Origem: Livro: Esboço Sobre os Profetas Menores

O Senhor recebe o rebelde Jacó

Mais encorajamento para o remanescente retornar

Capítulo 12 – Outra coisa com que o Espírito de Deus insistirá sobre o remanescente de Israel é a disposição do Senhor de receber e abençoar pecadores rebeldes quando se voltam para Ele. Isso é retratado nas relações do Senhor com Jacó.

Vs. 1-2 – O último versículo do capítulo 11 apropriadamente pertence ao assunto do capítulo 12. Oseias não minimiza a seriedade do pecado de Israel, enfatizando que Efraim havia cercado o Senhor com “mentira” e “engano” (cap. 11:12). Naquele momento, estavam “se apascentando de vento”, que retrata o vazio da vida sem o Senhor. Eles também fizeram alianças com o mundo (Assíria e Egito) que Deus não poderia abençoar. Tal era o estado da nação estando longe de Deus. O reino de “Judá”, ao sul, não era melhor; o Senhor também teve uma controvérsia com eles.

Vs. 3-5 – Oseias então traz diante de nós os tratamentos do Senhor com Jacó no passado. Sendo o pai das doze tribos de Israel, ele é frequentemente usado na Escritura como um representante da nação. Sete exemplos são tirados da vida de Jacó:

  • Suas ações no “ventre” (v. 3).
  • Sua luta com “o anjo” (v. 4a).
  • Ser achado pelo Senhor “em Betel” (v. 4a).
  • Sua comunhão com o Senhor “ali” (v. 4b).
  • Suas práticas comerciais de “engano” (v. 7).
  • Sua fuga para “o campo da Síria” (v. 12a).
  • Seu trabalho naquela terra para “uma mulher” (v. 12b).

Jacó foi um homem desonesto desde o início. Isso é indicado pelo fato de que ele “agarrava com a mão o calcanhar de Esaú” enquanto saía do ventre (Gn 25:26 – TB). Dificilmente existe uma pessoa mais rebelde na Escritura do que Jacó, mas por meio das disciplinas humilhantes do Senhor, quando ele se voltou para o Senhor, recebeu uma bênção! (Gn 32:24-32) Houve uma virada em sua vida quando ele tratou com o Senhor – ele “lutou com Deus” e “chorou, e Lhe suplicou” com sinceridade, e o Senhor o recebeu e o abençoou. Ele foi “achado” pelo Senhor “em Betel” (Gn 28:10-22), mas não foi senão muitos anos depois (quando foi restaurado ao Senhor) que o Senhor “falou” com ele e com sua família (“conosco”) “ali” em Betel (Gn 35:15). Isso fala de um novo relacionamento e comunhão.

V. 6 – O remanescente das dez tribos num dia vindouro será levado a considerar isso, o que terá um efeito profundo sobre eles. A nação de Israel tem sido tão desonesta quanto seu pai Jacó, e se o Senhor pode receber e abençoar o errante Jacó, Ele pode fazer o mesmo com eles. Como resultado de tais deliberações, uma sensação avassaladora do grande perdão do Senhor irá impressioná-los (Sl 103:3; 130:4; Is 43:25; Mq 7:18-19) e ouvirão a voz do Espírito, dizendo: “Tu, pois, converte-te a Teu Deus: guarda a beneficência e o juízo, e em Teu Deus espera sempre”.

Vs. 7-11 – Oseias continua a falar de Jacó. Ele aponta para o pecado monumental que marcou sua vida – usar o engano para acumular riquezas. “É um mercador; tem balança enganadora em sua mão; ele ama a opressão (trapaça). Israel é culpado do mesmo pecado. “E diz Efraim: Contudo eu tenho-me enriquecido, tenho adquirido para mim grandes bens: em todo o meu trabalho não acharão em mim iniquidade alguma que seja pecado”. Eles se orgulhavam de seu sucesso e se recusavam a reconhecer que tal era obtido por meio de práticas pecaminosas.

Apesar disso, a restauração final do Senhor de um remanescente das dez tribos de Israel não será frustrada (v. 9). Assim como com Jacó, o Senhor não permitirá que Israel continue neste curso em uma terra estrangeira para sempre. Ele os restaurará. Como seu Libertador, Ele tirou Israel “da terra do Egito” e os fez “habitar em tendas” na jornada pelo deserto até a terra de Canaã. Ele lhes falou pela boca de “profetas” e com muitas “visões”. Tais foram Suas ricas provisões a eles concedidas (v. 10). O Senhor promete fazer o mesmo com as dez tribos de Israel, trazendo-as em sua jornada de volta àquela terra. Mas agora, tudo estaria em ruínas por causa de sua idolatria. Seus sacrifícios nos falsos centros de “Gileade” (leste do Jordão) e “Gilgal” (oeste do Jordão) não eram aceitáveis porque, mesmo sendo a mais volumosa expressão de adoração (“bois”), não eram oferecidos no lugar que o Senhor escolheu (Jerusalém), e foram misturados com a idolatria (v. 11).

Vs. 12-14 – Consequentemente, como Jacó, a nação se tornaria uma fugitiva na terra da “Síria”, servindo a seus captores com trabalho pesado. Mesmo estando Jacó em uma terra estrangeira, o Senhor providencialmente cuidou dele até a hora de trazê-lo de volta para casa. Da mesma forma, as dez tribos não permaneceriam dispersas na terra para sempre; Ele as trará para casa novamente. “Mas o Senhor por meio dum profeta fez subir a Israel do Egito, e por um profeta foi ele guardado” (Dt 34:10). Assim como o Senhor guiou e preservou o antigo Israel até que alcançassem sua terra prometida, Ele providencialmente cuidará das tribos de Israel e as trará em segurança para sua terra natal. O Evangelho de Mateus nos diz que o Senhor enviará Seus “anjos” para guiar as tribos de Israel de volta (Mt 24:31). Isaías nos diz que Deus também incitará algumas das nações gentias, e elas as ajudarão a voltar para sua terra (Is 14:1-2; 49:22; 60:9).

O Espírito de Deus usará essas coisas para incutir nas dez tribos dispersas, a grandeza da graça do Senhor para perdoar e restaurar Seu povo e trazê-los de volta com segurança para sua terra. Será um forte encorajamento para que retornem e sejam restaurados ao Senhor. Mas, no momento, sua culpa (“sangue”) ainda estava sobre eles (v. 14).

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