou Cristo à direita de Jeová no céu, antecipando Seu retorno ao poder e ao descanso do reino. Aqui, a nação de Israel O acolhe de volta e, apropriadamente, no caráter da “cabeça da esquina”, pois Sua anterior exaltação nos céus Lhe havia conferido tal posição (At 4:11). Essa é a linguagem de Israel, pronta para Jesus e Seu reino (Mt 23). É a introdução dessa pedra de esquina com aclamações (Zc 4:7).
[8] N. do T.: A palavra Adon e Adonai, e o plural Adonim, são todas traduzidas como “Senhor”; elas ocorrem com frequência e são encontradas em algumas palavras composta na Bíblia. Veja mais aqui. ↑
A Escritura está repleta de referências a Cristo como “a Pedra”.
Essa maravilhosa Pedra ou Rocha foi formada no Calvário; pois os arqueiros tiveram que entristecê-Lo, atirar n’Ele e odiá-Lo, antes que Ele, como Pedra (Gn 49), pudesse ser totalmente formado, a “Pedra provada” (TB). Então, no devido tempo, Ele foi estabelecido diante de Israel como seu Fundamento; mas eles tropeçaram n’Ele em vez de construir sobre Ele (Is 28, Rm 9). Ele é agora, com o mesmo caráter, apresentado a um mundo inteiro de pecadores, e alguns O encontram como sua Pedra vivificante, enquanto os homens geralmente O rejeitam (1 Pe 2). Mas Ele está no céu, reconhecido como Cabeça da esquina, e dessa posição elevada Ele descerá no devido momento, e em Sua vinda esmiuçará Seus desprezadores até o pó (Dn 2; Mt 21). Então, Seu verdadeiro Israel O acolherá, como este Salmo nos mostra. E em Seu reino Ele será a Pedra – na Terra, gravada com “sete olhos”, exercendo um governo diligente sobre toda a cena (Zc 3) – no céu, entronizado como a gloriosa Pedra preciosa (Ap 4), com Seus santos ressuscitados resplandescendo como gloriosas pedras preciosas ao Seu redor (Ap 21).
Maravilhosa história! Mas isso só quando passamos por este magnífico Salmo; no entanto, como alguém observou, sendo nossa admiração nada menos que adoração.
É o reino, ou “dia do Senhor”, que é aqui comemorado com regozijo, como havia sido “a ressurreição” antes, no Salmo 116. E este “dia”, sem dúvida, trará “luz” (v. 27) a Israel; e será também a grande testemunha de que “a Sua benignidade é para sempre”, o grande tema ou ocasião de contínuos sacrifícios de louvor e de ação de graças (vs. 28-29). Pois o gozo de Jesus e Seus santos é duplo: o gozo da ressurreição, e o gozo do reino. Jesus conheceu o primeiro, quando Ele destruiu em Sua própria Pessoa o poder da morte e da sepultura; Ele conhecerá o segundo no dia vindouro de Seu poder em Jerusalém.
Este é um encerramento adequado e solene deste grande Hallel, como os próprios Judeus chamam esta coleção de Salmos, como já observei. E este último deles, o Salmo 118 é a celebração dos gloriosos caminhos do Senhor, em um estágio além daquele ao qual (salvo em perspectiva) o Salmo 110 O levou. Lá nós O vimos assentado à direita no céu, e O deixamos lá, como Alguém que espera o Seu dia e reino. Mas aqui Sua expectativa se concretiza. Seus inimigos foram subjugados, e Ele está entrando pelas portas de Sua cidade real. Assim como Ele uma vez subiu o brilhante caminho da Terra até a destra de Deus, agora Ele desceu do céu pelo brilhante caminho, para executar vingança contra Seus inimigos, como então prometido a Ele, para satisfazer os corações desejosos de Seu povo e para Se assentar no reino.
Que caminhos para os pés de Jesus são esses! Aqueles pés que conheciam apenas os lugares espinhosos deste mundo desértico, percorrem nestes Salmos esses caminhos gloriosos – o caminho ascendente para Deus e o caminho descendente para o reino. Então o Senhor terá o Seu dia. E será um jubileu, quando os princípios de Deus formarem e preencherem a cena (Lv 25). Seus conselhos de sabedoria e amor serão manifestados e exaltados, e Seu povo levantará o louvor, como fazem aqui – “atai a vítima da festa com cordas, e levai-a até aos ângulos do altar”. Mas quem pode expressar tudo isso? Como nosso poeta canta:
“Quem cumprirá o cântico sem limites?
Quem é o ousado pretendente que se atreve?
O tema transcende a língua de um anjo,
E o coração de Gabriel desiste da esperança”
