Origem: Livro: Luz Para as Almas Ansiosas
Se eu não for um dos Eleitos não posso ser salvo, nem posso crer se Deus não me der poder para isso.
Este é o resultado de um dos mais engenhosos estratagemas de Satanás, seja para manter as almas despertadas na infelicidade ou deixar os pecadores endurecidos amarrados às suas algemas, lançando sobre Deus a culpa de continuarem em seu pecado e descrença. O inimigo falsifica a verdade, interpretando-a erradamente.
Deus fala, porém, ao pecador como a um pecador e com o santo como a um santo. O homem pode ir nivelando até colocá-los à mesma altura um do outro, mas Deus não faz isso.
Deus tem reivindicações justas sobre todo pecador e jamais renunciará a esses direitos. O homem é responsável perante Deus e não pode de modo algum fugir dessa responsabilidade.
Você é pecador? Deus falará então com você nessa base, seja no tempo ou na eternidade. Pense no mensageiro de um rei ou rainha visitando um assassino em sua cela, levando um documento de perdão e liberdade, e que em lugar de aceitar agradecido a graça oferecida, fica friamente discutindo com o portador sobre os limites da prerrogativa real em conceder perdão ou assinar sentenças de morte! Essa ideia seria considerada terrivelmente audaciosa entre os homens. Quem se aventurasse a tomar essa atitude talvez fosse até julgado um criminoso. Qual o seu direito de discutir o que o seu soberano queira ou não queira fazer? Basta-lhe ser um sentenciado, condenado justamente à morte, e que em honra de uma esplêndida vitória que o Herdeiro do trono conquistou, uma anistia geral foi concedida a todos os prisioneiros, inclusive ele. Quando chega finalmente o dia da execução, quem irá apiedar-se dele? O homem morre com quatro acusações distintas contra ele:
1. Transgrediu a lei do soberano mediante uma ofensa capital.
2. Recusou orgulhosamente arrepender-se e aceitar o perdão oferecido.
Ao agir assim, recusou-se a compartilhar da honra prestada ao Herdeiro, através de quem foi oferecido o perdão.
Ele teve a audácia de interferir com os direitos do trono, quando seu próprio direito de viver havia sido confiscado, devido ao seu crime.
Esta, caro leitor, é uma descrição triste mas não exagerada de muitas pessoas hoje em dia. Em lugar de dar honra a Cristo, aceitando o perdão oferecido (pois Cristo é honrado em cada alma salva), elas ficam discutindo a doutrina da graça da eleição de Deus; esses indivíduos estão na verdade se refugiando por trás do que afirmam conhecer quanto à soberania de Deus, a fim de continuar uma vida de iniquidade cada vez maior (Mt 25.24).
Cuidado então leitor! Se você é um pecador, o direito soberano de Deus para eleger você para a bênção eterna, ou condená-lo por seus pecados, não é assunto seu. O que deve chamar sua atenção e preocupá-lo é o seguinte: O Espírito escreveu, “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”; “toda boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus”; Deus quer que “todos os homens, e em todo lugar, se arrependam”; os servos de Deus receberam instruções para ir “por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura” e “quem não crer será condenado”. (Veja também 1 Tm 2.4; 2 Pe 3.9.) Você acha que “todo o mundo” não inclui você? Que as expressões “toda boca” de “toda criatura”, “em todo lugar”, não incluem você? Não será possível. Existe também outra sentença pronunciada pelos lábios graciosos do Senhor que se referem tanto a Ele como a você. “O que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37).
Com essas escrituras à sua frente, queremos recomendar-lhe sinceramente que deixe a doutrina da eleição para Deus e pense no seu evangelho da salvação. Ninguém jamais soube ser um dos eleitos até que foi salvo. Todo salvo é um eleito. Enquanto você se mantiver fora da salvação, Deus lhe falará como a um pecador e jamais mudará sua atitude até você se humilhar diante dele, curvar-se aos pés de Jesus como seu digno Salvador e sujeitar-se a Ele como seu verdadeiro Senhor.
Quando o Espírito de Deus se dirige aos santos (ou salvos) nas Epístolas, Ele tem muito a dizer-lhes sobre a eleição. Esteja, porém certo disto, Ele jamais falará a você como a um santo antes que se torne um deles.
Alguém disse muito bem que a eleição é como um segredo de família. Você não participa dele até que entre na família.
Quanto à objeção, “não posso crer até que Deus me conceda o poder”, devemos lembrar que embora seja o Espírito de Deus que coloca Cristo diante de nós, a fim de que nosso coração e confiança sejam atraídos por Ele, e sentimos que podemos confiar inteiramente em alguém assim tão abençoado, não é entretanto o Espírito que tem fé por nós; nós cremos em Cristo por nós mesmos. “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10. 10).
