Origem: Livro: Breves Meditações sobre os Salmos
Salmo 18
Este é o louvor do Messias pela libertação ou ressurreição, que tinha sido esperada no final do Salmo anterior. Ele celebra a Jeová como Sua fortaleza e Seu escudo (chifre – JND) – símbolos de força e realeza. Ele recita Seus desejos no dia de Sua angústia e a maravilhosa redenção que a mão de Jeová operou para Ele e Seu Israel, quando no lugar da morte, ou em meio às confederações de Seus inimigos no último dia. Sua libertação é a resposta de Deus ao Seu clamor. Então, a Terra treme. Como tremeu o local de reunião, com a voz da Igreja, em Jerusalém (At 4). Pois o Juiz de toda a Terra vingará os Seus próprios eleitos que clamam a Ele. O assopro da Sua boca e o esplendor da Sua vinda farão isso (vs. 8, 12; 2 Ts 2:8).
Este Salmo mostra surpreendentemente Cristo em dois lugares e dois caracteres muito distintos. Pois Ele está aqui tanto como o Libertado quanto o Libertador. Ele é Aquele que faz esta súplica, e Aquele que a responde. Tudo isso, é claro, simples e necessariamente decorrente de Sua Pessoa, Divina e Humana como ela é, – de Ele ser um com Seu povo aflito, e ainda assim é o Senhor que os resgata e os abençoa: como O vemos em Isaías 8, esperando em Jeová que virou Seu rosto de Israel, e em Mateus 23, o próprio Jeová, com Seu rosto virado.
A libertação de Davi das mãos de Saul foi a figura disso; e a libertação de Israel (com quem o Messias aqui Se identifica) no último dia, será a verdadeira libertação aqui celebrada pelo espírito profético. O resgate de Israel do Mar Vermelho, onde a força de Faraó pereceu, é mencionado (vs.15-16), pois essa foi outra figura da ressurreição ou libertação. Assim, a derrota de Adoni-Zedeque, que era a figura do último inimigo ou o rei voluntarioso nos dias de Josué, também é vista no versículo 12 (veja também em Salmo 144, Isaías 30:27-33; 64:1-3).
E o Libertado torna-Se o Conquistador e, no final, o Reinante. O Senhor O fortalece, e Ele parece estar à altura de tudo. A mesma mão de Deus que O resgata, Lhe dá vitória e, por fim, O investe de domínio. Ele acende Sua candeia e O faz atravessar uma tropa.
E assim este Salmo nos diz, como Paulo ensina em Romanos 8, “aos que justificou, a esses também glorificou”. Pois o Senhor não para, não pode parar com mera libertação, mas continua a fazer perfeita a Sua bondade no reino. O cântico de Israel em Êxodo 15 e o dos anciãos em Apocalipse 5 proferem a mesma verdade. Se Ele nos transporta para o reino de Seu amado Filho, é como nos colocar no caminho seguro e pronto para a herança dos santos na luz (Cl 1). Ele aperfeiçoa aquilo que nos diz respeito.
Mas tudo isso é a favor dos justos (vs. 20-27); retribuindo um justo julgamento aos outros. Esse é o carácter da ação aqui. Pois a libertação do “homem violento” não será tanto em graça mas em justiça. O pecador é libertado somente em graça, por meio da expiação, da maldição do acusador, da pena do pecado e do julgamento justo da lei. E assim o Israel de Deus, em breve, no dia do seu arrependimento. Mas em conflito com o inimigo, eles serão justos como Davi com Saul. Eles sofrerão como mártires ou como os justos, e, como tais, serão libertados. E esse justo julgamento, essa retribuição da justiça e do mal, é o caráter da ação no livro do Apocalipse (veja Apocalipse 22:11, 15), como é deste Salmo.
Em 2 Samuel 22 temos que este Salmo foi a declaração de Davi em um momento apropriado; e embora eu tenha acabado de notar isso acima, posso insistir novamente aqui, a respeito da prova que isso oferece da natureza típica de certas partes da história. Pois a libertação de Davi das mãos de Saul é aqui publicada em um tal estilo que nos diz claramente que outra e muito mais magnífica libertação foi vista por meio dela.
O cântico de Ana, da mesma maneira, contempla além da ocasião em que foi proferido (1 Sm 2). Nada é mais comum do que isso. E isso é julgado por alguns como o significado dessas palavras: “que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação” (2 Pe 1). Todos os eventos individuais fazem parte de um grande sistema de governo divino.
